Agentes cumprem 16 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro...
A PF (Polícia Federal) deflagrou nesta sexta-feira (14) a segunda fase da Operação Sem Refino. Segundo a PF, a ação mira o ex-governador Cláudio Castro (PL). Um dos mandados é cumprido em uma casa em Petrópolis (RJ) que é investigada por ser sede de uma série de negociações fraudulentas.
A Operação Sem Refino investiga a atuação de um conglomerado econômico do ramo de combustíveis, suspeito de utilizar estrutura societária e financeira para ocultação patrimonial, dissimulação de bens e evasão de recursos ao exterior.
Foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão no Rio de Janeiro, expedidos pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
A operação desta sexta-feira apura a atuação de agentes públicos, entre eles nomes que atuaram na Secretaria de Meio Ambiente e na Secretaria de Transformação Digital do Estado.
Segundo a PF, a ação tem por objetivo apurar fraude na concessão de licenças ambientais para a refinaria, à revelia das diretrizes dos órgãos técnicos competentes, além de lavagem de capitais ligada ao esquema criminoso.
À CNN, a defesa de Cláudio Castro informou que o ex-governador desconhece ter sido alvo da operação e que não foram realizadas buscas em sua residência ou endereço vinculado.
Segundo o advogado Carlo Luchione, o imóvel localizado em Petrópolis, alvo da ação da PF, era alugado e teve o contrato de locação rescindido há meses, desde que Castro deixou o governo do estado, em março.
Além de Castro, a operação da PF desta sexta-feira também mirou:
- Bernardo Rossi – ex-deputado estadual e ex-secretário do Ambiente e Sustentabilidade;
- Antonio Carlos Santos (Pipo) – advogado;
- Luiz Fernando Gomes – empresário;
- José Mauro Junior – ex-secretário de Estado de Transformação Digital e ex-subsecretário executivo de Ambiente e Sustentabilidade;
- Mauricio Leite – empresário;
- Ana Carolina Miranda – empresária.
A CNN tenta contato com a defesa dos alvos.
Bernardo Rossi atuou como deputado estadual, foi prefeito de Petrópolis e secretário de Estado de Ambiente e Sustentabilidade até março de 2026.
Antônio Carlos Santos fez parte da lista sêxtupla da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) no fim de 2025 para concorrer a uma vaga como desembargador. No entanto, apenas 29 dos 142 membros do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro) o incluíram na lista tríplice, ficando em último lugar, apesar de ter sido apadrinhado por Cláudio Castro junto aos magistrados.
Luiz Fernando Gomes é empresário da construção civil, tendo assinado diversos contratos com o governo do Rio de Janeiro. Ele ainda é sócio da Engeprat.
O quinto alvo, José Mauro de Farias Junior, é ex-secretário de Estado de Transformação Digital no governo de Cláudio Castro. Ele também é apontado como sócio de mais de 20 empresas relacionadas a construção civil, corretagem de imóveis, holding de instituições não financeiras e um portal de notícias.
Os últimos dois alvos, Maurício LeiteeAna Carolina Mirandasão empresários, sócios da empresa 7 Pilares Assessoria, Empreendimentos e Inovações Tecnológicas Ltda.
Outro lado
Em nota, a defesa de Cláudio Castro negou "qualquer participação em irregularidades" envolvendo o ex-governador e disse desconhecer "o conteúdo integral da denúncia". Veja a nota na íntegra:
A defesa do ex-governador Cláudio Castro nega qualquer participação em irregularidades envolvendo a Refit e esclarece que o endereço alvo de buscas em Petrópolis não tem qualquer ligação com ele há meses. Atualmente, não há nenhum endereço ligado ao ex-governador na região.
A defesa ainda desconhece o conteúdo integral da denúncia e dos elementos que fundamentaram a operação e aguarda que os advogados tenham acesso aos autos para se manifestar de forma mais detalhada.
Todos os atos praticados durante sua gestão seguiram critérios técnicos, jurídicos e administrativos previstos na legislação.
A gestão Cláudio Castro foi, inclusive, a única a conseguir que a Refinaria de Manguinhos realizasse pagamentos de dívidas com o Estado do Rio de Janeiro, em montante próximo de R$ 1 bilhão.
Além disso, a Procuradoria Geral do Estado ingressou com diversas ações contra a empresa ao longo da gestão, demonstrando que o Estado atuou para cobrar os valores devidos e defender o interesse público.
fonte - Gustavo Uribe e Teo Cury, da CNN Brasil, Brasília e São Paulo.