Juliana era professora do curso de Direito da instituição e também atuava como escrivã da Polícia Civil. Reconhecida no meio acadêmico e profissional, ela lecionava normalmente quando o crime ocorreu no interior de uma sala de aula.
De acordo com o relato do acusado, o relacionamento com a professora teria durado cerca de três meses. Segundo ele, no último mês, Juliana estaria mais distante e deixado de responder mensagens, o que teria provocado desentendimentos e ciúmes. João também afirmou que teria visto, em outra ocasião, uma imagem publicada pela professora em aplicativo de mensagens, na qual ela aparecia ao lado do ex-marido, fato que, segundo ele, teria intensificado o sentimento de ciúmes.
Ainda conforme o depoimento, no dia do crime, o acadêmico levou para a faculdade um punhal que, segundo alegou, teria recebido anteriormente da própria vítima, guardado dentro de uma vasilha junto com um doce. Após o término da aula, ele aguardou a saída dos demais alunos e permaneceu sozinho com a professora na sala, onde teria iniciado uma conversa sobre o relacionamento. Após uma discussão, segundo sua versão, afirmou ter sido tomado pela raiva e desferido diversos golpes contra a professora.
Equipes do 9º Batalhão da Polícia Militar foram acionadas após a informação de que uma professora havia sido ferida com golpes de faca dentro da instituição. Ao chegarem ao local, os policiais foram informados pela equipe de segurança de que a vítima já havia sido levada por alunos, em um veículo particular, ao Hospital João Paulo II, enquanto o autor do crime permanecia detido em uma sala próxima.
No local onde o ataque ocorreu, os policiais localizaram a faca utilizada no crime, além de pertences pessoais da vítima e do acusado. Após o ataque, João tentou fugir pelo interior do prédio, mas foi perseguido e contido por alunos na parte inferior da instituição. Um dos responsáveis pela contenção é acadêmico da faculdade e policial militar, que ouviu os gritos, presenciou a professora ferida e passou a perseguir o agressor, orientando outros estudantes a prestarem socorro à vítima.
Também participou da contenção um professor da instituição, delegado da Polícia Civil, que desceu de sala após ouvir a confusão e encontrou o suspeito já imobilizado, sendo informado de que uma professora havia sido esfaqueada.
O acusado apresentava ferimentos nos braços e nas pernas, sofridos durante a imobilização, e foi encaminhado inicialmente para atendimento médico. Em seguida, ele foi levado ao Departamento de Flagrantes.
No hospital, a equipe médica confirmou a morte de Juliana Mattos de Lima Santiago. A professora deu entrada na unidade já sem sinais vitais, com perfurações no tórax e uma lesão profunda no braço.
Outro acadêmico relatou à polícia que estava em uma sala próxima quando ouviu um barulho estranho. Ao se aproximar, encontrou a professora caída, tentando conter o sangramento no braço.
Durante atendimento médico, João voltou a relatar aos policiais que aguardou ficar sozinho com a vítima para conversar e que, após a discussão, perdeu o controle. Ele não soube precisar a quantidade de golpes desferidos e tentou fugir em seguida, sendo contido por estudantes.
No Departamento de Flagrantes, o acusado reconheceu como seus uma mochila azul e um relógio encontrados no local. Dentro da mochila havia objetos pessoais, materiais de estudo, roupas, uma lata de cerveja vazia e outros itens, todos apreendidos, juntamente com a faca utilizada no ataque e pertences da vítima.
O caso é tratado como feminicídio e segue sob investigação da Polícia Civil, que apura a dinâmica dos fatos e confronta a versão apresentada pelo acusado com depoimentos, perícias e demais provas colhidas.