Intervenção no Ueno Bank bloqueou recursos de milhões de clientes e fundos de aposentadoria; Senado tenta acelerar devolução dos depósitos
A crise do Ueno Bank, um dos maiores bancos digitais do Paraguai, chegou às ruas de Assunção e ampliou a pressão política sobre o presidente Santiago Peña. Centenas de correntistas e aposentados protestaram na terça-feira (3) para exigir a liberação de recursos bloqueados após a intervenção do Banco Central paraguaio.
As manifestações ocorreram no centro da capital e nas proximidades da residência oficial do presidente. Segundo o jornal ABC Color, houve confrontos com policiais quando parte dos manifestantes tentou avançar em direção ao Congresso Nacional.
Os protestos também tiveram como alvo a relação do governo com o Ueno, instituição controlada pelo Grupo Vázquez que recebeu um volume expressivo de depósitos públicos durante a gestão de Peña.
Por que o banco entrou em crise?
Na segunda-feira (2), o Banco Central do Paraguai decidiu iniciar o procedimento de resolução do Ueno Bank, após identificar problemas graves de capitalização.
Segundo a autoridade monetária, o índice de solvência da instituição caiu para menos da metade do mínimo exigido pela regulamentação.
A medida interrompeu as operações do banco e bloqueou temporariamente o acesso de clientes a contas e investimentos.
O impacto é significativo. O Ueno tinha aproximadamente 2,9 milhões de clientes, segundo dados divulgados pela agência EFE, e havia se consolidado como uma das principais instituições financeiras digitais do país.
A crise também provocou investigações sobre a administração do banco e suspeitas de irregularidades financeiras envolvendo seus dirigentes.
Relação com governo amplia desgaste de Peña
O Ueno Bank cresceu rapidamente durante a Presidência de Santiago Peña, iniciada em 2023. Parte dessa expansão ocorreu com o aumento dos depósitos de instituições públicas.
Os recursos governamentais mantidos no banco chegaram a aproximadamente 5 trilhões de guaranis, equivalentes a cerca de US$ 869 milhões, segundo os dados citados pelo ABC Color.
Entre os valores afetados estão depósitos do Instituto de Previdência Social (IPS), responsável por benefícios de aposentados e serviços de saúde.
A relação entre o governo e a instituição passou a ser questionada pela oposição, que cobra explicações sobre a concentração de recursos públicos no banco.
Peña também possui vínculos empresariais anteriores com o grupo controlador do Ueno, circunstância que ampliou o escrutínio político sobre a crise.
Diante da repercussão, o presidente pediu a renúncia do então presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, que havia comandado o Ueno antes de assumir a autoridade monetária.
Crise pode ter consequências políticas
O bloqueio dos depósitos provocou manifestações que ultrapassaram as reivindicações financeiras. Parte dos participantes pediu a responsabilização de dirigentes do banco e o impeachment de Santiago Peña.
Segundo o ABC Color, manifestantes organizaram uma vigília diante do Congresso para exigir esclarecimentos e acompanhar as medidas de restituição dos recursos.
Além da resposta aos correntistas, o governo enfrenta questionamentos sobre a fiscalização bancária e os critérios utilizados para direcionar dinheiro público ao Ueno.
Para Peña, a pressão política está diretamente ligada ao destino dos recursos previdenciários e à necessidade de esclarecer a atuação dos órgãos responsáveis pela supervisão do sistema financeiro. (Infomoney)



























