São cumpridos 15 mandados de busca e apreensão contra oito policiais penais, incluindo um ex-diretor-geral e um ex-chefe de Inteligência do Deppen
O MPPR (Ministério Público do Paraná) deflagrou, nesta quinta-feira (3), uma operação contra um esquema criminoso envolvendo policiais penais e empresários suspeitos de recebimento de propinas de pessoas presas em troca da concessão indevida de benefícios na execução penal em Londrina.
Ao todo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão contra seis empresários e oito policiais penais que ocupam importantes posições na estrutura do sistema prisional, incluindo um ex-diretor-geral do Deppen e ex-presidente do Conselho da Comunidade de Londrina e um ex-chefe de Inteligência do Deppen.
As medidas judiciais foram autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Londrina e visam reunir novos elementos sobre a atuação dos investigados, extensão do esquema e esclarecer a origem e a destinação dos recursos movimentados.
Foram apreendidos equipamentos eletrônicos, documentos e R$ 87,5 mil em espécie durante o cumprimento dos mandados. Segundo os agentes, do total, R$ 45 mil foram encontrados na residência de um dos alvos, R$ 24,5 mil na casa de outro e R$ 18 mil na residência de um terceiro.
A ação ocorre por meio do núcleo de Londrina do Gepatria (Grupo Especializado na Proteção do Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa) e conta com apoio da Polícia Civil. Até o momento, uma pessoa foi presa em flagrante por porte de arma de fogo.
Propinas de detentos
O MP afirmou que as apurações tiveram início a partir de denúncias anônimas e avançaram com a análise de dados obtidos por meio de quebras de sigilo bancário e fiscal. Os investigados estariam supostamente envolvidos em duas principais frentes do esquema.
A investigação aponta que eles recebiam propinas de detentos em troca de concessões de benefícios na execução penal, além de atuarem no direcionamento fraudulento de contratações realizadas pelo Conselho da Comunidade de Londrina.
Conforme o MP, os policiais penais teriam movimentado valores milionários incompatíveis com seus rendimentos lícitos, além de terem recebido repasses injustificados de outros investigados e de empresas fornecedoras.
A investigação mostra que os policiais atuavam no Creslon (Centro de Reintegração Social de Londrina), no Deppen (Departamento de Polícia Penal do Estado do Paraná) e no Conselho da Comunidade de Londrina.
A esposa de um dos agentes públicos, apontado pela investigação como principal beneficiário do esquema, também é investigada.
Fraudes em contratações
Segundo o MP, o esquema ainda envolve supostas fraudes em contratações realizadas pelo Conselho da Comunidade de Londrina.
A investigação apontou que empresas pertencentes a três núcleos empresariais teriam sido utilizadas para simular concorrência e viabilizar o direcionamento dos contratos. Como contrapartida pelos contratos direcionados, as empresas teriam realizado pagamentos aos investigados.
Conforme as apurações, parte dos valores teria sido depositada de forma dividida, em diferentes operações. A estratégia conhecida como smurfing, tem como objetivo de dificultar a identificação da origem dos recursos e burlar mecanismos de controle. (CNN)













