Últimas Notícias
Brasil
Mostrando postagens com marcador Guerra. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guerra. Mostrar todas as postagens

Ucrânia utiliza soldados robôs no lugar de humanos em guerra contra Rússia

Operação inédita de captura de inimigos por sistemas robóticos e drones terrestres destaca nova era do combate para Kiev

A cena é tão antiga quanto a própria guerra. Dois soldados, mãos ao alto, se rendendo e seguindo cuidadosamente as ordens gritadas pelo outro lado.



Exceto que, neste caso, não havia captores humanos à vista. Em vez disso, os dois russos estavam se submetendo a robôs terrestres e drones ucranianos controlados por um piloto operando em segurança de uma posição a quilômetros da linha de frente.


Este é o futuro da guerra – e está acontecendo agora.


"A posição foi tomada sem um único tiro disparado", afirmou à CNN Mykola "Makar" Zinkevych, o comandante da unidade ucraniana que conduziu a missão.


Zinkevych, que serve na unidade "NC13" da Terceira Brigada de Assalto Separada da Ucrânia, lidando com sistemas de ataque robóticos terrestres, disse que a operação no verão passado foi a primeira vez na história em que uma posição inimiga foi invadida e prisioneiros foram capturados por robôs terrestres e drones sem o envolvimento de infantaria.


É uma afirmação difícil de comprovar, mas ressalta o orgulho de Kiev em sua tecnologia.


Desde então, missões em que os robôs substituem os soldados humanos se tornaram o pão de cada dia da unidade.


Os céus acima das linhas de frente na Ucrânia estão repletos de drones há anos, representando uma grave ameaça para a infantaria.


Como resultado, os ucranianos começaram a experimentar combates com drones terrestres – veículos controlados remotamente que funcionam com rodas ou esteiras – e sistemas robóticos terrestres.


Originalmente, eram usados principalmente para retirar baixas e reabastecer tropas, mas cada vez mais também para conduzir missões de assalto em combate.


Drones terrestres são muito mais difíceis de detectar e interceptar do que veículos militares maiores.


Em comparação com seus equivalentes aéreos, eles podem operar em todas as condições climáticas e transportar cargas muito maiores.


Eles também são mais duráveis e têm uma vida útil de bateria muito mais longa.


No final do ano passado, o Terceiro Corpo de Exército, do qual a Terceira Brigada de Assalto Separada faz parte, disse que um único robô terrestre equipado com uma metralhadora conseguiu conter um avanço russo por 45 dias, necessitando apenas de manutenção leve e recarga de bateria a cada dois dias.


"Precisamos entender que nunca teremos mais pessoal e nunca teremos uma vantagem numérica sobre o inimigo", afirmou Zinkevych, destacando a força militar muito maior da Rússia. "Então, precisamos alcançar essa vantagem por meio da tecnologia."


O objetivo atual, segundo ele, era substituir um terço da infantaria por drones e robôs este ano.


O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou na terça-feira (21) que drones e robôs realizaram mais de 22 mil missões apenas nos últimos três meses.


"Vidas foram salvas mais de 22 mil vezes quando um robô entrou nas áreas mais perigosas em vez de um guerreiro", declarou Zelensky em um discurso destacando os sucessos da indústria de tecnologia militar da Ucrânia.


Robert Tollast, especialista em guerra terrestre do Royal United Services Institute, um think tank britânico de defesa e segurança, falou que os novos avanços na Ucrânia "alimentarão um debate furioso sobre se esses robôs são o futuro da guerra ou não".


Ele afirmou que era provável que os drones terrestres tivessem dificuldade para realmente manter território, os comparando ao uso de tanques sem apoio de infantaria.


Mas eles agora "regularmente salvam vidas de soldados na retirada de feridos, missões perigosas de reabastecimento, remoção de minas e, cada vez mais, em combate", disse ele.


"Isso é crítico em uma guerra onde a observação aérea por drones tornou o movimento perto da linha de frente quase mortal... mesmo imaginando um futuro onde a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) não lute exatamente como a Ucrânia, é quase certo que esses sistemas encontrarão muitos usos em outras forças", acrescentou.


Supremacia ucraniana de drones

Mais de quatro anos de guerra forçaram a Ucrânia a se tornar líder global em drones de campo de batalha e sistemas robóticos. Mas a busca pela supremacia nessa área foi impulsionada com a nomeação de Mykhailo Fedorov como ministro da Defesa da Ucrânia em janeiro.


Anteriormente, Fedorov foi o ministro da transformação digital, cargo no qual supervisionou o bem-sucedido projeto de guerra com drones da Ucrânia.


Após assumir a pasta da defesa, ele introduziu o que o Ministério chamou de plano de guerra, um projeto de como a Ucrânia planeja "forçar a Rússia à paz".


A estratégia é fortemente focada em tecnologia e dados, com centenas de empresas participando de dezenas de iniciativas governamentais de desenvolvimento e produção de drones.


Mykhailo Fedorov afirmou no domingo (19) que queria que sistemas robóticos terrestres eventualmente lidassem com toda a logística da linha de frente.


O plano de guerra se concentra tanto na defesa quanto no ataque. O objetivo é usar dados e tecnologia para identificar cada ameaça aérea em tempo real e interceptar pelo menos 95% dos mísseis e drones, além de criar uma "zona de morte" de 15 a 20 quilômetros de profundidade ao longo da linha de frente, onde drones e robôs operam ininterruptamente.


O Ministério da Defesa declarou na semana passada que cerca de mil equipes já estavam operando como parte deste novo programa unificado.


Zinkevych, o comandante ucraniano de robótica terrestre, disse que a capacidade de escalar é fundamental.


A Rússia está atrás na corrida, mas também está avançando, disse ele. "No campo de batalha, o fator decisivo não é quem inventou a tecnologia e (descobriu) como aplicá-la, mas quem conseguiu escalá-la a longo prazo."


Os mais recentes avanços tecnológicos deram à Ucrânia uma clara vantagem em drones no campo de batalha, dizem os analistas.


O Instituto para o Estudo da Guerra, um monitor de conflitos com sede nos EUA, avaliou recentemente que esta superioridade em drones "provavelmente está contribuindo para a estagnação dos avanços russos e recentes contra-ataques ucranianos."


"Embora nenhum dos lados tenha conseguido obter uma vantagem decisiva, a campanha de ataques de médio alcance da Ucrânia permitiu a Kiev recuperar a vantagem", escreveram seus analistas em uma nota, dizendo que o "desafio agora para a Ucrânia será se manter um passo à frente enquanto a Rússia responde."


Ucrânia troca expertise por mísseis

Embora a vantagem no campo de batalha baseada em drones possa não ser decisiva para a guerra, a clara liderança de Kiev na guerra de drones está agora recebendo mais atenção fora da Europa.


Um exemplo está no Oriente Médio, onde vários países que investiram grandes somas de dinheiro na construção de suas capacidades militares convencionais, desde o início do conflito com o Irã, inesperadamente se viram usando mísseis de 4 milhões de dólares para derrubar um drone que custou 50 mil dólares para fabricar.


Os recursos limitados da própria Ucrânia a forçaram a desenvolver formas mais baratas e muito mais eficientes de combater os drones. Aliados anteriormente relutantes agora estão dando ouvidos.


Zelensky viajou pessoalmente ao Oriente Médio, visitando Arábia Saudita, Catar e Emirados Árabes Unidos antes de seguir para Turquia e Síria, oferecendo compartilhar parte da expertise duramente conquistada pela Ucrânia em troca de apoio.


Kiev tem muito a oferecer aos países do Golfo, que por sua vez possuem recursos que a Ucrânia precisa desesperadamente – como mísseis para defesas aéreas.


O presidente da Ucrânia também assinou uma série de novos acordos com vários países europeus. A próxima grande novidade para a Ucrânia, e qualquer força militar no mundo, é, obviamente, a Inteligência Artificial.


Kiev está avançando no desenvolvimento e treinamento de modelos de IA para sistemas não tripulados usando dados reais de campo de batalha.


Mas muitos permanecem cautelosos quanto ao uso de IA em drones terrestres.


Zinkevych, o comandante ucraniano de robótica terrestre, disse que, embora possa ver alguns processos sendo automatizados, não está certo de que tecnologias totalmente autônomas tenham lugar no campo de batalha.


"A decisão final deve sempre ser tomada por um humano", afirmou ele.


"Você confiaria armas à inteligência artificial? Como podemos ter certeza de que ela será capaz de distinguir um amigo de um inimigo? Como podemos ter certeza de que não haverá um mau funcionamento ou que algo não dará errado?", perguntou.


Ainda assim, como ex-soldado de infantaria e comandante de grupos de assalto, agora responsável por robôs, Zinkevych declarou que estava continuamente impressionado com os avanços tecnológicos que testemunhou nos últimos quatro anos.


"Se eu tivesse me ouvido falando assim em 2022, teria dito que era algum louco falando... era tudo apenas ficção científica", afirmou ele.


Mas agora ele está totalmente comprometido. "A vida humana é inestimável, enquanto robôs não sangram. Com base nisso, minha posição é que os sistemas robóticos terrestres precisam ser desenvolvidos muito mais rapidamente, em uma escala muito maior, e implementados como um sistema global para uso no campo de batalha." (CNN)

EUA ameaçam Peru após governo sugerir pausa em compra de aviões de combate

Presidente interino disse em entrevista que aquisição de caças implica endividamento e deve ser tomada pelo próximo presidente

O embaixador dos Estados Unidos no Peru, Bernie Navarro, ameaçou na sexta-feira (17) o presidente interino do país sul-americano, José María Balcázar, após ele indicar que pode pausar a compra de aviões de combate para renovar a frota da Força Aérea.



“Se negociarem de má-fé com os EUA e prejudicarem os interesses norte-americanos, tenham certeza de que, como representante da administração Trump, utilizarei todas as ferramentas disponíveis para proteger e promover a prosperidade e a segurança do nosso país e da região”, escreveu Navarro na rede social X.



Balcázar, que assumiu em fevereiro após a destituição do também interino José Jerí, afirmou que está “avaliando” e que falará com seus ministros na próxima semana para definir se tomará a decisão.


O governo peruano ainda não informou se escolheu um modelo para a compra de 24 aviões de combate. A expectativa é que o país opte por caças F-16 dos Estados Unidos.


Mas Balcázar afirmou que a aquisição implicaria um endividamento “enorme” e deveria ser decidida pelo próximo governo, cujo mandato começa em 28 de julho.


“Meu governo é transitório e termina em julho. Acho que deveríamos deixar [a decisão] para o novo governo, após a eleição e [conforme] a vontade dos cidadãos”, disse ele à rádio peruana Exitosa.


O processo de compra das aeronaves para a Força Aérea do Peru começou, de acordo com a presidência peruana, no governo da ex-presidente Dina Boluarte, destituída em outubro do ano passado.


Em março, a presidência peruana informou em comunicado que a aquisição ainda não estava concluída. (CNN)

Ataque no estreito de Ormuz aumenta tensão entre Irã e Estados Unidos

Em meio à escalada de tensões no Golfo, embarcações armadas da Guarda Revolucionária do Irã dispararam contra um navio petroleiro que trafegava pelo Estreito de Ormuz neste sábado (18), conforme informou a Organização de Tráfego Marítimo do Reino Unido.

Navio de bandeira tailandesa Mayuree Naree em chamas após bombardeio na região do Golfo Pérsico


De acordo com o comunicado, o alerta partiu diretamente do comandante da embarcação, que relatou a aproximação de duas lanchas militares iranianas a cerca de 30 quilômetros da costa de Omã. Segundo o capitão, não houve qualquer tentativa de contato por rádio antes do início dos disparos. A identidade do navio não foi divulgada.


Apesar da ação, a organização britânica afirmou que tanto o petroleiro quanto os tripulantes permanecem fora de perigo.


O episódio ocorre no mesmo período em que o Irã reforçou medidas restritivas à navegação no estreito, uma das principais rotas do comércio mundial de petróleo. A decisão foi tomada após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que reafirmou a continuidade do bloqueio americano a embarcações que utilizem portos iranianos.


Em resposta, a Marinha ligada à Guarda Revolucionária publicou nas redes sociais que a situação no Estreito de Ormuz seguirá inalterada enquanto houver ameaças à circulação de navios iranianos com destino ao próprio país.

Trump diz que 'não faz diferença' se um acordo for alcançado ou não com o Irã

O presidente americano disse na Casa Branca que acompanha por relatos as negociações com o Irã em Islamabad, e afirmou que, independentemente de um acordo, considera que os EUA já venceram.



Enquanto as negociações continuam no Paquistão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (11) que, do ponto de vista dele, "não faz diferença" se um acordo for alcançado ou não com o Irã".


Falando a jornalistas na Casa Branca, o republicano disse que está recebendo diversos relatos sobre as conversas em Islamabad, que, segundo ele, já se estendem por muitas horas. Apesar disso, Trump afirmou que os EUA já saíram vencedores.


"Independentemente do que aconteça, nós vencemos", disse. "Derrotamos completamente aquele país."


Ao comentar as negociações, o presidente reiterou que não vê o desfecho das conversas como algo decisivo.


“Vamos ver o que acontece, mas, do meu ponto de vista, não me importo”, afirmou.

Trump ainda repetiu declarações anteriores de que os EUA teriam eliminado a força aérea, a marinha e a liderança do Irã.


Segundo ele, agora o governo americano trabalha para garantir a abertura do Estreito de Ormuz — uma ação que, afirmou, estaria sendo realizada em nome de outros países que descreveu como “medrosos, fracos ou mesquinhos”.


O presidente americano também criticou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), dizendo que a aliança militar não ofereceu apoio aos EUA.


Trump diz que está limpando Ormuz

Dois navios de guerra dos EUA passaram pelo Estreito de Ormuz neste sábado (11), pela primeira vez desde o início do conflito com o Irã. Teerã, no entanto, negou que a travessia tenha ocorrido.


Trump mencionou que os americanos teriam começado a "limpar" a via marítima, referindo-se às minas navais colocadas na região pelo Irã. Logo depois, a informação foi confirmada pelas Forças do Comando Central dos EUA (CENTCOM).


As falas do republicano acontecem em meio ao encontro entre representantes americanos e iranianos no Paquistão, a respeito de um possível acordo de paz entre os países. O presidente americano também aproveitou para reforçar a ideia de que os EUA estão "vencendo" a guerra.


Segundo Teerã, há condições que Washington precisa aceitar antes de qualquer negociação direta para encerrar a guerra, que já dura seis semanas.


No início da semana, Trump também disse que o Irã não deveria cobrar taxas de navios que atravessam o Estreito de Ormuz, região atualmente bloqueada e que tem provocado a maior interrupção da oferta global de energia da história.

Por Redação g1

Israel indica que manterá ataques ao Líbano para destruir o Hezbollah

Ministério das Relações Exteriores de Israel diz que ataques devem ser mantidos, já que o governo do Líbano não desmilitarizou o Hezbollah

O Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou, nesta quarta-feira (8/4), que o país vai manter os ataques ao Líbano com o objetivo de destruir o Hezbollah. Em publicação nas redes sociais, o órgão criticou autoridades libanesas por não impedirem ações do grupo contra o território israelense.



“O presidente e o primeiro-ministro do Líbano não têm vergonha em atacar Israel por fazer o que eles deveriam ter feito: atacar o Hezbollah. Eles não desarmaram o Hezbollah, não impedem que disparem contra Israel. Eles mentiram quando afirmaram que haviam desmilitarizado a área até o Litani. Agora, nós devemos fazer isso no lugar deles. É hora de começar a agir contra o Hezbollah. Em atos, não em palavras. E se vocês são incapazes de fazer isso — pelo menos não atrapalhem”, diz a publicação.

Veja post:



Os ataques israelenses desta quarta-feira foram descritos por autoridades libanesas como a maior onda de bombardeios desde o início do conflito. Ao menos 254 pessoas morreram e 1.165 ficaram feridas. A capital, Beirute, foi a área mais atingida.


As Forças de Defesa de Israel informaram ter realizado mais de 100 bombardeios em poucos minutos, alegando que os alvos eram estruturas do Hezbollah.


A continuidade da ofensiva levou o Hezbollah a pedir contenção e alertar para possíveis desdobramentos. Já o embaixador do Irã na ONU afirmou que novas ofensivas israelenses podem agravar ainda mais a situação e gerar consequências regionais.


Diante da escalada, o Irã voltou a fechar o Estreito de Ormuz. Segundo autoridades iranianas, a intensificação das ações de Israel no Líbano representa uma violação do cessar-fogo firmado com os Estados Unidos nessa terça-feira (7/4). (Metrópoles)

Irã afirma ter derrubado segundo avião dos EUA

Caça A-10 Thunderbolt II caiu no Golfo Pérsico após ser interceptado pelos sistemas de defesa aérea do país na sexta-feira

As forças armadas do Irã afirmaram ter atingido um segundo avião de combate dos EUA na sexta-feira (3).



O A-10 Thunderbolt II, apelidado de Warthog, caiu nas águas do Golfo Pérsico após os sistemas de defesa aérea do Irã interceptarem e o alvo atingirem próximo ao estreito de Ormuz, segundo a mídia estatal iraniana, citando um comunicado do escritório de relações públicas do exército.


Um oficial americano familiarizado com o assunto informou que o piloto conseguiu retirar a aeronave do território iraniano antes de ejetar do avião. Ele foi resgatado.


O caso ocorreu no mesmo dia em que um F-15E foi abatido sobre o Irã, conforme relatado anteriormente pela CNN. Um membro da tripulação foi resgatado após uma missão de busca e resgate, mas o destino do segundo tripulante da aeronave ainda é incerto.


Os Warthogs são aviões de assento único e estão realizando missões sobre o Irã há várias semanas. (CNN)

Ataque do Irã atinge petroleiro em Dubai e provoca incêndio

Mundo – Um petroleiro kuwaitiano foi atingido por um projétil lançado a partir do Irã na madrugada desta terça-feira (31/03), enquanto estava ancorado no porto de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A informação foi confirmada pela Kuwait Oil Corporation.


De acordo com a companhia, o impacto provocou um incêndio e causou danos à embarcação, que estava totalmente carregada com petróleo bruto no momento do ataque. Apesar da gravidade da ocorrência, autoridades de Dubai informaram que não houve feridos nem registro de vazamento de óleo

O episódio ocorre em meio à escalada de tensão no Oriente Médio. O Irã tem intensificado ataques com mísseis e drones contra alvos ligados aos Estados Unidos e a Israel na região do Golfo, em resposta a ofensivas realizadas por Washington e Tel Aviv contra Teerã.

Pouco antes do ataque, a UK Maritime Trade Operations (UKMTO) havia alertado para um incidente envolvendo uma embarcação a cerca de 31 milhas náuticas a noroeste de Dubai — aproximadamente 57 quilômetros da costa.

Desde 28 de fevereiro, quando teve início o confronto entre Estados Unidos, Israel e Irã, a UKMTO já registrou ao menos 24 incidentes envolvendo navios nas proximidades do Estreito de Ormuz. Desse total, 16 envolvem embarcações atingidas por projéteis.

A região do Golfo Pérsico é considerada uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo, o que aumenta a preocupação internacional diante da sequência de ataques e do risco de impactos no fornecimento de energia.

Ataques no sul do Líbano deixam três jornalistas mortos e elevam tensão com Israel

Mundo – Três jornalistas libaneses morreram neste sábado (28) após um ataque israelense atingir o veículo em que estavam no sul do Líbano. O carro estava identificado como sendo da imprensa no momento do bombardeio. O caso ocorreu na região de Jezzine e provocou reação do governo do país, que classificou o ataque como violação do direito internacional.



As vítimas foram Ali Shaib, repórter da Al-Manar TV, Fatima Ftouni, jornalista da rede Al-Mayadeen, e Mohammed Ftouni, operador de câmera da mesma emissora e irmão de Fatima. De acordo com informações confirmadas por agências internacionais, o ataque ocorreu enquanto os profissionais cobriam os confrontos na região.


Em comunicado citado pela agência Reuters, o exército de Israel afirmou ter “eliminado” Ali Shaib, alegando que ele seria integrante de uma unidade de inteligência do Hezbollah e que suas reportagens teriam exposto posições de soldados israelenses. A nota, no entanto, não mencionou as outras duas vítimas.


O ataque gerou forte reação das autoridades libanesas. O presidente Joseph Aoun condenou o episódio e classificou a ação como um “crime flagrante”, afirmando que o ataque viola normas do direito internacional e do direito humanitário.


Em publicação nas redes sociais, o presidente destacou que jornalistas são civis e devem ser protegidos, mesmo em cenários de guerra. Ele também citou tratados internacionais que proíbem ataques a profissionais da imprensa durante conflitos.


Diversas entidades e partidos políticos do Líbano também se manifestaram, lamentando as mortes e pedindo investigação sobre o caso. Entre eles estão o Partido Social Nacionalista Sírio, o Partido Democrático Libanês e a emissora NBN.


Jornalistas em zonas de conflito possuem a mesma proteção geral concedida a civis, a menos que estejam diretamente envolvidos em hostilidades. Ataques deliberados e intencionais contra civis, incluindo jornalistas, são violações graves das Convenções de Genebra e do Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional (TPI), podendo ser processados como crimes de guerra.


O episódio aumenta a tensão na região e levanta preocupações sobre a segurança de profissionais de imprensa em áreas de conflito.

Aliado de Trump, como o Paraguai decolou na economia e virou ímã para investidores

Atraídos por impostos baixos, empreendedores de toda a América Latina estão investindo pesado e se estabelecendo no país

Bloomberg — Espremido entre Argentina e Brasil, o Paraguai tem sido por muito tempo ignorado pela comunidade internacional. Pequeno, sem litoral e pobre, era frequentemente visto apenas como um país de passagem.



Por isso, é um pouco surpreendente — tanto para quem está na capital quanto na região — que o país de 6,1 milhões de habitantes esteja repentinamente vivendo um momento de destaque.


Atraídos por impostos baixos, empreendedores de toda a América Latina estão investindo pesado e se estabelecendo no país, com um aumento de mais de 60% nos pedidos de residência em 2025. Torres estilosas e concessionárias de carros de luxo agora se espalham por Assunção, uma cidade onde a infraestrutura ainda luta para acompanhar esse crescimento.


E investidores de Wall Street estão comprando títulos de dívida do Paraguai, enquanto o presidente conservador, Santiago Peña, alinha seu governo com o de Donald Trump.


O rápido crescimento e reformas econômicas dos últimos anos ajudaram o país a conquistar o status de crédito de grau de investimento pela Moody’s Ratings em 2024 e pela S&P Global no ano passado.


— Antes éramos como a garota mais feia do baile. Hoje, todo mundo nos chama para dançar — disse Selene Rojas, diretora do sofisticado Shopping del Sol, no distrito financeiro de Assunção.


Peña, um economista de 47 anos que se tornou político, viajou para o exterior mais de 50 vezes desde que tomou posse, em agosto de 2023, para divulgar que o Paraguai está aberto para negócios. Ele apoiou abertamente a iniciativa do presidente Trump de fortalecer a influência de Washington na região. E, neste mês, estava entre os líderes latino-americanos que o presidente dos Estados Unidos reuniu em Miami para coordenar ações de segurança.


— O Paraguai tem sido um grande amigo nosso — disse o subsecretário de Estado americano, Christopher Landau.


O diplomata dos EUA, citando o histórico de votações do país nas Nações Unidas e o reconhecimento contínuo de Taiwan, acrescentou:


— Eles não estão dançando conforme a música da China.


Em uma região dependente do comércio e investimento chinês, o Paraguai é a única nação sul-americana que ainda mantém relações diplomáticas com Taiwan.


Como resultado, não pode vender sua carne bovina e soja para a China, enquanto deixa de receber bilhões de dólares em investimentos de Pequim em infraestrutura. O Paraguai reconheceu Taiwan em 1957 e mantém sua decisão desde então.


Washington não tem avançado rapidamente com investimentos próprios, e ainda não há voos diretos entre Assunção e os Estados Unidos. Mas, na semana seguinte à cúpula de Miami, parlamentares paraguaios aprovaram um acordo de defesa que permite a entrada de tropas americanas no país.


Peña chama sua visão para o Paraguai de o “renascimento de um gigante”. Ela remete a um período de prosperidade, em meados do século XIX, quando o país era líder regional com avanços tecnológicos como siderúrgicas e ferrovias, até que a Guerra do Paraguai deixou o país em ruínas.


No século passado, o país foi governado por uma ditadura durante 35 anos — uma das mais longas da região, cuja queda, em 1989, foi seguida por uma tumultuada transição para a democracia. A adoção de políticas fiscais e monetárias sólidas pelo Paraguai desde o início dos anos 2000 está agora dando resultado, com inflação de um dígito e crescimento anual em torno de 4% nas últimas duas décadas.


— O Paraguai continuará crescendo mais do que os outros países da América do Sul — disse Peña à Bloomberg TV, em Washington, no mês passado. — Muito em breve, terá a maior renda per capita, acima do Uruguai e acima do Chile.


Os investidores também estão atentos, colocando dinheiro em fábricas e imóveis. Muitos deles são estrangeiros, com as autoridades de imigração recebendo quase 50 mil pedidos de residência no ano passado. Cerca de metade era de brasileiros, embora também houvesse um grande número de argentinos, alemães, bolivianos e espanhóis.


O Brasil é o maior investidor no Paraguai. A participação do país no investimento estrangeiro direto subiu para cerca de 15% no fim de 2024, ante menos de 12% quatro anos antes, segundo o Banco Central paraguaio.


As fábricas que se beneficiam de isenções fiscais com base na Lei de “Maquila”, regime de produção industrial por encomenda, atraem investidores. A lei permite que empresas estrangeiras operem no país produzindo para exportação com baixa carga tributária.


Felipe Bertolini, de 24 anos, de São Paulo, é um desses investidores. Ele e seu pai, um investidor portuário, passaram três dias em Assunção em fevereiro solicitando residência no Paraguai. Bertolini reclama da carga tributária que paga, no Brasil, em sua empresa de factoring e securitização.


— O Brasil está empurrando as pessoas para o Paraguai porque seus impostos tornam o empreendedorismo inviável. Empresas fecham no Brasil e vêm para cá — afirmou.


A Lei de “Maquila” permite que empresas estrangeiras operem no Paraguai produzindo para exportação com uma carga tributária extremamente reduzida. Criada para atrair indústrias e fomentar emprego, a lei se tornou um dos principais motores da economia paraguaia e um atrativo crescente para empresas estrangeiras, como as brasileiras.


As exportações sob o regime de “maquila” de empresas como a Blue Design, liderada pelo empresário têxtil argentino Jorge Bunchicoff, mais do que quadruplicaram na última década, para cerca de US$ 1,2 bilhão no ano passado.


A indústria de Bunchicoff exporta anualmente cerca de um milhão de peças de denim premium, incluindo jeans e jaquetas, de sua moderna fábrica nos arredores de Assunção para mercados globais, como os EUA, o Reino Unido e o Japão.


A empresa fornece para marcas sofisticadas como Lacoste e Good American, enquanto produtos de sua própria marca, Dala, podem ser vendidos por mais de US$ 300.


Bunchicoff, que atua no Paraguai há 30 anos, disse que “jamais conseguiria” fazer isso na Argentina ou no Brasil, por causa dos altos custos e das “relações trabalhistas tóxicas” em ambos os países. O segredo do sucesso da operação paraguaia, argumentou o empresário argentino, é uma combinação de impostos baixos, energia e mão de obra baratas, além de previsibilidade.


A chegada de novos imigrantes ao Paraguai também está impulsionando o consumo. Cerca de 120 mil pessoas por semana visitam o Shopping del Sol, aumento de 30% em relação aos últimos três anos, em parte devido à imigração, disse Selene Rojas:


— Você pode ver claramente a chegada de estrangeiros. Os hotéis estão lotados. Os restaurantes estão lotados. A frota de carros cresceu enormemente. Nosso aeroporto não consegue acompanhar.


Ainda assim, o milagre econômico do Paraguai enfrenta ventos contrários que podem frear o crescimento e a mobilidade social se não forem enfrentados. Apenas a Venezuela o supera como a nação mais corrupta da América do Sul, de acordo com o último índice da Transparência Internacional.


Mais de 60% da força de trabalho atua na economia informal, segundo dados do governo. E, embora a pobreza tenha diminuído drasticamente desde o início dos anos 2000, cerca de um quinto dos paraguaios ainda vive abaixo da linha da pobreza.


Apesar disso, o esforço para tornar o Paraguai mais responsável fiscalmente está dando resultados, pelo menos para a gestão da dívida pública.


Depois de captar cerca de US$ 500 milhões em 2024 com sua primeira emissão de títulos de dívida globais, denominados em guaranis, o Paraguai emitiu um recorde de US$ 1 bilhão em dívida denominada na moeda local no mês passado.


É uma grande mudança em relação a uma década atrás, quando a primeira emissão de títulos de US$ 1 bilhão do Paraguai foi em dólares, disse Carlos Fernández, ministro das Finanças.


— Isso dá um senso de como a credibilidade da economia paraguaia evoluiu — acrescentou o ministro, descrevendo a mais recente emissão em guaranis como “um diploma de graduação”.


© 2026 Bloomberg L.P.

Irã desafia liderança de Trump e reacende debate sobre força dos Estados Unidos

Ações decisivas no passado contrastam com a falta de clareza sobre o conflito, enquanto Teerã oferece resistência e aliados se recusam a ajudar

O presidente Donald Trump agora está aplicando o estilo imprevisível que construiu seu império empresarial e sua marca política a um papel muito mais complexo e sensível como líder em tempo de guerra.



Os apoiadores adoram quando Trump quebra coisas — como o establishment republicano. Ele tende a manter margem de manobra evitando posições definitivas. E, embora muitas vezes seja raso em detalhes e contexto histórico, sua personalidade projeta certeza.


O talento de Trump por ação decisiva rendeu sucesso em uma ousada operação dos EUA que transferiu o ditador venezuelano Nicolás Maduro de seu quartel‑general para uma cela de prisão em Nova York em janeiro. Mas em muitas de suas declarações públicas sobre a guerra com o Irã ele ainda não conseguiu transmitir a gravidade e a clareza de um presidente tradicional em tempo de guerra.


Trump agora enfrenta crises interligadas no conflito. A resistência feroz de Teerã está em risco de criar um longo impasse. A pressão econômica piora à medida que os preços do petróleo disparam depois que o Irã praticamente fechou o Estreito de Ormuz. Internamente, Trump enfrenta uma revolta política destacada na terça‑feira (17), quando um alto funcionário de segurança nacional orientado pelo movimento MAGA renunciou.


Trump foi surpreendido pela intensidade dos ataques de retaliação de Teerã contra aliados dos EUA no Golfo. Ele também parecia despreparado para o fechamento do Estreito — algo que muitos especialistas já esperavam.


E a tentativa do presidente de pressionar aliados para enviar navios ao Estreito de Ormuz bateu em um beco sem saída quando eles se recusaram a se juntar a uma guerra sobre a qual não foram consultados.


Trump aposta que sua tolerância ao risco dará resultado

Quando presidentes em tempo de guerra não conseguem apresentar de forma clara uma justificativa e uma estratégia de desfecho, correm o risco de perder o rumo estratégico e de se afastarem das pessoas.


Ainda assim, é cedo demais para avaliar adequadamente uma guerra na qual ataques dos EUA e de Israel parecem ter causado danos devastadores à capacidade do Irã de ameaçar sua região e os Estados Unidos com seus programas nucleares e de mísseis balísticos.


Ninguém pode prever, até o momento, como se desenrolará o futuro político do país após a morte de tantas figuras seniores do regime, incluindo Ali Larijani, líder político de fato de longa data, na última terça-feira.


O tempo poderá mostrar que alguns dos instintos de Trump foram perspicazes e que sua tolerância ao risco produziu resultados que outros presidentes não conseguiram alcançar.


Mas será difícil para ele reivindicar uma victory se o conflito terminar com o Estreito de Ormuz bloqueado, a economia mundial refém e os iranianos enfrentando uma repressão ainda mais dura sob um regime recalibrado.


O mesmo ocorrerá se o Irã mantiver urânio altamente enriquecido que poderia usar em um programa nuclear futuro.


Resolver esses dilemas pode exigir operações ainda mais arriscadas — provavelmente envolvendo tropas terrestres — do que as tentadas até agora.


Tais missões se beneficiariam de um planejamento presidencial meticuloso, objetivos claros e gestão cuidadosa das consequências e das expectativas públicas.


Uma renúncia que atinge o cerne do movimento MAGA

A renúncia, na terça-feira, de Joe Kent, ex-diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA orientado pelo movimento MAGA, abalou Washington.


O episode sugeriu que Trump está perdendo o controle de sua própria coalizão política e destacou uma questão importante sobre a justificativa do presidente para a guerra.


Kent, veterano das forças especiais que perdeu a esposa em um ataque do Estado Islâmico na Síria, escreveu a Trump em uma carta que havia sido enganado por uma campanha de desinformação israelense, levando-o a acreditar que uma vitória rápida sobre o Irã estava ao alcance.


Ele também argumentou que a República Islâmica não representava uma ameaça “iminente” à segurança nacional dos EUA, ao contrário das garantias de Trump e de altos funcionários da administração.


“Você pode mudar de rumo e traçar um novo caminho para nossa nação, ou pode nos deixar escorregar ainda mais rumo ao declínio e ao caos”, escreveu Kent. “As cartas estão em suas mãos.”


Alguns legisladores do Partido Republicano afirmaram que as opiniões expressas por Kent em sua carta de renúncia eram antissemitas, com o deputado Don Bacon escrevendo nas redes sociais: “Adeus e boa viagem. Antissemitismo é um mal que detesto, e certamente não queremos isso em nosso governo.”


O senador Mitch McConnell expressou sentimento semelhante, criticando o “antissemitismo virulento presente na carta de renúncia”.


Kent tem pouco em comum com os proeminentes democratas que se opuseram à guerra. Ele já enfrentou críticas no passado por associações com figuras de extrema-direita, incluindo nacionalistas brancos e um simpatizante nazista.


Mas sua renúncia — em meio ao tumulto intenso sobre a guerra no movimento MAGA e entre figuras da mídia conservadora — mostra que, se o presidente tiver que temer uma revolta política sobre a guerra, ela pode vir da sua própria direita.


Isso é um fator potencialmente importante para um presidente que tradicionalmente tenta evitar rupturas com sua base.


A renúncia de Kent também evidencia o impacto duradouro de um comentário feito neste mês pelo Secretário de Estado Marco Rubio, de que os EUA foram à guerra de forma preventiva porque acreditavam que Israel estava prestes a atacar e que o Irã responderia atacando forças americanas.


Trump negou ter sido pressionado a entrar em guerra e insiste que estava mais entusiasmado que o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu.


Embora pesquisas mostrem que muitos eleitores republicanos ainda confiem em Trump, sinais de dissidência em sua base são importantes, já que a guerra já é impopular entre a maioria dos eleitores. E muitas guerras americanas no passado foram enfraquecidas pelo país se voltar contra elas.


Mensagens de guerra ainda mais imprecisas

Na terça-feira, Trump deu aos críticos mais motivos para questionar sua justificativa para a guerra, sua relutância em dizer quando ela poderia terminar e a inconsistência de suas posições.


Dias após exigir que aliados dos EUA enviassem navios para ajudar a abrir o Estreito de Ormuz, ele insistiu que nunca os quis. “Não fiz uma pressão total porque acho que, se tivesse feito, provavelmente eles teriam ido, mas não precisamos de ajuda”, disse.


Quando perguntado se estava preocupado que o Irã pudesse se tornar um novo Vietnã caso enviasse tropas ao solo, Trump respondeu: “Não, não tenho medo… na verdade, não tenho medo de nada.”


Outro repórter perguntou a Trump se ele tinha um plano para o dia seguinte ao término das ações militares. “Temos muitos”, disse, embora nunca tenha especificado nenhum. “Se saíssemos agora, levaria 10 anos para eles reconstruírem. Mas ainda não estamos prontos para sair, embora sairemos em um futuro próximo.”


Trump tem oferecido razões às vezes contraditórias para entrar em guerra. Ele sugeriu que o Irã representava uma ameaça iminente aos EUA sem apresentar provas. Implicou que buscava mudança de regime ao lançar o ataque, mas desde então minimizou a possibilidade de uma revolta popular no Irã.


Na segunda-feira (16), o presidente alimentou novas preocupações de que não estava totalmente convencido, em sua própria mente, do motivo pelo qual foi à guerra. Ele negou que sua justificativa fosse por petróleo, mas acrescentou o seguinte comentário elíptico: “Não precisamos disso, mas fizemos. É quase — você poderia dizer que fizemos por hábito, o que não é uma boa coisa a fazer. Mas fizemos porque temos alguns bons aliados lá.”


Trump criou ainda mais confusão ao afirmar repetidamente que a guerra já está vencida, enquanto, ao mesmo tempo, argumenta que ainda é cedo para trazer as tropas americanas de volta para casa. Ele disse que saberá o momento certo “nos ossos”.


Sua confiança em sua própria intuição quase mística o ajudou a superar inúmeros problemas pessoais, empresariais e políticos. Mas agora representa outra aposta arriscada, enquanto momentos de grande consequência e potencial dor se aproximam na guerra. (CNN)

Trump descarta cessar-fogo e afirma que está “aniquilando” o Irã

Presidente dos Estados Unidos alegou que “não se faz um cessar-fogo quando está aniquilando o oponente”

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (20/3) pode dialogar com o Irã, mas que não quer um cessar-fogo na guerra.



“Podemos dialogar, mas não quero um cessar-fogo. Não se faz um cessar-fogo quando se está literalmente aniquilando o outro lado. Eles não têm marinha, não tem força-aérea, eles não têm equipamentos […] e os líderes deles estão todos mortos. Não é isso (cessar-fogo) que queremos”, disse o presidente americano em uma entrevista à imprensa na frente da Casa Branca.

Entrando no 21° dia de guerra, a aliança entre Estados Unidos e Israel matou em bombardeios o líder supremo do Irã, Ali Khamenei em 28 de fevereiro, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança, Ali Larijani nessa terça (17/3) – figuras do alto escalão do regime iraniano.


O Irã prometeu vingança e lançou ataques contra Israel após a morte de Larijani.


O conflito no Oriente Médio tem envolvido ataques contra estruturas energéticas no Oriente Médio. Israel atacou na quarta-feira o maior campo de gás do país, o South Pars. O Irã retaliou com bombardeios contra estruturas energéticas do Golfo Pérsico.


O filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei foi escolhido como novo líder supremo. Desde que sucedeu o pai, ele ainda não foi visto em público.


Além disso, o fechamento do Estreito de Ormuz por parte do Irã causou uma alta no barril de petróleo internacional – chegando a bater US$ 115 a unidade nessa quinta (19/3), e uma crise diplomática entre os EUA e a Otan.


Nesta sexta, Trump chamou os demais países do bloco de “covardes”, por não quererem ajudar na reabertura do canal marítimo pelo qual passa 20% do petróleo do mundo.


O chefe do departamento de guerra dos EUA, Pete Hegseth, afirmou nessa quinta que “não há um prazo definitivo para o fim da guerra”. (Metrópoles)

Por que o porto de Fujairah é importante para o mercado de petróleo mundial?

Alvo de um ataque de drones do Irã, local é considerado estratégico não apenas para o Oriente Médio; entenda

Algumas operações de carregamento ⁠de petróleo foram suspensas no porto ⁠de Fujairah nos Emirados Árabes Unidos, um importante centro global ‌de reabastecimento de navios e de exportação de petróleo e combustível, após um ataque de drones e um incêndio neste ‌sábado.



Entenda, a seguir, os motivos que fazem do porto um ponto estratégico para o mercado mundial de petróleo.


Por que Fujairah é importante globalmente?

Fujairah exportou mais de 1,7 milhão de barris por dia (bpd) de petróleo bruto e combustíveis refinados, em média, no ano passado, de acordo com dados da Kpler, um volume equivalente a cerca de 1,7% da demanda ⁠mundial ‌diária.


O porto está localizado no Golfo de Omã, a aproximadamente ⁠70 milhas náuticas do Estreito de Ormuz, que está efetivamente fechado devido à guerra com o Irã, aumentando a importância dos fluxos de Fujairah para o mercado global durante o conflito atual.


Por que isso é importante para os Emirados Árabes Unidos?

Os Emirados Árabes Unidos, que antes do início da guerra produziam mais de 3,4 milhões de bpd ​de petróleo bruto, operam um oleoduto com capacidade de 1,5 milhão de bpd que pode transportar parte do petróleo bruto que normalmente teria que passar pelo estreito de Ormuz.


O Abu Dhabi Crude Oil Pipeline (ADCOP), também conhecido como oleoduto Habshan-Fujairah, ‌transporta petróleo dos campos de Abu Dhabi ​para Fujairah. O porto faz o carregamento do petróleo bruto Murban dos Emirados Árabes Unidos, vendido principalmente para compradores na Ásia.


Com Ormuz praticamente fechado a ⁠exportações, interrupções significativas ​em Fujairah forçariam ​o terceiro maior produtor de petróleo bruto da Opep a interromper mais a produção.


Porque isso é importante para os mercados de petróleo e combustível?

O porto tem uma capacidade de armazenamento de 18 milhões de metros cúbicos, o que o torna um ​dos principais centros mundiais de armazenamento de petróleo bruto e combustíveis, bem como de operações de mistura.


A ​mistura no setor de ⁠petróleo é o processo de misturar diferentes componentes de petróleo para criar produtos ⁠acabados, como gasolina, que atendam a padrões específicos.


As principais empresas globais de armazenamento operam no porto, incluindo VTTI, Vitol, ADNOC, Vopak e outras.


A zona industrial de Fujairah Oil abriga a maior capacidade de armazenamento comercial de produtos refinados do Oriente Médio.


(Reportagem de Ahmad ​Ghaddar)

EUA estimam custo da guerra no Irã em mais de US$11 bi em seis dias, diz fonte

O valor, informado em uma reunião a portas fechadas para senadores na terça-feira, não incluiu o custo total da guerra

Autoridades do ⁠governo do presidente Donald Trump estimaram, ⁠durante uma reunião com o Congresso nesta semana, que os ‌primeiros seis dias da guerra contra o Irã custaram aos Estados Unidos pelo menos US$11,3 bilhões, disse uma fonte familiarizada ‌com o assunto nesta quarta-feira.



O valor, informado em uma reunião a portas fechadas para senadores na terça-feira, não incluiu o custo total da guerra, mas foi fornecido aos parlamentares, que demandam mais informações sobre o conflito.


Diversos assessores do Congresso disseram esperar que ⁠a ‌Casa Branca apresente em breve ao Congresso uma solicitação de ⁠financiamento adicional para a guerra.


Algumas delas avaliam que o pedido poderia ser de US$50 bilhões, enquanto outras disseram que essa estimativa parece baixa.


O governo não forneceu uma avaliação pública do custo do conflito ou uma ideia clara de ​previsão de duração. Trump disse, durante uma viagem ao Kentucky nesta quarta-feira, que ‘vencemos’ a guerra, mas que os Estados Unidos ​vão permanecer na luta para terminar o trabalho.


O valor de US$11,3 bilhões foi divulgado pela primeira vez nesta quarta-feira pelo New York Times.


A campanha contra o Irã começou em 28 de fevereiro com ataques aéreos norte-americanos e israelenses e, ‌até o momento, matou cerca de 2.000 ​pessoas, em sua maioria iranianos e libaneses, enquanto o conflito se espalha para o Líbano e lança o caos sobre os mercados globais de energia ⁠e transporte.


Autoridades do governo ​norte-americano também informaram ​aos parlamentares que foram usados US$5,6 bilhões em munições durante os dois primeiros ⁠dias de ataques.


Membros do Congresso, que ​em breve terão que aprovar um financiamento adicional para a guerra, expressaram preocupação com o fato de o conflito esgotar os estoques ​militares dos EUA em um momento em que o setor de Defesa já estava lutando para acompanhar a ​demanda.


Trump se reuniu ⁠com executivos de sete empresas de defesa na semana passada, enquanto o Pentágono trabalha ⁠para reabastecer suprimentos.


Parlamentares democratas exigiram um depoimento público, sob juramento, dos funcionários do governo sobre os planos do presidente republicano para a guerra, inclusive quanto tempo ela pode durar e quais os planos para o Irã após o fim dos combates.

Trump ameaça atacar o Irã com 20 vezes mais força se o país fechar Estreito de Ormuz

O líder americano também prometeu destruir alvos que "tornarão virtualmente impossível para o Irã se reconstruir, como Nação, novamente"

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira (9) atacar o Irã com “vinte vezes mais força” do que já foi atingido se o país “fizer algo que interrompa o fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz”.



O líder americano também prometeu destruir alvos que “tornarão virtualmente impossível para o Irã se reconstruir, como Nação, novamente”.


“Morte, Fogo e Fúria reinarão sobre eles”, disse Trump, em publicação na rede Truth Social.


O presidente americano afirmou ainda que a nova ameaça ao regime iraniano é “um presente dos Estados Unidos da América para a China e todas aquelas Nações que usam intensamente o Estreito de Ormuz”. (Infomoney)


Guerra do Irã traz temor de estagflação e mercado liga “modo pânico” para se proteger

Petróleo perto de US$ 120 e temor de recessão abalam mercados globais e já eliminam US$ 6 bilhões em ativos

O otimismo de que a guerra no Oriente Médio poderia ter uma solução rápida está desaparecendo rapidamente dos mercados financeiros.



O que até poucos dias era uma postura cautelosa de espera deu lugar a um movimento mais decisivo: investidores passaram a precificar um choque de oferta mais profundo e duradouro, capaz de pressionar o crescimento econômico e reacender a inflação. Desde o início da guerra no Irã, cerca de US$ 6 trilhões em valor de mercado de ações globais foram eliminados. Os mercados de títulos também sofreram perdas, enquanto investidores recalibram expectativas para juros.


Embora as bolsas tenham reduzido parte das quedas e o petróleo tenha devolvido parte da alta após a notícia de que países do G7 discutirão liberar reservas estratégicas de petróleo, os movimentos de mercado nesta segunda-feira ainda foram expressivos.


A mudança ganhou força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que o país considera atacar áreas do Irã que ainda não haviam sido alvo de bombardeios, enquanto a liderança iraniana prometeu não recuar. Trump também disse que um petróleo a US$ 100 por barril seria “um preço muito pequeno a pagar” por “segurança e paz”, frustrando expectativas de que o conflito permaneceria limitado.


Com o petróleo se aproximando de US$ 120 por barril no início do dia, operadores passaram a considerar que o mercado já não está posicionado para um confronto curto. O Brent chegou a subir 29% durante o pregão, o maior movimento intradiário em quase seis anos. Indicadores de volatilidade nas bolsas também avançaram e os volumes de negociação na Ásia superaram amplamente as médias mensais.


“O pêndulo está se movendo para o pânico”, disse Danny Wong, diretor-executivo da Areca Capital. “Há uma corrida para vender ou reduzir exposição a qualquer tipo de ativo de risco.”


Os temores de desaceleração econômica global surgem em um momento em que os mercados já estavam pressionados por preocupações com o impacto da inteligência artificial em diversos setores e por tensões crescentes no mercado de crédito privado.


À medida que os mercados abriram em diferentes fusos horários na segunda-feira, níveis técnicos importantes foram rompidos rapidamente em ações, títulos e moedas. O dólar se fortaleceu, enquanto empresas de energia registraram ganhos.


Em determinado momento, as bolsas asiáticas chegaram a cair 5,6%, a maior queda desde abril. O índice Bloomberg Dollar Spot ampliou sua alta.


“Os investidores tiveram que aumentar a probabilidade do pior cenário”, disse Rajeev de Mello, gestor de portfólio macro global da Gama Asset Management. “O desafio é a natureza estagflacionária desse choque.”


Um dos gatilhos para a venda de ativos foi a notícia de novos ataques à infraestrutura energética pelos dois lados do conflito, aumentando o risco de um choque duradouro na oferta de energia. O temor de uma guerra prolongada também foi reforçado pela nomeação do filho do aiatolá Ali Khamenei como novo líder supremo do Irã.


“Achei que conseguiria dormir esta semana, mas não mais”, disse Matthew Haupt, gestor de hedge fund da Wilson Asset Management. “Os investidores estão se preparando para um inverno longo.”


Queda nos títulos

Os títulos também recuaram na Ásia, com rendimentos subindo dois dígitos na Austrália, Nova Zelândia e Coreia do Sul.


Na Europa, particularmente sensível a preços mais altos de energia, os mercados também sofreram fortes perdas. Os rendimentos de títulos de curto prazo no Reino Unido subiram quase 60 pontos-base desde o início da guerra, enquanto ações de empresas europeias chegaram a cair 3,1%.


“O mercado está vendendo tudo hoje, independentemente de tamanho ou estilo”, disse Taku Ito, gestor-chefe de portfólio da Nissay Asset Management. “Se a inflação persistir enquanto a demanda por trabalho enfraquece, uma recessão nos EUA se tornará inevitável.”


O custo de proteção contra inadimplência de empresas de alta qualidade também aumentou e atingiu o nível mais alto desde maio na Europa e na Ásia. Investidores estão reduzindo apostas otimistas em crédito global que somavam centenas de bilhões de dólares.


O índice global de crédito corporativo de alta qualidade praticamente perdeu todos os ganhos acumulados no ano, revertendo rapidamente a valorização de 1,6% registrada pouco mais de uma semana atrás.


Saída de capital

Investidores estrangeiros retiraram US$ 14,2 bilhões de ações de mercados emergentes asiáticos, excluindo a China, na semana passada — a maior saída desde pelo menos 2009, segundo dados compilados pela Bloomberg.


As vendas se concentraram em Coreia do Sul e Taiwan, mercados dominados por empresas de semicondutores que haviam atraído investimentos globais ligados à inteligência artificial.


Indicadores de volatilidade ligados ao Nikkei 225 do Japão e ao NSE Nifty 50 da Índia saltaram até 62% e 23%, respectivamente, atingindo os níveis mais altos desde meados de 2024. Na Coreia do Sul, a queda das ações chegou a provocar uma interrupção temporária das negociações.


“Quando os mercados enfrentam um ‘cisne negro’, tudo pode cair ao mesmo tempo”, disse Anna Wu, estrategista de investimentos da VanEck Associates. “É o que estamos vendo hoje: vendas em todos os cantos, de ações a títulos e moedas — exceto petróleo e dólar.”


O índice MSCI Asia Pacific está agora a cerca de 1% de uma correção técnica, enquanto o MSCI Emerging Markets também se aproxima desse nível. O Euro Stoxx 50 seguiu trajetória semelhante.


Parte da queda reflete o forte desempenho anterior dos mercados. Coreia do Sul e Taiwan haviam atingido máximas de vários anos impulsionadas pela demanda por chips de inteligência artificial, deixando as avaliações esticadas. O choque no petróleo agravou a pressão, destacando a vulnerabilidade da Ásia a interrupções no fornecimento de energia.


Uma parcela significativa das importações de petróleo e gás natural liquefeito da região passa pelo Estreito de Ormuz, agora no centro do conflito. China, Índia e Indonésia estão entre os maiores importadores de petróleo do mundo, enquanto Coreia do Sul e Taiwan são particularmente dependentes do fornecimento energético do Golfo.


“A situação atual é dominada por emoções como medo e incredulidade”, disse Hironori Akizawa, gestor da Tokio Marine Asset Management. “Estou aumentando o nível de caixa.”


Governos da região já discutem medidas para limitar os impactos. Coreia do Sul e Taiwan avaliam intervenções para estabilizar os mercados e formas de conter o custo doméstico de combustíveis.


No mercado de juros, investidores passaram a reduzir apostas em cortes de taxas nos Estados Unidos. Agora, a expectativa para a próxima redução de 0,25 ponto percentual pelo Federal Reserve foi empurrada para setembro, enquanto antes da guerra o mercado precificava um corte já em julho. Alguns operadores de opções já consideram a possibilidade de que o Fed não reduza os juros neste ano.


Na zona do euro, por outro lado, investidores passaram a apostar em duas altas de juros neste ano, com a primeira podendo ocorrer já em junho.


“O petróleo é o ponto de ignição”, escreveu Nigel Green, diretor-executivo da consultoria financeira deVere Group. “A segurança energética voltou a ser o principal tema macroeconômico. A estagflação muda radicalmente o ambiente de investimento.”


©️2026 Bloomberg L.P.

Publicidade
Entre no nosso grupo de notícias Receba as principais informações em primeira mão.
Entrar