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Virginia induziu público a aposta improvável em jogo de Cabo Verde, diz MP

Ministério Público aponta que influenciadora teria usado linguagem emocional para induzir os seguidores a apostarem na vitória da seleção africana...

O MPDFT (Ministério Público do Distrito Federal e Territórios) apontou que a influenciadora Virginia Fonseca teria participado de um modelo "estruturado de captação de apostadores", comandado pela plataforma de apostas Blaze, durante os jogos da Copa do Mundo deste ano.

Segundo o documento do MP, obtido pela CNN Brasil, Virginia teria adotado estratégias para captar os apostadores na partida entre Argentina e Cabo Verde. Na ocasião, a influenciadora, com mais de 56 milhões de seguidores nas redes sociais, teria estimulado o público a apostar na vitória da seleção africana.

Para o Ministério Público, além da aposta ser "de baixa probabilidade e alto retorno potencial", a influenciadora ainda teria usado linguagem emocional para induzir os seguidores a apostarem. Nos vídeos divulgados por Virginia, a influenciadora afirmou que estava "esperançosa" com a vitória de Cabo Verde.

O MP ainda argumentou que as gravações não tinham sinalização para avisar ao público que o conteúdo tinha indícios de publicidade. "Virginia operou sobre um viés cognitivo documentado, intensificando a percepção de atratividade de um resultado objetivamente improvável sem qualquer menção às probabilidades reais", diz o documento.

"Como esperado pelo senso médio, a seleção da Argentina venceu a partida (3 a 2), impondo perda integral aos consumidores que seguiram a recomendação [...] Tal cenário transparece ser uma estrutura voltada à maximização do volume de apostas em detrimento absoluto da proteção do consumidor", afirmou o Ministério Público.

Segundo o documento, além de Virginia, a plataforma de apostas também adotou uma estratégia coordenada de intensificação publicitária coincidente com as partidas do campeonato, explorando uma "alta exposição emocional e o engajamento coletivo do torneio para induzir o consumo impulsivo".


Nesta quinta-feira (8), o Ministério Público ajuizou uma ação que sustenta que a empresa de apostas usou estratégias de marketing capazes de induzir o público ao jogo por meio da promessa de ganhos fáceis, publicidade considerada enganosa e uso de influenciadores digitais de grande alcance para estimular as apostas.


A investigação aponta que, enquanto simulava "esperança" no resultado da disputa entre as seleções, a influenciadora poderia receber 30% de comissão sobre as perdas de quem seguia as recomendações de aposta.



Relembre ação do Ministério Público

O Ministério Público pediu a condenação solidária da Blaze e da influenciadora ao pagamento de indenização por danos morais coletivos de R$ 120 milhões.

Segundo a ação, o valor foi calculado com base em uma estimativa conservadora de que a Blaze movimentaria cerca de R$ 600 milhões por ano em receita bruta de jogos.

O MPDFT aplicou, por analogia, um percentual de 20% sobre esse montante, chegando aos R$ 120 milhões, quantia que considera suficiente para punir e desestimular a repetição das condutas apontadas na ação.

Segundo o MPDFT, a investigação teve início após o recebimento de denúncias de consumidores que relataram retenção de valores, bloqueio de contas e dificuldades para sacar recursos depositados na plataforma.

Além disso, um relatório técnico reuniu mais de 42 mil reclamações contra a Blaze, indicando, segundo o órgão, um padrão recorrente de possíveis violações aos direitos do consumidor, incluindo a oferta de bônus condicionados a exigências consideradas abusivas.

Em relação à influenciadora Virginia Fonseca, o promotor Paulo Binicheski afirma que ela publicou, durante a Copa do Mundo de 2026, conteúdos incentivando seguidores a realizar apostas na plataforma Blaze sem deixar claro o caráter publicitário da divulgação, especialmente no jogo de Cabo Verde.

A ação aponta ainda que a influenciadora teria apresentado uma aposta como se fosse uma recomendação espontânea e cita informações de investigações que indicam a existência de remuneração vinculada às perdas dos apostadores captados, circunstância que, segundo o órgão, agrava o conflito de interesses e aumenta o risco de prejuízo aos consumidores.

A ação também destaca que a Blaze teria mantido uma estratégia contínua de publicidade com celebridades para ampliar o alcance das campanhas e usa a frase “A aposta te vende a fantasia do dinheiro fácil. A única aposta garantida é a da casa. E a casa contratou justamente quem você admira para te convencer a jogar”.

De acordo com o Ministério Público, a utilização de personalidades conhecidas reforçaria a falsa percepção de oportunidade de lucro fácil, especialmente entre consumidores em situação de vulnerabilidade econômica, ampliando o potencial de danos financeiros em larga escala.

Na ação, o Ministério Público pede que a Justiça determine a interrupção imediata das campanhas publicitárias consideradas irregulares e adote medidas para impedir novas práticas que, segundo o órgão, violam o Código de Defesa do Consumidor e a regulamentação das apostas esportivas.

O que diz a Blaze

"A Foggo Entertainment Ltda, detentora da marca e Operação Blaze no Brasil, esclarece que, até o presente momento, não foi formalmente intimada a respeito do referido procedimento do Ministério Público do Distrito Federal e dos Territórios (MPDFT). A Foggo se mantém comprometida com a transparência e conformidade com a legislação e as regulamentações em vigor no país. Nossas operações e parcerias são sempre pautadas pelas melhores práticas de mercado, com foco absoluto na segurança de nossos usuários, seguindo princípios legais e normas aplicáveis, assim como com base nas diretrizes de Jogo Responsável. Assim que formalmente notificada, a Foggo prestará todos os esclarecimentos necessários às autoridades competentes e a quem mais se fizer necessário."

O que diz a defesa de Virginia

"A defesa de Virginia Fonseca tomou conhecimento, por meio da imprensa, nesta quinta-feira (9), da Ação Civil Pública ajuizada pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). As alegações serão respondidas tecnicamente nos autos.

Contudo, cabe destacar que a própria petição inicial reconhece a existência de diligências ainda pendentes, incluindo a requisição de contratos e outras informações relevantes. Esses documentos são essenciais para o completo esclarecimento dos fatos, especialmente quanto à natureza do vínculo, à forma de remuneração e aos limites da atuação publicitária de Virginia Fonseca.

A defesa entende que o MPDFT poderia ter aguardado a conclusão das apurações instauradas pelo próprio órgão, o que certamente daria outro rumo à demanda. A defesa refuta as alegações manifestadas na ação, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo aos consumidores. A responsabilização civil deve estar amparada em provas concretas, e não em presunções ou ilações decorrentes da condição de pessoa pública da influenciadora. A defesa reafirma sua confiança nas instituições e no Poder Judiciário e prestará todos os esclarecimentos nos autos, oportunidade em que demonstrará, de forma técnica e documentada, a improcedência dos pedidos formulados contra Virginia Fonseca."

fonte - Julia Farias e Elijonas Maia, da CNN Brasil, em São Paulo e em Brasília.

Sesc EAD EJA abre inscrições em Rondônia

As inscrições são feitas apenas pela internet...


O Sesc está com inscrições abertas para o programa Sesc EAD EJA (Educação de Jovens e Adultos), que oferece formação gratuita no ensino médio integrado à qualificação profissional. O processo seletivo destina-se ao ingresso no 2º semestre de 2026. Em Rondônia, todas as vagas oferecidas nesta edição serão voltadas exclusivamente para a qualificação em Assistente de Marketing e Vendas, preparando os estudantes para um mercado de trabalho dinâmico. 

O programa é voltado para pessoas com mais de 18 anos e que tenham concluído o ensino fundamental. O curso terá uma carga horária dividida em 50% presencial e 50% a distância, contando com o suporte do ambiente virtual de aprendizagem e os encontros presenciais obrigatórios nos polos educacionais do projeto.

A oferta ocorre de acordo com as normas do Programa de Comprometimento e Gratuidade (PCG) do Sesc. O programa destina-se, preferencialmente, aos trabalhadores do comércio de bens, serviços e turismo e seus dependentes, seguidos de estudantes da educação básica (matriculados ou egressos) oriundos da rede pública, da rede particular ou de atividades do próprio Sesc, todos de baixa renda, cuja renda familiar bruta mensal não ultrapasse o valor de renda familiar mensal per capita de dois salários-mínimos nacionais.

Em Rondônia, são 120 vagas no total, distribuídas igualmente com 20 vagas para cada uma das unidades polos:

Ariquemes – 20 vagas
Ji-Paraná – 20 vagas
Nova Mamoré – 20 vagas
Porto Velho – 20 vagas
Presidente Médici – 20 vagas
Vilhena – 20 vagas

Os candidatos devem realizar a inscrição pela internet e entregar os documentos necessários presencialmente nas unidades do Sesc dentro do período estipulado pelo edital.

Endereços dos polos para entrega de documentos:

Ariquemes: Rua Tancredo Neves, 3998 – Setor Institucional
Ji-Paraná: Av. Dois de Abril, 2030 – Bairro 2 de Abril
Nova Mamoré: Av. 12 de outubro, 4042 – Novo Horizonte
Porto Velho: Rua Matrichã, 915 – bairro Lagoa
Presidente Médici: R. Santos Dumont, 3665 – Lino Alves Teixeira
Vilhena: Av. Sabino Bezerra de Queiróz, 3625 – Jardim América

Para saber mais informações, acesse o edital: bit.ly/3SSOECb

Sesc EAD EJA

O Sesc EAD EJA (Educação a Distância para Jovens e Adultos) tem como objetivo dar a jovens e adultos a oportunidade de retomarem os estudos com mais flexibilidade. 

Durante os encontros nos polos, os alunos têm a possibilidade de desenvolver na prática atividades relacionadas à qualificação profissional escolhida. 

fonte - assessoria.

AGEVISA-RO reforça cuidados contra doenças diarreicas diante do histórico de estiagem em Rondônia

As previsões climáticas indicam a possibilidade de novos períodos de seca e estiagem em Rondônia, associados à influência do fenômeno El Niño. Esse cenário pode comprometer o acesso à água de qualidade e aumentar o risco de Doenças Diarreicas Agudas (DDA), reforçando a importância das medidas de prevenção.



VIGILÂNCIA E MONITORAMENTO 

O acompanhamento rigoroso dos índices epidemiológicos tem sido uma prioridade para evitar surtos de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar (DTHA), além de conter o número de internações e óbitos associados. 

O monitoramento da Vigilância Epidemiológica aponta oscilações expressivas: o estado saltou de 50.470 casos em 2023 para 78.463 em 2024, registrando 63.385 em 2025 e 18.792 casos até o momento em 2026. Diante disso, a Agevisa-RO alerta que a prevenção e o cuidado domiciliar são as principais armas para proteger a população, especialmente em áreas de maior vulnerabilidade social, como comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas. 


SINAIS DE ALERTA 


A diarreia, embora comum, pode evoluir rapidamente para quadros graves de desidratação se não houver a devida atenção. Sintomas como náuseas, dor abdominal, presença de muco ou sangue nas fezes demandam vigilância constante. A Coordenadora Estadual das DTHA, Viviane de Carvalho Nascimento, alerta para a importância de procurar atendimento em uma unidade de saúde diante de sinais de desidratação ou agravamento do quadro e reforça que a automedicação deve ser evitada. É fundamental aumentar a ingestão de líquidos ao primeiro sinal de diarreia e observar sinais de alerta, como sede intensa, diminuição da urina, sonolência ou piora do estado geral. Não utilize antidiarreicos ou antibióticos por conta própria, pois o tratamento adequado depende de avaliação por um profissional de saúde e pode variar desde os cuidados domiciliares com terapia de reidratação oral até a necessidade de atendimento imediato nos casos de desidratação grave."

Solicitamos, por gentileza, a análise do conteúdo e, se aprovado, o link da publicação.

Porto Velho Shopping segue como ponto de encontro para acompanhar a Copa do Mundo

Programação acompanha as fases decisivas da competição, com exibição gratuita para o público...

Desde o início da Copa do Mundo, o Porto Velho Shopping tem sido um dos pontos de encontro para quem quer acompanhar os jogos em um ambiente de torcida. Mesmo com a Seleção Brasileira fora da competição, os apaixonados por futebol podem seguir acompanhando as fases decisivas do torneio no shopping, com segurança, comodidade e a emoção das partidas em grupo.

A iniciativa transforma os jogos em uma experiência coletiva, reunindo familiares, amigos e torcedores que desejam assistir aos confrontos fora de casa. Além das transmissões, realizadas na Praça de Alimentação, os visitantes também podem aproveitar as opções gastronômicas e participar de atividades temáticas, como troca de figurinhas, futebol de botão e pebolim.


Para o superintendente do Porto Velho Shopping, Bruno Vianna, a programação reforça o papel do empreendimento como ponto de encontro durante a Copa do Mundo. “As transmissões têm reunido torcedores desde o início da competição, criando um ambiente de convivência e emoção no shopping. Mesmo com a Seleção Brasileira fora da disputa, seguimos oferecendo um espaço seguro e confortável para quem quer acompanhar as fases decisivas da Copa”, afirma.

A programação segue acompanhando as fases decisivas da competição, com jogos das oitavas de final, quartas de final, semifinais e disputa pelo terceiro lugar. As transmissões são gratuitas e acontecem no Porto Velho Shopping.


Serviço

Evento: Transmissão dos jogos da Copa do Mundo

Local: Porto Velho Shopping

Entrada: Gratuita


Programação

Quinta-feira, 9 de julho

França x Marrocos (quartas de final)

Horário: 16h


Sexta-feira, 10 de julho

Espanha x Bélgica (quartas de final)

Horário: 15h


Sábado, 11 de julho

Noruega x Inglaterra (quartas de final)

Horário: 17h


Terça-feira, 14 de julho

Semifinal

Horário: 15h


Quarta-feira, 15 de julho

Semifinal

Horário: 15h


Sábado, 18 de julho

Disputa do 3º lugar

Horário: 17h


Mais informações: redes sociais do Porto Velho Shopping.

fonte - assessoria.

O legado de Guedes é o estado (3 - final) - por Montezuma Cruz

MONTEZUMA CRUZ*

Dona Gilsa: determinação e solidariedade com flagelados do Madeira (Foto Acervo Sejucel, modificada)

Mulher determinada, dona Gilsa Auvray Guedes esteve ao lado do ex-governador Humberto da Silva Guedes desde o início, no enfrentamento dos desafios do extinto Território Federal de Rondônia. Nascida no Rio de Janeiro, ela criou 12 filhos. Dedicou-se a obras sociais e liderou pessoalmente a retirada de famílias de áreas alagadas às margens do Rio Madeira, em seguida assentadas no Bairro Meu Pedacinho de Chão, por ela própria criado.

Entre 1975 e 1977, a esposa do coronel do Exército Guedes tomava conhecimento e convivia com o maior fenômeno climático até então, a cheia do rio. Enquanto o marido se dedicava a missões administrativas, dona Gilsa trouxe para si a pobreza. Guedes faleceu em 18 de junho passado, aos 103 anos; dona Gilsa, em 3 de agosto de 2007, aos 81.

O INCRA e o Ministério do Interior colaboravam com o trabalho governamental, movidos pela realidade do futuro estado amazônico ocidental: a marca dolorosa da escassez de recursos facilmente notada no território rico em minérios e com grande perspectiva agrícola.

O fluxo migratório quase incontrolável rumo à Amazônia Brasileira acelerava a instalação do Estado de Rondônia. Era tempo de vacinação contra febre amarela e do alto consumo de remédios à base de quinino para o controle da malária que até hoje não tem vacina.

Porto Velho ultrapassava a marca de cem mil habitantes. Ao lado direito da Avenida Kennedy (depois denominada Jorge Teixeira), a mata cobria áreas repletas de ranchos de pau a pique, onde mais tarde surgiriam a Nova Porto Velho e o bairro Agenor de Carvalho.

Socorro e apoio a flagelados do Madeira

Famílias desembarcadas para fazer a ficha pessoal no Centro de Triagem de Migrantes em Vilhena, a 704 quilômetros de Porto Velho, tinham diferentes destinos, inclusive a Capital que já não dava conta de tantos problemas de saúde.

Dona Gilsa Guedes, que andava sem seguranças, convocava seus voluntários e abraçava a causa social mais emergente naquele período: remanejar para um lugar seguro famílias ilhadas que já não possuíam camas, mesas, cadeiras, nem a botija de gás procedente de Manaus.

Quando o Rio Madeira transbordou, em 1977, dona Gilsa estacionava o carro na Avenida Farquhar e caminhava a pé até o porto Cai N’Água, de onde saía de canoa com dois remadores, para visitas diárias aos bairros Triângulo e Baixa da União.

Ali mesmo ela fazia a triagem das famílias dispostas ao remanejamento para o Meu Pedacinho de Chão, onde quis o destino, até crianças adotou. Na história rondoniense ela foi a única “primeira-dama” a tomar tal decisão, comovida pela situação de penúria vivida pelos sem-teto.

Assentada lembra o primeiro emprego

Em 2019, Ecila Farias Capistrano, hoje com 78 anos, relatava ao repórter ter sido uma das beneficiadas pelas ações de dona Gilsa:  contou que fora assentada num lote no Pedacinho de Chão. “Ganhei dela até a madeira para construir minha casinha.”

Acreana de Tarauacá e recém-chegada de Rio Branco com seis filhos para criar em Porto Velho estava carente de tudo. “Eu conheci essa santa mulher quando prestava auxílio voluntário a outras mães no lanche diário do Jardim de Infância Casa de Davi. Ali ela me incentivou a aprender a assinar meu nome, e assim passei a trabalhar para o Governo do Território”, ela me contava em 2019.

Com Roberto Carlos

O jornalista Ciro Pinheiro lembra: “Ela não andava com seguranças. O cantor Roberto Carlos estava em Porto Velho para um show no Estádio Aluízio Ferreira e dona Gilsa pediu minha companhia para ir até o Hotel Shelton (ao lado do ex- Hotel Vila Rica), a fim de lhe reivindicar um show beneficente para suas campanhas. O cantor deu toda atenção e garantiu que agendaria um show, de graça.”

“Fiz foto dela com o cantor e em seguida ele pediu minha máquina e entregou a um assessor para que eu, também, saísse nas fotos. Poucos dias depois o governador Guedes foi substituído e não houve o show prometido. Era assim a senhora Gilsa Guedes, esposa de um dos melhores, mais competentes e corretos governadores que Rondônia já teve”, acrescenta Ciro Pinheiro.

Obras concluídas

Prédio original do Tribunal de Contas foi construído pelo ex-governador (Foto AcervoTCE).

Fundador da Polícia Militar de Rondônia, cujo quartel general construiu e deixou para seu sucessor inaugurar, o ex-governador Humberto Guedes deixou prontas: a sede do Instituto Médico-Legal, o primeiro prédio do Tribunal de Contas, e reestruturou a segurança pública. Reformou o Palácio das Secretarias (antigo Porto Velho Hotel) em Porto Velho; iniciou as obras da Esplanada das Secretarias, no Bairro Pedrinhas; construiu o prédio do Fórum Rui Barbosa, primeira sede do futuro Tribunal de Justiça e concluiu o projeto da hidrelétrica de Samuel – a primeira.

“Minha mãe foi uma mulher de opinião forte e decidida, sempre trabalhou para o próximo”, conta a filha Beatriz Guedes Neves lembrando o voluntariado de dona Gilsa em várias frentes sociais.

“Amor ao próximo foi sua motivação. Desde que eu era criança acompanhei sua dedicação ao ajudar as pessoas em creches, orfanatos e lar de idosos”, diz Beatriz.

Sempre atuante

Segundo a filha, dona Gilsa “fez uma grande diferença” no Hospital São José, onde transformou a Pediatra e Hidratação em um lar para crianças desnutridas, com malária, pneumonia e outras doenças. “Depois de curadas, elas não queriam ir embora, isso foi muito gratificante.”

Ainda a filha Beatriz: “Ela era uma mulher forte, determinada e sem medo de falar a verdade. O novo bairro se chamou Meu Pedacinho Chão, porque ela gostava muito de uma novela de tevê com esse nome, naquela época.”

Realmente tinha tudo a ver, pois aquelas pessoas foram tiradas de uma grande área alagada.  “Fui lá várias vezes, com ela”, lembra Beatriz.

“A gente ia na canoa para fazer os registros das famílias, e o interessante é que, conforme a água subia, o acesso ao piso ficava difícil; em alguns momentos tínhamos dificuldade para entrar na casa, pois o piso estava quase junto ao telhado”, descreve a filha.

Beatriz lembra que o novo bairro povoado por ex-flagelados contou com o apoio do Governo do Território e muitas ações de arrecadação em almoços e festas.

E assim, dona Gilsa conseguiu construir uma escola que colocou o nome de Brasília; um jardim de Infância denominado Casa de Davi; uma Igreja onde a filha se casou; e uma creche que entregou para as Irmãs Marcelinas.

“Ela continuou a cuidar do bairro, para que as pessoas não vendessem as casas e voltassem para o alagado. Minha mãe tinha uma visão muito diferente da pobreza: dizia que ser pobre não quer dizer que seja humilde, pois conheceu pessoas ricas mais simples do que alguns pobres”, acrescenta Beatriz.

Reconhecimento oficial

“Ele desempenhou papel fundamental na construção das bases que contribuíram para a futura transformação de Rondônia em estado”, reconhece o Governo Estadual em nota de pesar pelo falecimento do ex-governador Humberto Guedes.

“Sua gestão deixou marcas relevantes na história rondoniense, especialmente pelo compromisso com o desenvolvimento e pela busca de soluções para os desafios enfrentados por uma região em pleno processo de crescimento”, assinala a nota.

No campo político, Guedes começou e terminou seu período insatisfeito com duas oposições: a do MDB, natural e aceitável já no período do Presidente da República, general Ernesto Geisel, e a do próprio Diretório Regional da Aliança Renovadora Nacional (Arena), esta, questionável.

Nas eleições de 1976, o ex-governador Guedes perderia o controle das duas únicas câmaras municipais no Território: em Guajará-Mirim (fronteira fluvial Brasil-Bolívia) e Porto Velho. O MDB elegia a maioria nas duas casas legislativas.

Mesmo assim, ele seguia sua programação de visitas às vilas, dando especial atenção aos projetos do INCRA: o Iata, no município de Guajará-Mirim, e Ouro Preto, onde cresceu o município de Ouro Preto do Oeste.

O aspecto fundiário, sob a jurisdição do INCRA, fez parte dos desafios a Guedes, mesmo com a liberação dos primeiros recursos do Programa de Polos Agropecuários e Agrominerais da Amazônia (Amazônia). Em consequência do inchaço dos projetos (em Colorado do Oeste, Ji-Paraná e Rolim de Moura), faltava o essencial: educação, saúde, segurança e transportes nos aglomerados humanos que dariam origem a novos municípios.

Em 1978, Rondônia elegeria pela primeira vez dois deputados federais. Guedes se esforçou durante 20 dias de campanha para levar a Brasília o ex-funcionário do Banco do Brasil, advogado acreano Isaac Newton Pessoa, cuja base eleitoral era Guajará-Mirim. Outro acreano, advogado Odacir Soares, ex-prefeito da Capital, por ele exonerado em seu primeiro ato no governo, em 1975, presidia o diretório regional da Arena.

Odacir montava uma chapa composta por ele, o vereador João Bento da Costa, Isaac Newton Pessoa e o professor Francisco Teixeira. Com isso, prejudicava a formação de outra chapa formada pelo coronel do Exército Carlos Augusto Godoy, médico Leônidas Rachid e agrônomo Assis Canuto.

“Guedes achava que essa chapa seria vencedora e cederia a quarta vaga para Odacir, que era presidente da Arena e figurava na outra chapa”, conta o economista e comunicador Eudes Lustosa, no governo seguinte assumiria por um período a Casa Civil.

“Convencional com nove votos, eu tinha esses dez votos, atendi o apelo do coronel Guedes e votamos na chapa que ele apoiava. No dia da convenção, a chapa do Odacir ganhou por 21 a 10. Os dez que eu prometi ao governador eram dos convencionais de Guajará-Mirim e os 21 votos vencedores eram os que Odacir dominava na convenção”, acrescenta.

Guedes trabalhou a favor de Isaac, com apoio do INCRA. De todos os órgãos federais, o INCRA detinha o maior orçamento, superando o próprio governo. “Isaac Newton era um funcionário semi-gago. As chances de ser eleito eram tantas quanto à de um elefante passar num buraco de fechadura, mas o governador, conforme se falava abertamente àquela altura teria recebido determinação de participar do processo eleitoral, mesmo contra a sua vontade”, relata o jornalista Lúcio Albuquerque.

Apelo por estradas

Governador Humberto Guedes em uma das fotos mais notáveis do período 1976-1977: a construção de Ariquemes (Foto Acervo Sejucel)

Em 21 de julho de 1978 Guedes opinava ao Conselho de Segurança Nacional que INCRA precisa melhorar estradas. A produção agrícola não escoava, o prejuízo e a malária levavam à falência milhares de assentados em projetos, cuja coordenadoria regional, durante seu governo, fora ocupada pelo amazonense Bernardo Martins Lindoso, irmão do então influente senador José Lindoso (Arena-AM).

Sobravam críticas do então deputado federal Jerônimo Santana (MDB-RO), que, entre cobranças, se insurgia contra o INCRA, cobrando da Polícia Federal resultados de um inquérito que apurava a venda ilegal de terras devolutas por funcionários da autarquia em Pimenta Bueno.

Em 29/11/78 o extinto jornal “A Tribuna” publicava: “INCRA toma terras de colonos para negociá-las”.  O processo INCRA/BR/5.139/75 apurava irregularidades no Projeto Fundiário de Rondônia e totalizava mais de quinhentas páginas, em três volumes. Ainda assim, alguns envolvidos seguiam trabalhando sem serem incomodados.

Migração aumentou no período Guedes, em 1975, alcançando seu apogeu na década seguinte (Foto Kim-Ir-Sen Pirees Leal)

Em 1985, já sob o Governo Jorge Teixeira, Rondônia alcançava seu primeiro milhão de habitantes e atualmente sua população supera 1,7 milhão. Foi considerado o estado que mais crescia no País, com taxas superiores à média nacional e sua base econômica se destacando cada vez mais.

Inegável, conforme descrições nos dois capítulos anteriores desta reportagem, o papel de Humberto Guedes na edificação do novo estado brasileiro.


Leia também:
O legado de Guedes é o estado (1 e 2)

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*Chegou a Rondônia em 1976. Em dois períodos profissionais esteve no Acre, norte mato-grossense, Amazonas, Pará e Roraima, a serviço da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil. Acompanhou a instalação do Centro de Triagem de Migrantes em Vilhena e a chegada dos recursos financeiros da Sudam, Polamazônia e Polonoroeste durante a elevação do antigo território federal a estado. Deu ênfase à distribuição de terras pelo Incra, ao desmatamento e às produções agropecuária e mineral. Cobriu Mato Grosso antes da divisão do estado (1974 a 1977); populações indígenas em Manaus (AM); o nascimento do Mercosul (1991) em Foz do Iguaçu, na fronteira brasileira com o Paraguai e Argentina; portos, minérios e situação fundiária no Maranhão; cidades e urbanismo em Brasília (DF).



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Nota de responsabilidade

As opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial deste jornal.

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