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Trump diz que não haverá pedágio em Ormuz a menos que seja imposto pelos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (20) que não haverá cobrança de pedágio para navios que utilizam o Estreito de Ormuz durante o período de cessar-fogo provisório de 60 dias com o Irã. Segundo ele, a passagem continuará livre mesmo após esse prazo, a menos que os próprios Estados Unidos decidam impor uma taxa caso as negociações de paz fracassem.



A declaração foi publicada na rede Truth Social e ocorre em meio às tratativas entre Washington e Teerã para um acordo definitivo após meses de tensão na região. Trump afirmou que uma eventual cobrança serviria como compensação pelos custos e pela atuação dos EUA como garantidores da segurança dos países do Oriente Médio.


O Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta, responsável por uma parcela significativa do transporte mundial de petróleo e gás natural. Qualquer restrição ao tráfego na região costuma provocar impactos imediatos nos mercados internacionais de energia.


A fala de Trump ocorre após avanços recentes nas negociações entre Estados Unidos e Irã, que incluem a manutenção da livre navegação pelo estreito durante o período de negociações.

Acordo com o Irã será assinado neste domingo, diz Donald Trump

Presidente dos Estados Unidos afirma que o estreito de Ormuz será ‘aberto a todos’ após a assinatura

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em uma publicação nas redes sociais neste sábado (13) que a assinatura de um acordo com o Irã está prevista para este domingo (14) e que o estreito de Ormuz deve imediatamente ser "aberto a todos" após a assinatura.



Trump afirmou que, "no momento apropriado", os EUA vão remover "a poeira nuclear, enterrada profundamente sob as poderosas montanhas de granito submersas, graças aos nossos belos bombardeiros B-2 e seus brilhantes pilotos".


O presidente americano também disse que "aguarda com expectativa a oportunidade de trabalhar com o Irã e com todo o Oriente Médio por muitos anos." Trump declarou que "espera que todo esse processo se resolva de forma rápida, fácil e tranquila e, caso contrário, temos a alternativa definitiva, que esperamos nunca mais precise ser usada."


Irã diz que acordo pode levar mais tempo


Apesar do crescente otimismo por um acordo entre Irã e Estados Unidos nas próximas horas, mediado pelo Paquistão, um dos porta-vozes do regime iraniano fez declarações neste sábado indicando que pode haver necessidade de mais tempo antes de a paz ser selada na região.


No início da manhã de hoje, o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, publicou uma mensagem dizendo que um acordo de paz estava "mais próximo do que nunca" e que as negociações deveriam ser encerradas nas próximas 24 horas.


Mais tarde, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, também demonstrou otimismo, mas mencionou a possibilidade de mais tempo para negociações. "Embora o acordo não aconteça amanhã, a possibilidade de que ocorra nos próximos dias não pode ser descartada", disse ele, em nota transmitida pela TV estatal do país. Ele também afirmou que "a probabilidade de finalizar o memorando de entendimento nos próximos dias é alta".


Baghaei acrescentou que o memorando de Islamabad em discussão estava focado em encerrar a guerra e que "nesta etapa, foi decidido que não haverá discussão da questão nuclear".


O programa nuclear do Irã e o urânio altamente enriquecido há muito tempo estão no centro das tensões com os EUA e Israel e são uma fonte internacional de preocupação.


Três autoridades regionais disseram na sexta-feira, sob condição de anonimato devido à sensibilidade das negociações, que esperavam uma cerimônia de assinatura nos próximos dias, após autoridades em Washington e Teerã aprovarem o acordo.


O aparente avanço ocorreu depois que o Irã trocou disparos com os EUA e Israel no início da semana, ameaçando romper o cessar-fogo e empurrar o Oriente Médio de volta para uma guerra em grande escala. Fonte: R7

EUA voltará a atacar o Irã nesta noite, afirma chefe do Pentágono

Durante visita ao Comando Central dos EUA (Centcom), Pete Hegseth afirmou que o Irã será alvo de fortes ataques

O chefe do Pentágono, Pete Hegseth, afirmou que os Estados Unidos voltarão a atacar o Irã “nesta noite”. A declaração do secretário de Guerra norte-americano aconteceu nesta quarta-feira (10/6), durante visita a militares do Comando Central dos EUA (Centcom), na Flórida.



“Os ataques ao Irã que acontecerão esta noite serão claros e fortes”, disse chefe do Pentágono, chamado pelo governo Donald Trump de Departamento de Guerra.

De acordo com Hegseth, os possíveis ataques serão uma forma de pressionar o Irã a avançar nas negociações para um acordo com os EUA. As discussões seguem estagnadas devido a divergências nos termos e pedidos, incluindo exigências de Trump sobre o programa nuclear iraniano.


“Se precisarmos negociar com bombas, vamos negociar com bombas”, destacou.


Mais cedo, Donald Trump fez declarações semelhantes às de Hegseth. Durante conversa com jornalistas na Casa Branca, o presidente dos EUA afirmou que o Irã seria atacado “fortemente de novo hoje”.


Na terça-feira (9/6), os EUA voltaram a atacar posições iranianas pela segunda vez desde o início do cessar-fogo entre os dois países, no início de abril.


A ofensiva foi motivada pela queda de um helicóptero norte-americano no Estreito de Ormuz, vista por Trump como uma ação dos iranianos.


Além de instalações militares no sudeste iraniano, a cidade portuária de Bandar Abbas, estratégica para o país persa, foi alvo de bombardeios.


O Irã respondeu a ofensiva, voltou a lançar mísseis e drones contra bases militares norte-americanas localizadas na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein. (Metrópoles)

Tomahawk, Patriot e THAAD: queda no estoque de munições dos EUA preocupa

Embora os EUA estejam reabastecendo seus arsenais, o tempo necessário para reconstruir os estoques até os níveis anteriores à guerra contra o Irã tornou-se um fator de risco

Os Estados Unidos entraram em uma fase de vulnerabilidade militar após a campanha de bombardeios e de uso de defesa aérea contra o Irã. O alerta é do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), que aponta o esgotamento de estoques de munições-chave e a preocupação com um eventual conflito no Pacífico Ocidental, mesmo considerando que Washington ainda tenha armamento suficiente para qualquer cenário plausível na guerra com Teerã.



Segundo o think tank, a ofensiva contra o Irã e seus aliados, somada ao envio de interceptadores Patriot para a Ucrânia, acelerou o consumo de mísseis estratégicos americanos.


Embora os Estados Unidos estejam reabastecendo seus arsenais, o tempo necessário para reconstruir os estoques até os níveis anteriores à guerra tornou-se o principal fator de risco – mais até do que o volume de recursos disponíveis.


O secretário de Defesa, Pete Hegseth, admitiu recentemente que levará “meses e anos, dependendo do sistema de armas” para recompor o estoque as munições. A análise do CSIS confirma esse diagnóstico ao detalhar, munição por munição, os prazos projetados para voltar aos níveis pré‑guerra.


Em vários casos, a recomposição completa se estende para além de 2028 e 2029, num contexto em que a atenção estratégica de Washington se volta também para o Pacífico Ocidental e para a China.


Arsenal próprio e de aliados



Entre os sistemas mais pressionados estão os mísseis de ataque terrestre Tomahawk (TLAM), o sistema de defesa em alta altitude THAAD e os interceptores Patriot. Amplamente utilizados na guerra com o Irã, esses três pilares da capacidade ofensiva e defensiva dos EUA devem levar três anos ou mais, a partir de agora, para retornar aos estoques anteriores ao conflito.


Já os mísseis Standard SM-3 e SM-6, embarcados em navios, têm prazos de cerca de dois anos, enquanto o JASSM e o PrSM, utilizados em menor escala relativa ou com produção recente, demandam de alguns meses a até um ano para reposição.


A situação se complica porque Washington precisa conciliar a reposição de seus próprios arsenais com a entrega de armamentos a aliados e parceiros. O CSIS relata que decisões sobre a prioridade de distribuição da produção já geraram atritos bilaterais e que essa tensão deve persistir nos próximos anos, na medida em que a demanda supera a capacidade industrial.


Em alguns casos, o Departamento de Defesa reprogramou cronogramas de entrega para privilegiar o reabastecimento norte‑americano em detrimento de encomendas de países aliados.


Questão não é dinheiro: é o tempo

O governo Trump, segundo o estudo, reconheceu a urgência e ampliou significativamente a alocação de recursos para munições no orçamento de defesa de US$ 1,5 trilhão para o ano fiscal de 2027.


Além de prever um suplemento de guerra específico para repor o que foi gasto na Operação Epic Fury e elevar os estoques acima dos níveis pré‑guerra, a administração assinou acordos‑quadro com a indústria para expandir a capacidade de produção, o que pode acelerar as entregas nos próximos cinco a sete anos.


Apesar desse reforço orçamentário, o CSIS ressalta que “o problema hoje não é dinheiro; é tempo”. A expansão da capacidade industrial e a fabricação de sistemas de alta complexidade não ocorrem de forma imediata. Até que os estoques retornem aos patamares anteriores e alcancem os níveis considerados ideais pelos planejadores de guerra, haverá um período de vulnerabilidade que exigirá planos específicos do Pentágono para mitigar riscos e, quando possível, substituir determinados armamentos por alternativas com outros custos e limitações.


O estudo detalha que, para vários sistemas, a produção já opera em níveis próximos à capacidade máxima, mas que ainda assim há gargalos, inclusive na cadeia de suprimentos e no escalonamento de entregas a aliados. As estimativas do CSIS, baseadas em dados públicos do orçamento do Departamento de Defesa, consideram variáveis como taxa de produção, prazos administrativos até a assinatura de contratos, tempo de fabricação e cronogramas de entrega de cada lote.


Pacífico Ocidental

Na avaliação dos autores, o quadro no Pacífico Ocidental não é inteiramente negativo, apesar da janela de vulnerabilidade. O texto lembra que a guerra com o Irã e outras operações recentes, como contra a Venezuela e os Houthis (no Iêmen), tornaram visível a capacidade operacional das forças norte‑americanas.


Já a China, enfatizam os pesquisadores, não tem experiência recente em combate e teve desempenho considerado fraco em sua última guerra, contra o Vietnã em 1979 — um contraste que, segundo o estudo, pode ajudar a preservar a dissuasão até que os estoques de munições dos Estados Unidos sejam restabelecidos.


O artigo do CSIS destaca ainda que a ampliação dos estoques começou no governo Biden e foi intensificada na gestão Trump, com apoio bipartidário no Congresso. Para os autores, a combinação de consenso político interno, expansão gradual da capacidade industrial e manutenção da credibilidade militar dos Estados Unidos será decisiva para atravessar o período em que os arsenais ainda estarão abaixo dos níveis desejados. (Infomoney)

Vídeo mostra momento que prédio no Líbano é atingido por ataque de Israel

Forças israelenses afirmam que local era utilizado por membros do Hezbollah

Imagens feitas por testemunhas nesta quinta-feira (28) capturaram o momento de um ataque israelense contra uma suposta infraestrutura do Hezbollah na cidade de Tiro, no sul do Líbano.



O vídeo mostra uma grande explosão atrás de um prédio, lançando uma bola de fogo ao céu antes que densas colunas de fumaça subissem e formassem uma nuvem em formato de cogumelo.


A agência de notícias Reuters confirmou a localização com base no traçado das ruas, prédios e árvores, que correspondiam a imagens de arquivo e de satélite. Vídeos adicionais mostram fumaça subindo do mesmo local.


A data das imagens foi verificada por meio de uma declaração das Forças de Defesa de Israel sobre o ataque em Tiro. O Exército israelense também afirmou, na manhã desta quinta-feira, que começou a atacar infraestrutura do Hezbollah no sul do Líbano, na região de Tiro.


Mais cedo, o porta-voz militar israelense Avichay Adraee havia alertado sobre ataques a vários locais em Tiro.


Na quarta-feira (27), o Exército de Israel declarou uma nova faixa do sul do Líbano como zona de combate e informou que os moradores da área deveriam se deslocar para o norte, alertando que agiria “com grande força” contra o grupo armado libanês Hezbollah na região.


A declaração militar, publicada no X, indicou uma possível nova escalada após mais de 120 ataques realizados na terça-feira (26) atingirem o sul e o leste do Líbano, apesar de um cessar-fogo anunciado em 16 de abril. (Da Reuters)


Veja momento do ataque:



 

Trump publica imagem de IA de ataque a navio iraniano, após falar em acordo de paz

Neste domingo, o secretário americano de Estado, Marco Rubio, observou que "houve progresso significativo, embora não progresso final"



O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou no Truth Social há pouco uma imagem gerada por Inteligência Artificial mostrando um navio da marinha iraniana sendo destruído por drone lançado de um avião dos EUA, com a legenda “Adios”.


A publicação foi feita um dia depois de Trump ter declarado que houve um memorando de entendimento voltado à paz com a República Islâmica do Irã, após encontro com Israel e outros aliados na região.



Neste domingo, o secretário americano de Estado, Marco Rubio, observou que “houve progresso significativo, embora não progresso final” nas negociações entre EUA e Irã. Rubio, que está em uma visita de quatro dias à Índia para reuniões com autoridades indianas, australianas e japonesas, disse esperar que haja boas notícias nas próximas horas.

Ucrânia utiliza soldados robôs no lugar de humanos em guerra contra Rússia

Operação inédita de captura de inimigos por sistemas robóticos e drones terrestres destaca nova era do combate para Kiev

A cena é tão antiga quanto a própria guerra. Dois soldados, mãos ao alto, se rendendo e seguindo cuidadosamente as ordens gritadas pelo outro lado.



Exceto que, neste caso, não havia captores humanos à vista. Em vez disso, os dois russos estavam se submetendo a robôs terrestres e drones ucranianos controlados por um piloto operando em segurança de uma posição a quilômetros da linha de frente.


Este é o futuro da guerra – e está acontecendo agora.


"A posição foi tomada sem um único tiro disparado", afirmou à CNN Mykola "Makar" Zinkevych, o comandante da unidade ucraniana que conduziu a missão.


Zinkevych, que serve na unidade "NC13" da Terceira Brigada de Assalto Separada da Ucrânia, lidando com sistemas de ataque robóticos terrestres, disse que a operação no verão passado foi a primeira vez na história em que uma posição inimiga foi invadida e prisioneiros foram capturados por robôs terrestres e drones sem o envolvimento de infantaria.


É uma afirmação difícil de comprovar, mas ressalta o orgulho de Kiev em sua tecnologia.


Desde então, missões em que os robôs substituem os soldados humanos se tornaram o pão de cada dia da unidade.


Os céus acima das linhas de frente na Ucrânia estão repletos de drones há anos, representando uma grave ameaça para a infantaria.


Como resultado, os ucranianos começaram a experimentar combates com drones terrestres – veículos controlados remotamente que funcionam com rodas ou esteiras – e sistemas robóticos terrestres.


Originalmente, eram usados principalmente para retirar baixas e reabastecer tropas, mas cada vez mais também para conduzir missões de assalto em combate.


Drones terrestres são muito mais difíceis de detectar e interceptar do que veículos militares maiores.


Em comparação com seus equivalentes aéreos, eles podem operar em todas as condições climáticas e transportar cargas muito maiores.


Eles também são mais duráveis e têm uma vida útil de bateria muito mais longa.


No final do ano passado, o Terceiro Corpo de Exército, do qual a Terceira Brigada de Assalto Separada faz parte, disse que um único robô terrestre equipado com uma metralhadora conseguiu conter um avanço russo por 45 dias, necessitando apenas de manutenção leve e recarga de bateria a cada dois dias.


"Precisamos entender que nunca teremos mais pessoal e nunca teremos uma vantagem numérica sobre o inimigo", afirmou Zinkevych, destacando a força militar muito maior da Rússia. "Então, precisamos alcançar essa vantagem por meio da tecnologia."


O objetivo atual, segundo ele, era substituir um terço da infantaria por drones e robôs este ano.


O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou na terça-feira (21) que drones e robôs realizaram mais de 22 mil missões apenas nos últimos três meses.


"Vidas foram salvas mais de 22 mil vezes quando um robô entrou nas áreas mais perigosas em vez de um guerreiro", declarou Zelensky em um discurso destacando os sucessos da indústria de tecnologia militar da Ucrânia.


Robert Tollast, especialista em guerra terrestre do Royal United Services Institute, um think tank britânico de defesa e segurança, falou que os novos avanços na Ucrânia "alimentarão um debate furioso sobre se esses robôs são o futuro da guerra ou não".


Ele afirmou que era provável que os drones terrestres tivessem dificuldade para realmente manter território, os comparando ao uso de tanques sem apoio de infantaria.


Mas eles agora "regularmente salvam vidas de soldados na retirada de feridos, missões perigosas de reabastecimento, remoção de minas e, cada vez mais, em combate", disse ele.


"Isso é crítico em uma guerra onde a observação aérea por drones tornou o movimento perto da linha de frente quase mortal... mesmo imaginando um futuro onde a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) não lute exatamente como a Ucrânia, é quase certo que esses sistemas encontrarão muitos usos em outras forças", acrescentou.


Supremacia ucraniana de drones

Mais de quatro anos de guerra forçaram a Ucrânia a se tornar líder global em drones de campo de batalha e sistemas robóticos. Mas a busca pela supremacia nessa área foi impulsionada com a nomeação de Mykhailo Fedorov como ministro da Defesa da Ucrânia em janeiro.


Anteriormente, Fedorov foi o ministro da transformação digital, cargo no qual supervisionou o bem-sucedido projeto de guerra com drones da Ucrânia.


Após assumir a pasta da defesa, ele introduziu o que o Ministério chamou de plano de guerra, um projeto de como a Ucrânia planeja "forçar a Rússia à paz".


A estratégia é fortemente focada em tecnologia e dados, com centenas de empresas participando de dezenas de iniciativas governamentais de desenvolvimento e produção de drones.


Mykhailo Fedorov afirmou no domingo (19) que queria que sistemas robóticos terrestres eventualmente lidassem com toda a logística da linha de frente.


O plano de guerra se concentra tanto na defesa quanto no ataque. O objetivo é usar dados e tecnologia para identificar cada ameaça aérea em tempo real e interceptar pelo menos 95% dos mísseis e drones, além de criar uma "zona de morte" de 15 a 20 quilômetros de profundidade ao longo da linha de frente, onde drones e robôs operam ininterruptamente.


O Ministério da Defesa declarou na semana passada que cerca de mil equipes já estavam operando como parte deste novo programa unificado.


Zinkevych, o comandante ucraniano de robótica terrestre, disse que a capacidade de escalar é fundamental.


A Rússia está atrás na corrida, mas também está avançando, disse ele. "No campo de batalha, o fator decisivo não é quem inventou a tecnologia e (descobriu) como aplicá-la, mas quem conseguiu escalá-la a longo prazo."


Os mais recentes avanços tecnológicos deram à Ucrânia uma clara vantagem em drones no campo de batalha, dizem os analistas.


O Instituto para o Estudo da Guerra, um monitor de conflitos com sede nos EUA, avaliou recentemente que esta superioridade em drones "provavelmente está contribuindo para a estagnação dos avanços russos e recentes contra-ataques ucranianos."


"Embora nenhum dos lados tenha conseguido obter uma vantagem decisiva, a campanha de ataques de médio alcance da Ucrânia permitiu a Kiev recuperar a vantagem", escreveram seus analistas em uma nota, dizendo que o "desafio agora para a Ucrânia será se manter um passo à frente enquanto a Rússia responde."


Ucrânia troca expertise por mísseis

Embora a vantagem no campo de batalha baseada em drones possa não ser decisiva para a guerra, a clara liderança de Kiev na guerra de drones está agora recebendo mais atenção fora da Europa.


Um exemplo está no Oriente Médio, onde vários países que investiram grandes somas de dinheiro na construção de suas capacidades militares convencionais, desde o início do conflito com o Irã, inesperadamente se viram usando mísseis de 4 milhões de dólares para derrubar um drone que custou 50 mil dólares para fabricar.


Os recursos limitados da própria Ucrânia a forçaram a desenvolver formas mais baratas e muito mais eficientes de combater os drones. Aliados anteriormente relutantes agora estão dando ouvidos.


Zelensky viajou pessoalmente ao Oriente Médio, visitando Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos antes de seguir para Turquia e Síria, oferecendo compartilhar parte da expertise duramente conquistada pela Ucrânia em troca de apoio.


Kiev tem muito a oferecer aos países do Golfo, que por sua vez possuem recursos que a Ucrânia precisa desesperadamente – como mísseis para defesas aéreas.


O presidente da Ucrânia também assinou uma série de novos acordos com vários países europeus. A próxima grande novidade para a Ucrânia, e qualquer força militar no mundo, é, obviamente, a Inteligência Artificial.


Kiev está avançando no desenvolvimento e treinamento de modelos de IA para sistemas não tripulados usando dados reais de campo de batalha.


Mas muitos permanecem cautelosos quanto ao uso de IA em drones terrestres.


Zinkevych, o comandante ucraniano de robótica terrestre, disse que, embora possa ver alguns processos sendo automatizados, não está certo de que tecnologias totalmente autônomas tenham lugar no campo de batalha.


"A decisão final deve sempre ser tomada por um humano", afirmou ele.


"Você confiaria armas à inteligência artificial? Como podemos ter certeza de que ela será capaz de distinguir um amigo de um inimigo? Como podemos ter certeza de que não haverá um mau funcionamento ou que algo não dará errado?", perguntou.


Ainda assim, como ex-soldado de infantaria e comandante de grupos de assalto, agora responsável por robôs, Zinkevych declarou que estava continuamente impressionado com os avanços tecnológicos que testemunhou nos últimos quatro anos.


"Se eu tivesse me ouvido falando assim em 2022, teria dito que era algum louco falando... era tudo apenas ficção científica", afirmou ele.


Mas agora ele está totalmente comprometido. "A vida humana é inestimável, enquanto robôs não sangram. Com base nisso, minha posição é que os sistemas robóticos terrestres precisam ser desenvolvidos muito mais rapidamente, em uma escala muito maior, e implementados como um sistema global para uso no campo de batalha." (CNN)

EUA ameaçam Peru após governo sugerir pausa em compra de aviões de combate

Presidente interino disse em entrevista que aquisição de caças implica endividamento e deve ser tomada pelo próximo presidente

O embaixador dos Estados Unidos no Peru, Bernie Navarro, ameaçou na sexta-feira (17) o presidente interino do país sul-americano, José María Balcázar, após ele indicar que pode pausar a compra de aviões de combate para renovar a frota da Força Aérea.



“Se negociarem de má-fé com os EUA e prejudicarem os interesses norte-americanos, tenham certeza de que, como representante da administração Trump, utilizarei todas as ferramentas disponíveis para proteger e promover a prosperidade e a segurança do nosso país e da região”, escreveu Navarro na rede social X.



Balcázar, que assumiu em fevereiro após a destituição do também interino José Jerí, afirmou que está “avaliando” e que falará com seus ministros na próxima semana para definir se tomará a decisão.


O governo peruano ainda não informou se escolheu um modelo para a compra de 24 aviões de combate. A expectativa é que o país opte por caças F-16 dos Estados Unidos.


Mas Balcázar afirmou que a aquisição implicaria um endividamento “enorme” e deveria ser decidida pelo próximo governo, cujo mandato começa em 28 de julho.


“Meu governo é transitório e termina em julho. Acho que deveríamos deixar [a decisão] para o novo governo, após a eleição e [conforme] a vontade dos cidadãos”, disse ele à rádio peruana Exitosa.


O processo de compra das aeronaves para a Força Aérea do Peru começou, de acordo com a presidência peruana, no governo da ex-presidente Dina Boluarte, destituída em outubro do ano passado.


Em março, a presidência peruana informou em comunicado que a aquisição ainda não estava concluída. (CNN)

Ataque no estreito de Ormuz aumenta tensão entre Irã e Estados Unidos

Em meio à escalada de tensões no Golfo, embarcações armadas da Guarda Revolucionária do Irã dispararam contra um navio petroleiro que trafegava pelo Estreito de Ormuz neste sábado (18), conforme informou a Organização de Tráfego Marítimo do Reino Unido.

Navio de bandeira tailandesa Mayuree Naree em chamas após bombardeio na região do Golfo Pérsico


De acordo com o comunicado, o alerta partiu diretamente do comandante da embarcação, que relatou a aproximação de duas lanchas militares iranianas a cerca de 30 quilômetros da costa de Omã. Segundo o capitão, não houve qualquer tentativa de contato por rádio antes do início dos disparos. A identidade do navio não foi divulgada.


Apesar da ação, a organização britânica afirmou que tanto o petroleiro quanto os tripulantes permanecem fora de perigo.


O episódio ocorre no mesmo período em que o Irã reforçou medidas restritivas à navegação no estreito, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo. A decisão foi tomada após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reafirmou a continuidade do bloqueio americano a embarcações que utilizem portos iranianos.


Em resposta, a Marinha ligada à Guarda Revolucionária publicou nas redes sociais que a situação no Estreito de Ormuz seguirá inalterada enquanto houver ameaças à circulação de navios iranianos com destino ao próprio país.

Trump diz que 'não faz diferença' se um acordo for alcançado ou não com o Irã

O presidente americano disse na Casa Branca que acompanha por relatos as negociações com o Irã em Islamabad, e afirmou que, independentemente de um acordo, considera que os EUA já venceram.



Enquanto as negociações continuam no Paquistão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (11) que, do ponto de vista dele, "não faz diferença" se um acordo for alcançado ou não com o Irã".


Falando a jornalistas na Casa Branca, o republicano disse que está recebendo diversos relatos sobre as conversas em Islamabad, que, segundo ele, já se estendem por muitas horas. Apesar disso, Trump afirmou que os EUA já saíram vencedores.


"Independentemente do que aconteça, nós vencemos", disse. "Derrotamos completamente aquele país."


Ao comentar as negociações, o presidente reiterou que não vê o desfecho das conversas como algo decisivo.


“Vamos ver o que acontece, mas, do meu ponto de vista, não me importo”, afirmou.

Trump ainda repetiu declarações anteriores de que os EUA teriam eliminado a força aérea, a marinha e a liderança do Irã.


Segundo ele, agora o governo americano trabalha para garantir a abertura do Estreito de Ormuz — uma ação que, afirmou, estaria sendo realizada em nome de outros países que descreveu como “medrosos, fracos ou mesquinhos”.


O presidente americano também criticou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), dizendo que a aliança militar não ofereceu apoio aos EUA.


Trump diz que está limpando Ormuz

Dois navios de guerra dos EUA passaram pelo Estreito de Ormuz neste sábado (11), pela primeira vez desde o início do conflito com o Irã. Teerã, no entanto, negou que a travessia tenha ocorrido.


Trump mencionou que os americanos teriam começado a "limpar" a via marítima, referindo-se às minas navais colocadas na região pelo Irã. Logo depois, a informação foi confirmada pelas Forças do Comando Central dos EUA (CENTCOM).


As falas do republicano acontecem em meio ao encontro entre representantes americanos e iranianos no Paquistão, a respeito de um possível acordo de paz entre os países. O presidente americano também aproveitou para reforçar a ideia de que os EUA estão "vencendo" a guerra.


Segundo Teerã, há condições que Washington precisa aceitar antes de qualquer negociação direta para encerrar a guerra, que já dura seis semanas.


No início da semana, Trump também disse que o Irã não deveria cobrar taxas de navios que atravessam o Estreito de Ormuz, região atualmente bloqueada e que tem provocado a maior interrupção da oferta global de energia da história.

Por Redação g1

Israel indica que manterá ataques ao Líbano para destruir o Hezbollah

Ministério das Relações Exteriores de Israel diz que ataques devem ser mantidos, já que o governo do Líbano não desmilitarizou o Hezbollah

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou, nesta quarta-feira (8/4), que o país vai manter os ataques ao Líbano com o objetivo de destruir o Hezbollah. Em publicação nas redes sociais, o órgão criticou autoridades libanesas por não impedirem ações do grupo contra o território israelense.



“O presidente e o primeiro-ministro do Líbano não têm vergonha em atacar Israel por fazer o que eles deveriam ter feito: atacar o Hezbollah. Eles não desarmaram o Hezbollah, não impedem que disparem contra Israel. Eles mentiram quando afirmaram que haviam desmilitarizado a área até o Litani. Agora, nós devemos fazer isso no lugar deles. É hora de começar a agir contra o Hezbollah. Em atos, não em palavras. E se vocês são incapazes de fazer isso — pelo menos não atrapalhem”, diz a publicação.

Veja post:



Os ataques israelenses desta quarta-feira foram descritos por autoridades libanesas como a maior onda de bombardeios desde o início do conflito. Ao menos 254 pessoas morreram e 1.165 ficaram feridas. A capital, Beirute, foi a área mais atingida.


As Forças de Defesa de Israel informaram ter realizado mais de 100 bombardeios em poucos minutos, alegando que os alvos eram estruturas do Hezbollah.


A continuidade da ofensiva levou o Hezbollah a pedir contenção e alertar para possíveis desdobramentos. Já o embaixador do Irã na ONU afirmou que novas ofensivas israelenses podem agravar ainda mais a situação e gerar consequências regionais.


Diante da escalada, o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz. Segundo autoridades iranianas, a intensificação das ações de Israel no Líbano representa uma violação do cessar-fogo firmado com os Estados Unidos nessa terça-feira (7/4). (Metrópoles)

Irã afirma ter derrubado segundo avião dos EUA

Caça A-10 Thunderbolt II caiu no Golfo Pérsico após ser interceptado pelos sistemas de defesa aérea do país na sexta-feira

As forças armadas do Irã afirmaram ter atingido um segundo avião de combate dos EUA na sexta-feira (3).



O A-10 Thunderbolt II, apelidado de Warthog, caiu nas águas do Golfo Pérsico após os sistemas de defesa aérea do Irã interceptarem e o alvo atingirem próximo ao estreito de Ormuz, segundo a mídia estatal iraniana, citando um comunicado do escritório de relações públicas do exército.


Um oficial americano familiarizado com o assunto informou que o piloto conseguiu retirar a aeronave do território iraniano antes de ejetar do avião. Ele foi resgatado.


O caso ocorreu no mesmo dia em que um F-15E foi abatido sobre o Irã, conforme relatado anteriormente pela CNN. Um membro da tripulação foi resgatado após uma missão de busca e resgate, mas o destino do segundo tripulante da aeronave ainda é incerto.


Os Warthogs são aviões de assento único e estão realizando missões sobre o Irã há várias semanas. (CNN)

Ataque do Irã atinge petroleiro em Dubai e provoca incêndio

Mundo – Um petroleiro kuwaitiano foi atingido por um projétil lançado a partir do Irã na madrugada desta terça-feira (31/03), enquanto estava ancorado no porto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A informação foi confirmada pela Kuwait Oil Corporation.


De acordo com a companhia, o impacto provocou um incêndio e causou danos à embarcação, que estava totalmente carregada com petróleo bruto no momento do ataque. Apesar da gravidade da ocorrência, autoridades de Dubai informaram que não houve feridos nem registro de vazamento de óleo

O episódio ocorre em meio à escalada de tensão no Oriente Médio. O Irã tem intensificado ataques com mísseis e drones contra alvos ligados aos Estados Unidos e a Israel na região do Golfo, em resposta a ofensivas realizadas por Washington e Tel Aviv contra Teerã.

Pouco antes do ataque, a UK Maritime Trade Operations (UKMTO) havia alertado para um incidente envolvendo uma embarcação a cerca de 31 milhas náuticas a noroeste de Dubai — aproximadamente 57 quilômetros da costa.

Desde 28 de fevereiro, quando teve início o confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã, a UKMTO já registrou ao menos 24 incidentes envolvendo navios nas proximidades do Estreito de Ormuz. Desse total, 16 envolvem embarcações atingidas por projéteis.

A região do Golfo Pérsico é considerada uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo, o que aumenta a preocupação internacional diante da sequência de ataques e do risco de impactos no fornecimento de energia.

Ataques no sul do Líbano deixam três jornalistas mortos e elevam tensão com Israel

Mundo – Três jornalistas libaneses morreram neste sábado (28) após um ataque israelense atingir o veículo em que estavam no sul do Líbano. O carro estava identificado como sendo da imprensa no momento do bombardeio. O caso ocorreu na região de Jezzine e provocou reação do governo do país, que classificou o ataque como violação do direito internacional.



As vítimas foram Ali Shaib, repórter da Al-Manar TV, Fatima Ftouni, jornalista da rede Al-Mayadeen, e Mohammed Ftouni, operador de câmera da mesma emissora e irmão de Fatima. De acordo com informações confirmadas por agências internacionais, o ataque ocorreu enquanto os profissionais cobriam os confrontos na região.


Em comunicado citado pela agência Reuters, o exército de Israel afirmou ter “eliminado” Ali Shaib, alegando que ele seria integrante de uma unidade de inteligência do Hezbollah e que suas reportagens teriam exposto posições de soldados israelenses. A nota, no entanto, não mencionou as outras duas vítimas.


O ataque gerou forte reação das autoridades libanesas. O presidente Joseph Aoun condenou o episódio e classificou a ação como um “crime flagrante”, afirmando que o ataque viola normas do direito internacional e do direito humanitário.


Em publicação nas redes sociais, o presidente destacou que jornalistas são civis e devem ser protegidos, mesmo em cenários de guerra. Ele também citou tratados internacionais que proíbem ataques a profissionais da imprensa durante conflitos.


Diversas entidades e partidos políticos do Líbano também se manifestaram, lamentando as mortes e pedindo investigação sobre o caso. Entre eles estão o Partido Social Nacionalista Sírio, o Partido Democrático Libanês e a emissora NBN.


Jornalistas em zonas de conflito possuem a mesma proteção geral concedida a civis, a menos que estejam diretamente envolvidos em hostilidades. Ataques deliberados e intencionais contra civis, incluindo jornalistas, são violações graves das Convenções de Genebra e do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI), podendo ser processados como crimes de guerra.


O episódio aumenta a tensão na região e levanta preocupações sobre a segurança de profissionais de imprensa em áreas de conflito.

Aliado de Trump, como o Paraguai decolou na economia e virou ímã para investidores

Atraídos por impostos baixos, empreendedores de toda a América Latina estão investindo pesado e se estabelecendo no país

Bloomberg — Espremido entre Argentina e Brasil, o Paraguai tem sido por muito tempo ignorado pela comunidade internacional. Pequeno, sem litoral e pobre, era frequentemente visto apenas como um país de passagem.



Por isso, é um pouco surpreendente — tanto para quem está na capital quanto na região — que o país de 6,1 milhões de habitantes esteja repentinamente vivendo um momento de destaque.


Atraídos por impostos baixos, empreendedores de toda a América Latina estão investindo pesado e se estabelecendo no país, com um aumento de mais de 60% nos pedidos de residência em 2025. Torres estilosas e concessionárias de carros de luxo agora se espalham por Assunção, uma cidade onde a infraestrutura ainda luta para acompanhar esse crescimento.


E investidores de Wall Street estão comprando títulos de dívida do Paraguai, enquanto o presidente conservador, Santiago Peña, alinha seu governo com o de Donald Trump.


O rápido crescimento e reformas econômicas dos últimos anos ajudaram o país a conquistar o status de crédito de grau de investimento pela Moody’s Ratings em 2024 e pela S&P Global no ano passado.


— Antes éramos como a garota mais feia do baile. Hoje, todo mundo nos chama para dançar — disse Selene Rojas, diretora do sofisticado Shopping del Sol, no distrito financeiro de Assunção.


Peña, um economista de 47 anos que se tornou político, viajou para o exterior mais de 50 vezes desde que tomou posse, em agosto de 2023, para divulgar que o Paraguai está aberto para negócios. Ele apoiou abertamente a iniciativa do presidente Trump de fortalecer a influência de Washington na região. E, neste mês, estava entre os líderes latino-americanos que o presidente dos Estados Unidos reuniu em Miami para coordenar ações de segurança.


— O Paraguai tem sido um grande amigo nosso — disse o subsecretário de Estado americano, Christopher Landau.


O diplomata dos EUA, citando o histórico de votações do país nas Nações Unidas e o reconhecimento contínuo de Taiwan, acrescentou:


— Eles não estão dançando conforme a música da China.


Em uma região dependente do comércio e investimento chinês, o Paraguai é a única nação sul-americana que ainda mantém relações diplomáticas com Taiwan.


Como resultado, não pode vender sua carne bovina e soja para a China, enquanto deixa de receber bilhões de dólares em investimentos de Pequim em infraestrutura. O Paraguai reconheceu Taiwan em 1957 e mantém sua decisão desde então.


Washington não tem avançado rapidamente com investimentos próprios, e ainda não há voos diretos entre Assunção e os Estados Unidos. Mas, na semana seguinte à cúpula de Miami, parlamentares paraguaios aprovaram um acordo de defesa que permite a entrada de tropas americanas no país.


Peña chama sua visão para o Paraguai de o “renascimento de um gigante”. Ela remete a um período de prosperidade, em meados do século XIX, quando o país era líder regional com avanços tecnológicos como siderúrgicas e ferrovias, até que a Guerra do Paraguai deixou o país em ruínas.


No século passado, o país foi governado por uma ditadura durante 35 anos — uma das mais longas da região, cuja queda, em 1989, foi seguida por uma tumultuada transição para a democracia. A adoção de políticas fiscais e monetárias sólidas pelo Paraguai desde o início dos anos 2000 está agora dando resultado, com inflação de um dígito e crescimento anual em torno de 4% nas últimas duas décadas.


— O Paraguai continuará crescendo mais do que os outros países da América do Sul — disse Peña à Bloomberg TV, em Washington, no mês passado. — Muito em breve, terá a maior renda per capita, acima do Uruguai e acima do Chile.


Os investidores também estão atentos, colocando dinheiro em fábricas e imóveis. Muitos deles são estrangeiros, com as autoridades de imigração recebendo quase 50 mil pedidos de residência no ano passado. Cerca de metade era de brasileiros, embora também houvesse um grande número de argentinos, alemães, bolivianos e espanhóis.


O Brasil é o maior investidor no Paraguai. A participação do país no investimento estrangeiro direto subiu para cerca de 15% no fim de 2024, ante menos de 12% quatro anos antes, segundo o Banco Central paraguaio.


As fábricas que se beneficiam de isenções fiscais com base na Lei de “Maquila”, regime de produção industrial por encomenda, atraem investidores. A lei permite que empresas estrangeiras operem no país produzindo para exportação com baixa carga tributária.


Felipe Bertolini, de 24 anos, de São Paulo, é um desses investidores. Ele e seu pai, um investidor portuário, passaram três dias em Assunção em fevereiro solicitando residência no Paraguai. Bertolini reclama da carga tributária que paga, no Brasil, em sua empresa de factoring e securitização.


— O Brasil está empurrando as pessoas para o Paraguai porque seus impostos tornam o empreendedorismo inviável. Empresas fecham no Brasil e vêm para cá — afirmou.


A Lei de “Maquila” permite que empresas estrangeiras operem no Paraguai produzindo para exportação com uma carga tributária extremamente reduzida. Criada para atrair indústrias e fomentar emprego, a lei se tornou um dos principais motores da economia paraguaia e um atrativo crescente para empresas estrangeiras, como as brasileiras.


As exportações sob o regime de “maquila” de empresas como a Blue Design, liderada pelo empresário têxtil argentino Jorge Bunchicoff, mais do que quadruplicaram na última década, para cerca de US$ 1,2 bilhão no ano passado.


A indústria de Bunchicoff exporta anualmente cerca de um milhão de peças de denim premium, incluindo jeans e jaquetas, de sua moderna fábrica nos arredores de Assunção para mercados globais, como os EUA, o Reino Unido e o Japão.


A empresa fornece para marcas sofisticadas como Lacoste e Good American, enquanto produtos de sua própria marca, Dala, podem ser vendidos por mais de US$ 300.


Bunchicoff, que atua no Paraguai há 30 anos, disse que “jamais conseguiria” fazer isso na Argentina ou no Brasil, por causa dos altos custos e das “relações trabalhistas tóxicas” em ambos os países. O segredo do sucesso da operação paraguaia, argumentou o empresário argentino, é uma combinação de impostos baixos, energia e mão de obra baratas, além de previsibilidade.


A chegada de novos imigrantes ao Paraguai também está impulsionando o consumo. Cerca de 120 mil pessoas por semana visitam o Shopping del Sol, aumento de 30% em relação aos últimos três anos, em parte devido à imigração, disse Selene Rojas:


— Você pode ver claramente a chegada de estrangeiros. Os hotéis estão lotados. Os restaurantes estão lotados. A frota de carros cresceu enormemente. Nosso aeroporto não consegue acompanhar.


Ainda assim, o milagre econômico do Paraguai enfrenta ventos contrários que podem frear o crescimento e a mobilidade social se não forem enfrentados. Apenas a Venezuela o supera como a nação mais corrupta da América do Sul, de acordo com o último índice da Transparência Internacional.


Mais de 60% da força de trabalho atua na economia informal, segundo dados do governo. E, embora a pobreza tenha diminuído drasticamente desde o início dos anos 2000, cerca de um quinto dos paraguaios ainda vive abaixo da linha da pobreza.


Apesar disso, o esforço para tornar o Paraguai mais responsável fiscalmente está dando resultados, pelo menos para a gestão da dívida pública.


Depois de captar cerca de US$ 500 milhões em 2024 com sua primeira emissão de títulos de dívida globais, denominados em guaranis, o Paraguai emitiu um recorde de US$ 1 bilhão em dívida denominada na moeda local no mês passado.


É uma grande mudança em relação a uma década atrás, quando a primeira emissão de títulos de US$ 1 bilhão do Paraguai foi em dólares, disse Carlos Fernández, ministro das Finanças.


— Isso dá um senso de como a credibilidade da economia paraguaia evoluiu — acrescentou o ministro, descrevendo a mais recente emissão em guaranis como “um diploma de graduação”.


© 2026 Bloomberg L.P.

Irã desafia liderança de Trump e reacende debate sobre força dos Estados Unidos

Ações decisivas no passado contrastam com a falta de clareza sobre o conflito, enquanto Teerã oferece resistência e aliados se recusam a ajudar

O presidente Donald Trump agora está aplicando o estilo imprevisível que construiu seu império empresarial e sua marca política a um papel muito mais complexo e sensível como líder em tempo de guerra.



Os apoiadores adoram quando Trump quebra coisas — como o establishment republicano. Ele tende a manter margem de manobra evitando posições definitivas. E, embora muitas vezes seja raso em detalhes e contexto histórico, sua personalidade projeta certeza.


O talento de Trump por ação decisiva rendeu sucesso em uma ousada operação dos EUA que transferiu o ditador venezuelano Nicolás Maduro de seu quartel‑general para uma cela de prisão em Nova York em janeiro. Mas em muitas de suas declarações públicas sobre a guerra com o Irã ele ainda não conseguiu transmitir a gravidade e a clareza de um presidente tradicional em tempo de guerra.


Trump agora enfrenta crises interligadas no conflito. A resistência feroz de Teerã está em risco de criar um longo impasse. A pressão econômica piora à medida que os preços do petróleo disparam depois que o Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz. Internamente, Trump enfrenta uma revolta política destacada na terça‑feira (17), quando um alto funcionário de segurança nacional orientado pelo movimento MAGA renunciou.


Trump foi surpreendido pela intensidade dos ataques de retaliação de Teerã contra aliados dos EUA no Golfo. Ele também parecia despreparado para o fechamento do Estreito — algo que muitos especialistas já esperavam.


E a tentativa do presidente de pressionar aliados para enviar navios ao Estreito de Ormuz bateu em um beco sem saída quando eles se recusaram a se juntar a uma guerra sobre a qual não foram consultados.


Trump aposta que sua tolerância ao risco dará resultado

Quando presidentes em tempo de guerra não conseguem apresentar de forma clara uma justificativa e uma estratégia de desfecho, correm o risco de perder o rumo estratégico e de se afastarem das pessoas.


Ainda assim, é cedo demais para avaliar adequadamente uma guerra na qual ataques dos EUA e de Israel parecem ter causado danos devastadores à capacidade do Irã de ameaçar sua região e os Estados Unidos com seus programas nucleares e de mísseis balísticos.


Ninguém pode prever, até o momento, como se desenrolará o futuro político do país após a morte de tantas figuras seniores do regime, incluindo Ali Larijani, líder político de fato de longa data, na última terça-feira.


O tempo poderá mostrar que alguns dos instintos de Trump foram perspicazes e que sua tolerância ao risco produziu resultados que outros presidentes não conseguiram alcançar.


Mas será difícil para ele reivindicar uma victory se o conflito terminar com o Estreito de Ormuz bloqueado, a economia mundial refém e os iranianos enfrentando uma repressão ainda mais dura sob um regime recalibrado.


O mesmo ocorrerá se o Irã mantiver urânio altamente enriquecido que poderia usar em um programa nuclear futuro.


Resolver esses dilemas pode exigir operações ainda mais arriscadas — provavelmente envolvendo tropas terrestres — do que as tentadas até agora.


Tais missões se beneficiariam de um planejamento presidencial meticuloso, objetivos claros e gestão cuidadosa das consequências e das expectativas públicas.


Uma renúncia que atinge o cerne do movimento MAGA

A renúncia, na terça-feira, de Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA orientado pelo movimento MAGA, abalou Washington.


O episode sugeriu que Trump está perdendo o controle de sua própria coalizão política e destacou uma questão importante sobre a justificativa do presidente para a guerra.


Kent, veterano das forças especiais que perdeu a esposa em um ataque do Estado Islâmico na Síria, escreveu a Trump em uma carta que havia sido enganado por uma campanha de desinformação israelense, levando-o a acreditar que uma vitória rápida sobre o Irã estava ao alcance.


Ele também argumentou que a República Islâmica não representava uma ameaça “iminente” à segurança nacional dos EUA, ao contrário das garantias de Trump e de altos funcionários da administração.


“Você pode mudar de rumo e traçar um novo caminho para nossa nação, ou pode nos deixar escorregar ainda mais rumo ao declínio e ao caos”, escreveu Kent. “As cartas estão em suas mãos.”


Alguns legisladores do Partido Republicano afirmaram que as opiniões expressas por Kent em sua carta de renúncia eram antissemitas, com o deputado Don Bacon escrevendo nas redes sociais: “Adeus e boa viagem. Antissemitismo é um mal que detesto, e certamente não queremos isso em nosso governo.”


O senador Mitch McConnell expressou sentimento semelhante, criticando o “antissemitismo virulento presente na carta de renúncia”.


Kent tem pouco em comum com os proeminentes democratas que se opuseram à guerra. Ele já enfrentou críticas no passado por associações com figuras de extrema-direita, incluindo nacionalistas brancos e um simpatizante nazista.


Mas sua renúncia — em meio ao tumulto intenso sobre a guerra no movimento MAGA e entre figuras da mídia conservadora — mostra que, se o presidente tiver que temer uma revolta política sobre a guerra, ela pode vir da sua própria direita.


Isso é um fator potencialmente importante para um presidente que tradicionalmente tenta evitar rupturas com sua base.


A renúncia de Kent também evidencia o impacto duradouro de um comentário feito neste mês pelo Secretário de Estado Marco Rubio, de que os EUA foram à guerra de forma preventiva porque acreditavam que Israel estava prestes a atacar e que o Irã responderia atacando forças americanas.


Trump negou ter sido pressionado a entrar em guerra e insiste que estava mais entusiasmado que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.


Embora pesquisas mostrem que muitos eleitores republicanos ainda confiem em Trump, sinais de dissidência em sua base são importantes, já que a guerra já é impopular entre a maioria dos eleitores. E muitas guerras americanas no passado foram enfraquecidas pelo país se voltar contra elas.


Mensagens de guerra ainda mais imprecisas

Na terça-feira, Trump deu aos críticos mais motivos para questionar sua justificativa para a guerra, sua relutância em dizer quando ela poderia terminar e a inconsistência de suas posições.


Dias após exigir que aliados dos EUA enviassem navios para ajudar a abrir o Estreito de Ormuz, ele insistiu que nunca os quis. “Não fiz uma pressão total porque acho que, se tivesse feito, provavelmente eles teriam ido, mas não precisamos de ajuda”, disse.


Quando perguntado se estava preocupado que o Irã pudesse se tornar um novo Vietnã caso enviasse tropas ao solo, Trump respondeu: “Não, não tenho medo… na verdade, não tenho medo de nada.”


Outro repórter perguntou a Trump se ele tinha um plano para o dia seguinte ao término das ações militares. “Temos muitos”, disse, embora nunca tenha especificado nenhum. “Se saíssemos agora, levaria 10 anos para eles reconstruírem. Mas ainda não estamos prontos para sair, embora sairemos em um futuro próximo.”


Trump tem oferecido razões às vezes contraditórias para entrar em guerra. Ele sugeriu que o Irã representava uma ameaça iminente aos EUA sem apresentar provas. Implicou que buscava mudança de regime ao lançar o ataque, mas desde então minimizou a possibilidade de uma revolta popular no Irã.


Na segunda-feira (16), o presidente alimentou novas preocupações de que não estava totalmente convencido, em sua própria mente, do motivo pelo qual foi à guerra. Ele negou que sua justificativa fosse por petróleo, mas acrescentou o seguinte comentário elíptico: “Não precisamos disso, mas fizemos. É quase — você poderia dizer que fizemos por hábito, o que não é uma boa coisa a fazer. Mas fizemos porque temos alguns bons aliados lá.”


Trump criou ainda mais confusão ao afirmar repetidamente que a guerra já está vencida, enquanto, ao mesmo tempo, argumenta que ainda é cedo para trazer as tropas americanas de volta para casa. Ele disse que saberá o momento certo “nos ossos”.


Sua confiança em sua própria intuição quase mística o ajudou a superar inúmeros problemas pessoais, empresariais e políticos. Mas agora representa outra aposta arriscada, enquanto momentos de grande consequência e potencial dor se aproximam na guerra. (CNN)

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