Eduardo Senna, pároco da Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe, em Florianópolis, disse que um novo sorteio será realizado na quinta-feira (9).
Uma rifa organizada pela Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe em Florianópolis causou discussões nas redes sociais após o próprio padre local ganhar um carro Fiat Argo, o prêmio principal do sorteio.
Um vídeo registrou o momento do sorteio, no domingo (5). As imagens mostram que voluntários jogaram os bilhetes com os nomes para o alto e o padre Eduardo Senna, então, pegou um deles no ar (assista acima).
"Vocês não vão acreditar. É em branco, é o meu!", disse, comemorando, enquanto a comunidade ria do ocorrido.
Após a repercussão, o padre informou, nas redes sociais, que o sorteiro será refeito nesta quinta-feira (9).
A rifa, chamada de “Ação Entre Amigos”, tinha como objetivo arrecadar recursos para a reforma de cinco comunidades ligadas à paróquia do bairro Canasvieiras, no Norte da Ilha.
As imagens mostram também que o pároco - presbítero da Igreja Católica responsável por administrar uma paróquia - informou antes do sorteio que havia comprado números e os deixou em branco. No momento da premiação, o próprio padre reconheceu que o bilhete era dele.
Repercussão
O vídeo do sorteio passou a repercutir em páginas nas redes sociais, gerando comentários negativos sobre a forma como a ação foi conduzida.
Em uma publicação com mais de 77 mil visualizações, pessoas insinuaram que "só tinha o nome dele" ou que "quem organiza não participa".
Os valores dos bilhetes e os demais prêmios não foram informados. O g1 tentou contato com a paróquia e com a Arquidiocese de Florianópolis, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
O padre Eduardo Senna se manifestou nas redes sociais após a repercussão. Na publicação, de segunda-feira (6), ele disse que foi transparente, mas que um novo sorteio será realizado na quinta (9), durante a chamada Missa da Desatadora, sem os bilhetes adquiridos por ele.
"Na ocasião do sorteio, tinham alguns bilhetes em branco, isso gerou alguma dúvida. Eu entendo, compreendo perfeitamente. Esse carro não ficaria para mim. Esse carro ficaria para a paróquia, mas eu entendo as dúvidas", comentou.
Ele agradeceu a todos que contribuíram e foi apoiado por membros da paróquia.
"Estava na missa, sorteio totalmente justo e honesto. Foi sorte sim, foi a mão de Deus, sim, abençoado quem tanto abençoa e ajuda as pessoas", comentou uma seguidora.
"Vi todo o sorteio. Na minha opinião deveria ficar com o carro, afinal o senhor falou no início sobre seus bilhetes e estava em branco", diz outro comentário. (G1)
Segundo os militares, o animal estava no quintal da propriedade dentro de um pequeno córrego
O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais (CBMMG) foi acionado para capturar uma cobra sucuri que estava no quintal de uma casa em Monte Alegre de Minas, no Triângulo Mineiro.
O caso aconteceu na sexta-feira (3) mas as imagens foram divulgadas pela corporação nesta segunda-feira (6).
Segundo os militares, o animal estava no quintal da propriedade dentro de um pequeno córrego.
Eles retiraram o réptil da água e realizaram a captura de forma a garantir a segurança deles e do animal.
Em seguida ela foi solta no seu habitat natural, longe da área urbana. O tamanho da sucuri não foi informado. (CNN)
Ataque foi registrado por câmeras de segurança em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife; autor ainda não foi identificado, segundo a Polícia Civil
Uma capivara foi morta a pauladas na madrugada desta segunda-feira (6), na rua Professor Augusto Lins de Silva, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. A Polícia Civil de Pernambuco, por meio da Delegacia do Meio Ambiente, investiga o caso. O homem responsável pelo ataque ainda não foi identificado.
O episódio foi registrado por câmeras de segurança de prédios da região.
Nas imagens, um homem descalço e sem camisa, vestindo apenas uma bermuda azul, aparece segurando um cabo de vassoura por volta da 1h10. Ele se desloca para a calçada, desviando de carros estacionados, antes de desferir múltiplos golpes contra o animal, que agoniza durante a agressão.
Pela manhã, moradores encontraram o corpo da capivara na calçada do prédio.
Em nota, a Polícia Civil de Pernambuco informou que registrou, no dia 6 de abril, por meio da Delegacia do Meio Ambiente, a ocorrência de crueldade contra animal. “As investigações foram iniciadas e seguem até a completa elucidação do caso”, afirmou.
Após o caso, a CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente) divulgou um comunicado oficial com orientações à população e esclarecimentos sobre o comportamento das capivaras. O órgão alerta que, embora comuns em áreas urbanas, as capivaras são animais silvestres que exigem cuidado e distanciamento. Elas podem reagir de forma agressiva se se sentirem ameaçadas, especialmente quando estão com filhotes.
A CPRH recomenda observar os animais à distância, evitando qualquer contato ou tentativa de interação, e não alimentá-los, já que isso pode alterar seus hábitos e representar riscos à saúde, como a transmissão de doenças, incluindo a febre maculosa. Além disso, o órgão destaca a importância das capivaras para o equilíbrio ambiental, ajudando na manutenção de áreas alagadas e no controle da vegetação aquática, reforçando a necessidade de uma convivência respeitosa com a fauna silvestre. (CNN)
Vídeo que viralizou nas redes sociais mostrou pescadores cortando as barbatanas de um tubarão-cabeça-chata na Praia do Paiva, no litoral sul de Pernambuco
Os três pescadores que capturaram ilegalmente um tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas) e mutilaram o animal na Praia do Paiva, no Cabo de Santo Agostinho (PE), foram autuados pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) na última terça-feira (31).
O grupo recebeu multas que somam R$ 15 mil.
O caso ocorreu no dia 29 de março e ganhou repercussão após a circulação de vídeos nas redes sociais. As imagens mostram dois homens cortando as barbatanas do tubarão com facas, enquanto um terceiro sobe no animal para tirar fotos. Veja o vídeo:
Segundo a Associação da Reserva do Paiva, o tubarão foi capturado em rede de pesca em alto-mar, a aproximadamente dois quilômetros da costa. A divulgação do conteúdo motivou a apuração imediata pelos agentes do Ibama.
Após identificar os responsáveis, cada pescador recebeu multa de R$ 5 mil, totalizando R$ 15 mil, com base no Artigo 24 do Decreto 6.514/2008, que trata das infrações administrativas contra o meio ambiente. Os três foram autuados por caçar e matar um animal silvestre ameaçado de extinção. Além das sanções financeiras, eles podem responder criminalmente caso o Ministério Público aceite a denúncia do Ibama.
O tubarão-cabeça-chata é uma espécie costeira de grande porte, comum em ambientes tropicais e subtropicais. No Brasil, está presente do Amapá ao Rio Grande do Sul, incluindo o rio Amazonas. Sua baixa fecundidade, maturação tardia, alta longevidade e abundância naturalmente reduzida tornam a espécie especialmente vulnerável à pesca predatória. (CNN)
Ao relembrar a crucificação e morte de Jesus Cristo, celebração faz parte dos ritos finais da Semana Santa; data é o único dia do ano em que a Igreja Católica não celebra missa
A Sexta-feira Santa, data em que se celebra a Paixão de Cristo, é marcada pelo jejum e abstinência, segundo a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).
Conforme o Código de Direito Canônico, a tradição de jejuar faz referência a uma “forma de penitência que consiste na privação de alimentos”, enquanto a abstinência consiste na "escolha de uma alimentação simples e pobre”.
A data, celebrada neste ano no dia 3 de abril, busca relembrar a crucificação e morte de Jesus Cristo e faz parte dos ritos finais da Semana Santa. Assim, durante a Sexta-feira Santa, prevalece a reflexão, o silêncio, e é o único dia do ano em que a igreja católica não celebra missa.
O padre José Ulisses Leva, da Capela Sion, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, graduado em teologia e filosofia, explica o motivo pelo qual é restrito o consumo de carne vermelha e branca nesta preparação.
“A Solenidade da Páscoa, de fato, é fundamental para os cristãos. Na Igreja Católica se restringe a não comer carne na Quarta-Feira de Cinzas e Sexta-Feira Santa. A carne recorda o corpo de Jesus Cristo”, diz o professor.
Ao contrário das carnes vermelhas e brancas (como o frango), o peixe é considerado um alimento de "sangue mais frio", com digestão mais rápida e que provoca uma menor saciedade após ser consumido.
Desse modo, para o padre Clésio dos Santos, da Reitoria do Carmo, em Vitória (ES), o sentido do jejum, portanto, não está no alimento em si, mas no sentido que ele traz.
"Historicamente, a carne era considerada um alimento mais festivo e associado à celebração. Ao abrir mão dela, o fiel faz um gesto simbólico de simplicidade e penitência, em memória do sofrimento de Jesus Cristo. Então, o verdadeiro sentido não é simplesmente não comer carne, mas lembrar do porquê da ação”, destacou.
Quaresma e Semana Santa
Vivida ao longo de cerca de 40 dias, a Quaresma começa todos os anos na Quarta-feira de Cinzas e se estende até a tarde da Quinta-feira Santa, sendo tradicionalmente marcada, entre os católicos, por práticas de oração, jejum e caridade.
Segundo a tradição cristã, Jesus permaneceu durante 40 dias no deserto em oração e jejum. Inspirados nesse exemplo, os fiéis são chamados a viver esse período com maior consciência de suas escolhas, atitudes e responsabilidades.
O Direito Canônico da Igreja Católica estabelece que o jejum obrigatório na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa é indicado para fiéis entre 18 e 59 anos, enquanto a abstinência de carne às sextas-feiras da Quaresma, se torna obrigatória a partir dos 14 anos. Pessoas doentes, idosas, gestantes, lactantes ou em situações específicas são dispensadas dessas práticas.
A Semana Santa começa no Domingo de Ramos, que põe fim a Quaresma — período de 40 dias que prepara para a celebração da paixão, morte e ressurreição de Cristo — com início na quarta-feira de cinzas, após o carnaval.
Sexta-feira Santa é o único dia do ano sem missa?
Segundo o Cardeal Orani João Tempesta, a Sexta-feira Santa "é o único dia em que a Igreja não celebra missa, mas celebra-se, sobriamente, uma ação litúrgica fazendo memória da entrega de Jesus por nós quando recebemos a comunhão nas espécies consagradas no dia anterior. Temos também a liturgia das horas".
A ação litúrgica é uma celebração de adoração pública que inclui orações, ritos, cerimônias e sacramentos.
"A celebração inicia-se em silêncio, pois a Igreja nesse momento está em profunda oração, pela entrega do Senhor por nós. Não tem procissão de entrada, mas faz-se uma entrada curta. Aquele que preside a celebração, se prostra diante do altar e os demais ministros se ajoelham. Não tem os ritos iniciais como de costume, e depois de um instante de silêncio, o presidente da celebração profere a oração do dia", destacou o cardeal. (CNN)
Expedição marca a primeira etapa com astronautas do programa Artemis e leva quatro tripulantes, mais de 50 anos após a última missão humana ao satélite. Lançamento está previsto para às 19h24 (no horário de Brasília), dependendo das condições do tempo.
Saiba como vai ser a missão Artemis II
Depois de uma série de ajustes no cronograma , a Nasa se aproxima de um momento histórico nesta quarta-feira (1º de abril): o lançamento da Artemis II, a primeira missão tripulada rumo à Lua desde o fim do programa Apollo, em 1972.
E desta vez, diferentemente da Artemis I, há astronautas a bordo.
Quatro tripulantes vão viajar dentro da cápsula Orion, impulsionada pelo Space Launch System - SLS (em português, Sistema de Lançamento Espacial), o foguete mais poderoso já construído pela agência espacial americana.
A previsão é que a decolagem aconteça às 19h24 (horário de Brasília), a partir da plataforma 39B do Centro Espacial Kennedy, na Flórida.
A agência terá uma janela de cerca de duas horas para tentar o lançamento e, se for preciso, novas tentativas podem ocorrer nos dias seguintes (entenda mais abaixo).
A missão terá duração aproximada de dez dias e não prevê pouso na Lua. O plano é levar os astronautas a um sobrevoo pelo satélite natural, passando pelo seu lado oculto e retornando à Terra em uma trajetória de “retorno livre”, que aproveita a gravidade da Terra e da Lua para trazer a cápsula de volta sem necessidade de grandes manobras de propulsão.
Durante o voo, a tripulação vai testar sistemas essenciais da Orion em um ambiente de espaço profundo (longe da influência da Terra), incluindo suporte de vida, comunicações, navegação e controle manual da cápsula — etapas consideradas fundamentais antes de uma tentativa de pouso lunar.
A bordo estão Reid Wiseman, comandante da missão; Victor Glover, piloto; Christina Koch, especialista de missão; e o canadense Jeremy Hansen. Eles serão os primeiros humanos a se afastar tanto da Terra em mais de meio século, superando distâncias alcançadas desde as missões Apollo.
Por isso, se bem-sucedida, a Artemis II abre caminho para a ainda mais aguardada Artemis III, missão que deve marcar o retorno de astronautas à superfície da Lua nos próximos anos, incluindo a primeira mulher e a primeira pessoa negra a pisar no satélite natural.
Abaixo, você confere tudo sobre como será o voo da Artemis II e vai entender por que essa missão é considerada um dos passos mais importantes da nova era da exploração espacial.
O que é o programa Artemis?
É um programa de missões lunares liderado pela Nasa, a agência espacial norte-americana.
Seu nome deriva da deusa grega Artemis, irmã gêmea do deus Apolo, que deu o nome às missões originais de pouso na Lua, nos anos 1960.
O programa visa pousar “a primeira mulher e a primeira pessoa de cor na Lua" em meados desta década.
Para chegar lá, a Nasa planejou uma série de missões progressivas ao redor e na superfície lunar.
A primeira missão, a Artemis I, aconteceu em novembro de 2022 e não foi tripulada. Agora, quatro astronautas viajarão ao redor da Lua durante esses 10 dias, testando todos os sistemas da Orion com humanos a bordo.
Eles não pousarão no satélite natural, mas chegarão a aproximadamente 7.500 km além do nosso satélite natural, mais longe do que qualquer ser humano já esteve da Terra.
A terceira missão, a Artemis III, prevista para não antes de 2027 ou 2028, levará astronautas de volta à superfície lunar pela primeira vez desde a Apollo 17 em 1972. O pouso acontecerá no polo sul da Lua, uma região nunca antes explorada por humanos.
No futuro mais distante, a Nasa planeja inclusive não apenas explorar a superfície da Lua, mas também estabelecer uma presença humana permanente em solo lunar e construir uma estação espacial chamada Gateway, que orbitará o satélite e servirá como base para missões de longa duração.
O objetivo final é usar a Lua como "trampolim" para futuras missões tripuladas a Marte.
O que são o foguete SLS e a cápsula Orion?
O SLS é um megafoguete que enviará ao espaço a cápsula Orion, veículo que serve de transporte para essa nova geração de astronautas em missões lunares.
Com 98 metros, o SLS é mais alto que a Estátua da Liberdade e classificado pela Nasa como seu “mais poderoso foguete”.
Embora um pouco menor que o Saturno V, que enviou os astronautas Buzz Aldrin e Neil Armstrong à Lua em 1969, o modelo produz 4 milhões de kg de empuxo, o equivalente a 14 aviões Boeing 747.
O foguete tem dois propulsores de combustível sólido nas laterais e um estágio central equipado com quatro motores RS-25.
Após consumir todo seu combustível durante a subida, o estágio central se separa e um estágio superior chamado ICPS (Estágio criogênico provisório de propulsão, em tradução livre) continua impulsionando a Orion para além da órbita terrestre.
Já a cápsula Orion, acoplada no topo do SLS, foi projetada para suportar o ambiente hostil do espaço profundo.
O módulo da tripulação, onde os astronautas viajam, tem capacidade para quatro pessoas e conta com sistemas de suporte de vida, painéis de controle avançados e janelas que permitirão vistas espetaculares da Terra e da Lua.
Um componente crucial da Orion é o Módulo de Serviço Europeu (ESM), construído pela Agência Espacial Europeia e pela Airbus na Alemanha.
Ele fornece propulsão, energia elétrica através de painéis solares, controle térmico, água e os gases respiráveis (oxigênio e nitrogênio) essenciais para manter a tripulação viva durante toda a missão.
A Orion também possui um sistema de escape de lançamento no topo, que pode puxar rapidamente o módulo da tripulação para longe do foguete em caso de emergência durante o lançamento.
“A Artemis II será um passo decisivo para a exploração espacial humana”, disse o administrador da NASA, Jared Isaacman.
“A Artemis II representa um avanço rumo ao estabelecimento de uma presença lunar duradoura e ao envio de americanos a Marte. Não poderia estar mais impressionado com a equipe da NASA e com a tripulação da Artemis II, e desejo sucesso a todos. Avante, com ousadia.”
Quem são os astronautas?
São três homens e um mulher. Entre eles, um homem negro. A astronauta Christina Hammock Koch será a primeira mulher que irá para uma missão ao redor da Lua organizada pela Nasa. Já Victor Glover será o primeiro homem negro.
Os escolhidos foram:
- Jeremy R. Hansen - função: especialista de missão; é um coronel da Força Aérea Real Canadense e o primeiro canadense escolhido para um voo para a Lua;
- Victor Glover - função: piloto; é um aviador da Marinha dos EUA e veterano de quatro caminhadas espaciais;
- Christina Hammock Koch - função: especialista de missão; ela é uma engenheira que já detém o recorde de voo espacial contínuo mais longo por uma mulher e fez parte das três primeiras caminhadas espaciais femininas da Nasa;
- Reid Wiseman - função: comandante, é ex-piloto de caça da Marinha dos EUA.
Todos os três astronautas da Nasa escolhidos para a missão Artemis 2 são veteranos de expedições anteriores a bordo da Estação Espacial Internacional.
O canadense Hansen é um novato em voos espaciais.
A Artemis II vai pousar na lua? Como vai ser essa missão?
Novamente, não veremos um pouso lunar desta vez.
Esta é uma missão de teste tripulada que preparará o terreno para o pouso lunar da Artemis III, previsto para acontecer alguns anos depois.
Se tudo ocorrer como planejado, essa viagem ao redor da Lua levará cerca de 10 dias e será a primeira vez em mais de 50 anos que seres humanos viajarão para além da órbita terrestre.
A missão começará com o lançamento do foguete SLS do Centro Espacial Kennedy, na Flórida, em 1º de abril.
Após a decolagem, a Orion e seu estágio superior entrarão em órbita ao redor da Terra, onde permanecerão por aproximadamente um dia completo, período em que os astronautas deve realizar checagens importantes dos sistemas da nave ainda relativamente perto do nosso planeta.
Durante essa fase em órbita terrestre, a tripulação também assume o controle manual da Orion para um teste inédito: os astronautas vão pilotar a cápsula nas proximidades de uma parte do foguete já separada, simulando manobras que serão necessárias em missões futuras, como a aproximação de outras naves e estruturas no espaço, incluindo a estação lunar Gateway.
Ao se aproximar da Lua, a Orion vai passar entre 6.400 e 9.600 quilômetros acima da superfície lunar, distância que deve variar conforme a data exata do lançamento.
E mesmo sendo mais distante do que o sobrevoo feito pela Artemis I, a trajetória ainda levará os astronautas a dezenas de milhares de quilômetros mais perto da Lua do que qualquer ser humano esteve nos últimos 50 anos.
O momento mais marcante da missão deve acontecer quando a cápsula voar atrás do lado oculto da Lua - o lado que não conseguimos avistar aqui da Terra.
Durante essa passagem, a tripulação ficará sem comunicação com a Terra por 30 a 50 minutos, enquanto fotografa e filma a superfície lunar para observações científicas.
Após contornar a Lua, a Orion viajará aproximadamente 7.500 km além do lado oculto, alcançando o ponto mais distante da Terra que humanos já atingiram - quebrando o recorde estabelecido pela Apollo 13 em 1970.
E, diferentemente das missões Apollo, a Artemis II não depende de grandes queimas de motor para voltar. Depois de passar pela Lua, a Orion entra em uma trajetória de retorno livre, em que a gravidade conduz a espaçonave de volta à Terra, reduzindo a necessidade de combustível e aumentando a segurança da missão.
No total, a Orion viajará mais de 2,2 milhões de quilômetros durante sua missão. Ao retornar, a espaçonave entrará na atmosfera terrestre a aproximadamente 40.000 km/h - uma das reentradas mais rápidas já realizadas por uma nave tripulada. O escudo térmico da Orion enfrentará temperaturas de cerca de 3.000 graus Celsius.
Finalmente, após uma sequência de paraquedas - primeiro dois paraquedas estabilizadores, depois três paraquedas-piloto e finalmente três paraquedas principais de 35 metros de diâmetro - a cápsula amerissará (pousará) no Oceano Pacífico, onde será recuperada pela Nasa.
Por que a Nasa ainda não lançou o foguete?
A Artemis II ainda não saiu do chão porque a Nasa decidiu avançar com cautela máxima antes de colocar astronautas novamente em uma missão lunar tão importante.
Desde o voo de teste realizado em 2022, a agência vem revisando sistemas, ajustando procedimentos e aceitando atrasos como parte do processo para reduzir riscos.
O principal ponto de atenção surgiu justamente após a missão Artemis I, quando análises revelaram danos inesperados no escudo térmico da cápsula Orion. Durante a reentrada na atmosfera terrestre, mais de 100 pontos de desgaste foram identificados: pedaços do material de proteção se desprenderam de forma irregular, um comportamento que poderia comprometer a segurança de uma missão tripulada.
Fora isso, investigações descobriram que gases ficaram presos dentro do revestimento da cápsula durante a reentrada, o que provocou fissuras no material. A Nasa precisou realizar ao todo mais de 100 testes em diferentes centros para entender o problema e, por isso, decidiu alterar o perfil de reentrada da Artemis II para reduzir esse risco.
Além do escudo térmico, os sistemas de suporte à vida — que fornecem ar respirável, água e controle de temperatura durante os 10 dias de viagem — também passaram por testes extras.
E mesmo com as correções encaminhadas, a agência ainda precisa concluir o ensaio final com o foguete na plataforma. É o chamado Wet Dress Rehearsal (algo como ensaio geral "molhado"), que simula o abastecimento de combustível, a contagem regressiva completa e procedimentos de emergência.
Aliado a isso, o clima também atrapalhou. Em janeiro, uma onda de frio intenso na Flórida inviabilizou os testes da agência — o ar ártico representa risco para os propulsores de combustível sólido, e a memória do desastre do Challenger, em 1986, causado por falha em condições de frio, ainda pesa nessas decisões.
Depois disso, a agência também identificou um vazamento de hidrogênio líquido e de hélio durante testes técnicos realizados antes da decolagem prevista para fevereiro e março.
Segundo a agência espacial, o vazamento de hidrogênio aconteceu em uma conexão do foguete responsável por levar o combustível até a parte central do veículo, durante um teste que simula todas as etapas do lançamento, incluindo o abastecimento.
E o problema com hélio, causado por um selo defeituoso, levou ao retorno do foguete ao prédio de montagem para reparos, adiando o lançamento de março para abril.
John Honeycutt, chefe da equipe de gestão da missão, resumiu a filosofia da Nasa: "Vamos voar quando estivermos prontos. A segurança da tripulação será nossa prioridade número um."
Equipes da Nasa treinam procedimentos de resgate no mar durante simulação de emergência da missão Artemis II, na costa da Flórida. O exercício usou um modelo em tamanho real da cápsula Orion, em 12 de junho de 2025. — Foto: NASA/Isaac Watson
E caso haja qualquer outro problema?
Caso surja qualquer problema — seja técnico ou relacionado ao clima — o lançamento não acontece.
A NASA segue critérios rígidos de segurança e pode interromper a contagem regressiva até nos minutos finais, se algum parâmetro sair do padrão.
No caso do tempo, fatores como ventos fortes, formação de nuvens ou risco de raios são suficientes para adiar a decolagem.
Mesmo com previsão favorável, basta uma mudança repentina nas condições para que a missão seja suspensa temporariamente.
Já do ponto de vista técnico, qualquer falha em sistemas do foguete, da cápsula Orion ou das comunicações também leva a um adiamento.
Se isso acontecer novamente, a agência trabalha com janelas alternativas nos dias seguintes (veja ABAIXO).
Há pressão política para lançar a Artemis II?
Sim, mas não do tipo que força a Nasa a lançar a qualquer custo. A pressão existe e vem de várias frentes — do Congresso americano, de parceiros internacionais e da competição geopolítica com a China.
Isso acontece porque a missão está no centro de uma nova corrida espacial. De um lado, os Estados Unidos lideram uma coalizão de países aliados.
Do outro, China e Rússia promovem seu próprio projeto lunar, com planos ousados de pousos tripulados chineses até 2030.
Por causa disso, políticos americanos até usaram expressões como "Lua vermelha" para descrever o risco de a China dominar a corrida caso os EUA atrasem demais.
Fora isso, a missão carrega peso diplomático: A Artemis II inclui o astronauta canadense Jeremy Hansen como parte de um acordo pelo qual o Canadá fornece o braço robótico Canadarm3 para a futura estação lunar Gateway, em troca de vagas em missões do programa.
A Europa participa com o Módulo de Serviço da cápsula Orion, já integrado à cápsula que voará na Artemis II, além de componentes de módulos habitacionais do Gateway.
O Japão contribui com sistemas de suporte à vida e com o desenvolvimento de um rover pressurizado para missões futuras na superfície lunar. Já os Emirados Árabes Unidos ficaram responsáveis pela câmara de ar de tripulação do Gateway.
Assim, para os parceiros internacionais, a Artemis II funciona como um teste de confiança no programa e um passo decisivo antes da montagem da estação lunar e das próximas missões tripuladas.
E os outros lançamentos?
Por ora, haverá pelo menos mais duas missões tripuladas no programa: a Artemis III e a Artemis IV, além de outras planejadas para estabelecer presença humana permanente na Lua.
A Artemis III será a primeira missão tripulada da agência espacial americana que pousará na Lua desde 1972.
Prevista para acontecer "não antes de 2027", segundo a Nasa, embora especialistas considerem 2028 um período mais realista, a missão fará história ao pousar a primeira mulher e a primeira pessoa negra na superfície lunar, especificamente na região do polo sul da Lua — uma área nunca antes explorada por humanos.
Para a Artemis III, a Nasa ainda precisa escolher entre duas opções de módulo de pouso: o Starship da SpaceX ou uma nave desenvolvida pela Blue Origin, de Jeff Bezos. Novos trajes espaciais fabricados pela empresa Axiom também ainda estão em desenvolvimento.
Depois dessa etapa, o programa Artemis entra em uma nova fase. As missões seguintes devem priorizar a presença direta na Lua, com estruturas voltadas a operações mais longas na superfície, deixando em segundo plano o plano original de uma estação orbital ao redor do satélite.
A ideia é criar condições para estadias mais frequentes e prolongadas, com participação de diferentes países nas missões.
No longo prazo, o objetivo é ambicioso: manter astronautas vivendo e trabalhando na Lua por mais tempo, com apoio de robôs na coleta de amostras e na realização de experimentos científicos.
FONTE - Por Roberto Peixoto, g1.
+ Lidas do Mês
-
Uma cozinheira morreu após a explosão de uma panela de pressão, na noite de quinta-feira (9), em uma churrascaria no bairro Distrito Industr...
-
Erle Santos da Silva, acusado de matar o amigo Wesley Carlos de Oliveira Guimarães, será julgado pelo Juízo do 2º Tribunal do Júri da Comarc...
-
Um homem foi baleado na cabeça durante uma tentativa de homicídio no Garimpo Bom Futuro, próximo a Ariquemes (RO). Segundo informações do bo...
-
O adolescente Thaylo Freire Farias, 16, foi encontrado morto a tiros na tarde desta terça-feira (7), próximo de um lago em uma fazenda, nos ...
-
A Policia Militar foi acionada pela esposa da vítima e ao se dirigir ao local encontrou a vítima andando ensanguentado. O crime aconteceu na...











