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CRÔNICA DE FIM DE SEMANA - Quem não tem história não sustenta discurso em Rondônia

O ano mal começou e o caldeirão político de Rondônia já ferve. As eleições de outubro dão as caras e arrivistas de plantão se assanham em lançar candidaturas.

foto - edição Rondonoticias

Nos sites e noticiários, surgem pretendentes aos cargos eletivos como quem fareja o poder à distância e corre para alcançá-lo a qualquer custo. É sempre assim: A democracia atrai interessados. O problema surge quando a quantidade, somada à biografia dos ungidos, ameaça sufocar a qualidade do processo eleitoral. Fique atento.

Na década de 80, no início da formação política do Estado, venceu quem correu mais e ocupou espaços vazios. Era outro tempo, outra urgência — e isso abriu caminho para aventureiros e despreparados. Rondônia, porém, já não é mais terra de improvisos. Não é mais o lugar onde qualquer um fincava bandeira, colhia votos e depois pegava a estrada, deixando para trás promessas e frustrações, como fez o ex-deputado federal Múcio Athaíde.

Nesse período, quase nos acostumamos a caminhar entre cobras e lagartos. Canibais da política, espertinhos de toda ordem, alguns cassados, outros salvos por atalhos jurídicos — todos ávidos por morder o que restou de vergonha pública. Homens de palavra curta e biografia longa em escândalos, tentando ensinar moral depois de vender a própria mãe.

Tais formigas fizeram estrago. Mordidas silenciosas, transferências suspeitas, roubalheiras miúdas, escândalos no Executivo, no Legislativo, prisões. Um conjunto de fatos que abriu fendas profundas no peito do eleitor desta terra.

Hoje, no entanto, o Estado já não comporta corpos estranhos disputando o comando do que pertence ao coletivo e não basta prometer: é preciso atravessar os anos sem se vender a eles. A política desta terra deixou de ser abrigo para carreiras ocas e passou a exigir densidade humana e há um divisor claro.

De um lado, os que prestam. Do outro, os 'ocasionistas', os arrivistas, os “safadistas” de plantão — figuras que reaparecem de quatro em quatro anos com discurso reciclado e passado mal explicado. A paciência social se esgotou, e o voto passou a pesar como consciência, não mais como impulso.

O povo já apanhou feio e deve ter aprendido a distinguir quem caminhou pelas brenhas do Estado com o suor do próprio rosto e fez entregas, de quem apenas deslizou sobre o esforço alheio e “se deu bem”.

Isso precisa ser dito porque a política rondoniense entrou numa fase em que o passado cobra a conta do presente. O improviso perdeu espaço para a responsabilidade. Caráter não se improvisa em ano eleitoral.

Que se diga com franqueza: a atual bancada federal atravessou esta legislatura com presença discreta, quase invisível. Baixo clero. Pouca voz. Pouca entrega. A exceção foi a deputada Sílvia Cristina, que honrou o mandato, trabalhou, apareceu e entregou resultado. O restante passou como pegada na areia — vem a onda e leva.

Presumo — e tomara Deus — que o eleitor tenha amadurecido o olhar e endurecido o critério. Neste chão, não há mais espaço para ingenuidade nem encenação. Quem não tem história não sustenta discurso. É tempo de refletir. Quando o excesso apodrece, a consciência coletiva exige limpeza geral. Não se trata de perseguição nem de radicalismo. Trata-se de seleção histórica. Quem não sustenta o próprio peso moral fica pelo caminho. O alerta é claro: há gente se lançando com a alma já apodrecida. Olho vivo.

Ainda bem que ainda sobraram homens de bem. Poucos, mas decisivos. Gente que atravessou o mar de lama sem se lambuzar, contrariando a versão catastrófica do Estado com trabalho, presença e decência. Como dizia Santo Agostinho: “Mantiveram-se santos convivendo com o lodo.” Quando falam, encantam. Não espantam.

Esta crônica é um aviso há nove meses das eleições. Um alerta de fim de semana de quem acompanha a política rondoniense há mais de trinta anos. Em outubro, o voto não pode ser aposta cega. Precisa ser depositado em homens e mulheres de mãos limpas, com história, lastro e coragem para acenar com o lenço — e serem reconhecidos.

Porque, com sósias de virtude duvidosa, o risco é enorme. E esse risco Rondônia já pagou caro demais. O poder por aqui não pode ser prêmio. Tem que ser missão. Ponto.

Ainda bem que há tempo para refletir — e para vigiar os arrivistas que ensaiam candidaturas fajutas.

Reflitamos, então!

Até sexta!
Amém.

Autor -  Arimar Souza  de Sá

O autor é jornalista, advogado e apresentador do Programa A VOZ DO POVO da Rádio Caiari, FM.

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Texto anterior - A violência contra a mulher – O ventre que gera vida não pode sangrar - por Arimar Souza de Sá

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As opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial deste jornal.

A violência contra a mulher – O ventre que gera vida não pode sangrar - por Arimar Souza de Sá

foto - edição Rondonoticias

Arimar Souza de Sá*

O Brasil tem sido pródigo e sangra suas mulheres. As estatísticas de agressões, estupros e mortes não são números: são epitáfios frios de uma sociedade adoecida. Cada dado é um grito interrompido, uma dignidade esmagada, uma vida reduzida a silêncio para engrossar as estatísticas.

Bater ou violentar uma mulher é uma das maiores indignidades morais da condição humana. É a violência em seu estágio mais bruto, animalesco e covarde. É a ruindade lançada contra quem carrega o dom sagrado de gerar a vida. Não há justificativa possível. Há crime. E crime exige punição firme, sem atalhos, sem desculpas, sem indulgência, sem nada...

O pior é que essa barbárie tem rosto. Tem endereço. Lembro de uma professora de Candeias do Jamari que denunciou o agressor, buscou ajuda e foi assassinada ao voltar para casa. Como se não bastasse, o criminoso ainda atacou o pai da vítima. Um retrato nu da brutalidade.

Ferir ou matar uma mulher — física ou psicologicamente — é escolher o tacape da barbárie quando o que se exige é razão, humanidade e civilidade. É transformar o lar em trincheira. É reduzir a vida à condição de posse. É o fracasso moral em estado puro.

Ora, é inadmissível que, em pleno século XXI, a violência contra a mulher cresça como erva daninha em terreno abandonado. Parece que a civilização engatou marcha à ré, resgatando práticas sombrias travestidas de modernidade. É o atraso com maquiagem nova. Cruz credo! O quadro é grave. Escandaloso. E exige reação imediata.

Se o debate ganha luz no Ministério Público de Rondônia, que essa luz seja farol — não lâmpada fraca. Mas nenhuma instituição, sozinha, dá conta do problema. É preciso que a sociedade feche fileiras, endureça o discurso e sustente, sem vacilos, a erradicação dessa chaga moral.

Façamos, então, cara feia — como tem feito o procurador de Justiça e escritor Heverton Aguiar — a esses pseudos-homens, valentões de quintal e covardes de consciência. Que o tema ecoe nos lares, nas igrejas, nas escolas, nas feiras, nos parlamentos e nos gabinetes do poder. Porque o silêncio também agride brutalmente.

Por honestidade os homens precisam reconhecer. A mulher já não caminha à sombra. Ocupa o centro da cena social — ainda que parte da plateia insista em aplaudir a violência. As estatísticas são o espelho quebrado de uma sociedade que evita encarar o próprio rosto.

Somam-se a isso outras mazelas, como a omissão vergonhosa no combate ao álcool e às drogas — caldeirões onde a violência doméstica ferve. As maiores vítimas são mulheres, mães e esposas, muitas delas feridas pela dor de filhos perdidos e companheiros dominados pela fúria entre quatro paredes.

Mas ainda assim, elas resistem. Rasgaram o véu mofado do machismo e se firmaram como pilares, faróis e bússolas de um novo tempo. Nunca devem ser silenciadas, violentadas ou exterminadas. Igualam-se — e muitas vezes nos superam — em inteligência, sensibilidade e força.

A esperança nasce quando a brutalidade recua, o diálogo avança e o feminicídio perde espaço. Quando construirmos uma sociedade de homens, não de “machos”. Quando expulsarmos a arrogância primitiva de nos julgarmos donos do mundo e das mulheres. Todos fomos gestados no ventre de uma mulher. Viemos ao mundo pelo milagre da coragem feminina.

Por isso, deixo um apelo direto ao homem do meu tempo: meça o peso moral de seus atos. Tens mãe, irmã, filha ou companheira. Ficarias inerte se a violência as alcançasse?

Então proteja. Respeite. Cuide. As mulheres são sementes do mundo — e nenhuma semente floresce sob o punho da brutalidade.

Que o amor, a inteligência e o respeito prevaleçam.
Que a violência seja lançada ao lixo da história.
Porque, enquanto houver silêncio, haverá sangue e vidas que não voltam mais.

Que Deus nos ajude. Amém.

O autor é jornalista, advogado e apresentador do Programa A VOZ DO POVO da Rádio Caiari, FM.

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Texto anterior - Crônica de Fim de Semana - Mutirão de Amor , por Arimar Souza de Sá

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As opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial deste jornal.

Crônica de Fim de Semana - Mutirão de Amor , por Arimar Souza de Sá

Crônica de Fim de Semana  - Mutirão de Amor , por Arimar Souza de Sá

foto - edição Rondonoticias

Hoje é sexta-feira! No banho da manhã, deixei a água cair nos ombros como quem lava a alma, ouvindo a música Mutirão de Amor, na doce voz de Roberta Sá — (logo SÁ)

— e no balanço gostoso de Zeca Pagodinho. Enquanto ensaboava o corpo para sair e enfrentar a vida, escutei essa composição de Jorge Aragão lembrando que “cada um de nós deve saber se impor e até lutar em prol do bem-estar geral”...

Ah, Jorge Aragão… esse poeta do cotidiano que transforma sabedoria popular em melodia. E eu, no meu palco exclusivo de azulejo, cantei à beça, me alinhei a ele para começar o dia do jeito certo.

Respirei um ar puro, me enchi de entusiasmo e “vambora”. A música me conduziu a propor ao povo rondoniense — e por que não ao Brasil inteiro? — um Mutirão de Amor, pedindo um pouco de descanso para o coração do país. Abri a janela, deixei o sol entrar devagar e permiti que a melodia tomasse conta da casa. Afinal, diz o poeta na canção: “afastar da mente todo mal pensar, saber se respeitar, se unir pra se encontrar”...

E foi ouvindo e viajando em cada verso que pensei nesse Brasil cansado. Cansado de Lula versus Bolsonaro, de esquerda e direita, de discussões que começam no café e terminam no jantar. Um país exausto de tropeçar, dia após dia, nos ressentimentos deixados no meio da sala da nação como se fossem decoração permanente — poeira emocional que ninguém varre, móvel pesado que ninguém muda, pedra de tropeço que se recusa a sair do caminho.

Nas padarias, no zap da família, no trabalho… basta olhar. A polarização senta no meio da conversa, ajeita a cadeira e não vai embora. Rouba o riso, abafa o afeto e empurra para longe a leveza que merecemos. O que deveria ser congraçamento vira frustração — e às vezes até briga da braba. Ave Maria!

Mas, felizmente, existe outro Brasil. O Brasil silencioso. Aquele que acorda cedo, faz uma oração antes de sair, paga as contas, abraça forte quem ama e não tem tempo para ódio porque está ocupado vivendo. A brava gente desse Brasil sadio sabe que o remédio não está na farmácia, mas no suor do rosto, no respeito, na união e no olhar mais demorado sobre o outro — remédios da alma, desses que não vêm em caixa, mas que curam feridas profundas.

É esse Brasil que a música Mutirão de Amor inspira. É esse Brasil que pede — com voz mansa — um mutirão de amor coletivo. E não é amor de novela das seis. É amor de gente grande: que desarma, que desencana a conversa, que derruba muros, que baixa a febre das ideias inflamadas.

Um amor que começa no básico: ouvir sem atacar, discordar sem destruir, perdoar sem humilhar, conviver sem ferir e, como diz Aragão, ‘se manter respeitado para ser amado’. Isso sim é amor de verdade!

É claro que o mutirão que proponho, em parceria com o compositor, começa dentro da gente — no instante em que arrancamos o mal pela raiz, esse mal que se esconde atrás do famoso: “é minha opinião, respeite”. Mal pensar é escolha, mas o bem também é. E toda escolha é uma porta: ou abre para luz, ou abre para o breu.

Ora, o país está faminto de gestos pacíficos. De boas palavras. De vozes que cantem — mesmo desafinadas como a minha no banheiro — lembrando que a vida pode ser simples. De gente que não dá palco para os malvados — porque malvado sem plateia murcha, se lasca. De quem perdoa porque sabe que rancor pesa — e pesa como pedra molhada. De quem entende que amor não é fraqueza — é virtude da boa.

Pois é! Se cada um fizer a sua parte — e aqui não tem frase pronta, tem convocação — as barreiras viram pó. Sobra espaço e luz para o reencontro: com o bom dia conciliador, o deixa pra lá, o você tem razão, o “vamos juntos nessa?”.

Estejam certos: o Brasil não precisa de heróis. Precisa de pessoas normais — tipo eu, você. Gente disposta a colocar menos raiva e mais serenidade nas conversas. Menos incertezas e mais coração.
No fim, ser feliz não é projeto individual — é obra coletiva, porque gastar energia com besteira é uma m...

E se a gente começar agora, talvez o país acorde neste sábado mais leve: sem muros, sem punhais na palavra, sem a gritaria que divide. Porque, como diz a canção: “nem tudo está perdido”.

E quando a gente canta — mesmo cansado — é porque ainda acredita. E acreditar, no Brasil de hoje que degringola ladeira abaixo, já é um ato de coragem. É um ato de puro amor. Então, meus fiéis leitores das Crônicas de Fim de Semana, peço licença para me unir a Jorge Aragão e convocar vocês:

Bora para esse mutirão?

Prometo que não precisa trazer vassoura, nem rodo, nem água sanitária — só boa vontade, um sorriso na cara e disposição para cantar sempre que for possível, como está expresso na letra de Jorge Aragão.

E, para quem ainda não conhece a música, faça esse favor a si mesmo: ouça Mutirão de Amor.
Deixe a melodia bater no peito e, dela, derive uma atitude que apague o fogo dessa criminosa polarização.

Porque, afinal, como diz o poeta: o fim do mal pela raiz, nascendo o bem que eu sempre quis, é o que convém pra gente ser feliz.”
E que assim seja — hoje, amanhã e sempre.

Amém!
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As opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial deste jornal.

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CRÔNICA DE FIM DE SEMANA - Sou impaciente e tenho motivos de sobra


CRÔNICA DE FIM DE SEMANA –
SOU IMPACIENTE E TENHO MOTIVOS DE SOBRA

Arimar Souza de Sá

Os dias me atravessam como setas. Às vezes, acordo com a sensação de que o Brasil inteiro perdeu o compasso — e virou um cabaré de quinta... O clamor social apavora, e a desesperança faz folia nessa aventura de túmulos gestados pela impaciência humana. O tic-tac do relógio me incomoda: nascimento, vida e morte, sempre no mesmo compasso. Nas ruas de Porto Velho, o cansaço se revela cedinho. Trânsito travado, “espertos” furando fila, buzinas nervosas e manchetes sombrias no rádio do carro compõem o retrato de um país esgotado.

A paciência virou artigo de luxo: falta nos hospitais, repartições, conversas e redes sociais, onde a busca por likes transforma a fama em mercadoria e o caráter em mero detalhe.
Entristece-me ver filas intermináveis nos hospitais e o desprezo pelos pacientes que esperam por uma cirurgia ou uma simples radiografia — vítimas de uma “regulação” que, em Rondônia, virou deboche. No João Paulo II, homens e mulheres se amontoam em macas, como em tempos de guerra — um horror, um pecado mortal coletivo.

Mesmo na maturidade, continuo inquieto diante da burrice abissal das trevas que sufocam a inteligência e o conhecimento humano. Quando a serenidade me visita, a inteligência me agrada, a sabedoria me apavora favoravelmente, e a burrice de certas autoridades me faz lastimar.
Como pode a Assembleia conceder título de cidadão a Benjamin Netanyahu e a um personagem enrolado até o talo no escândalo do INSS? É zombar da ética e da história de um povo que ergueu este Estado com suor e esperança. Lamentavelmente, a politicagem, as vaidades e o compadrio substituíram a razão. As decisões judiciais, às vezes, afrontam o próprio Direito. E a moral derretida de “gente grande” apaga tradições e memória. Credo, como essa gente virou lobo de si própria!

Revolto-me com os solavancos do cotidiano — no crepitar dos fardos que carrego, seja como comunicador, no programa A Voz do Povo, seja no exercício do Direito. Talvez, por envelhecer mais um ano no último dia 06/10, tenha ficado mais exigente e não tolere os templos onde o vil metal é exaltado sob o pretexto de “religar o homem à divindade”, nem os políticos que criticam adversários e depois repetem seus erros.

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Sinto-me impaciente com a fome que grassa em pleno século XXI, enquanto o governante diz tê-la erradicado e doa o suor do povo às ditaduras para fortalecer ideologias. Assusta-me a violência que domina as cidades, com mães sepultando filhos, e entristece ver pais que abdicam de educar, deixando os rebentos expostos às telas, às ruas e às drogas.

Quando a dor me abate, rogo a Deus que não a entregue a mais ninguém — nem a do corpo, nem a da alma, nem a da fome que açoita os pedintes das ruas. Mesmo impaciente, gosto de ver as chuvas do inverno amazônico: nelas, sinto o banho de Deus na humanidade portovelhense.

Talvez por isso eu me reconheça impaciente — não com o tempo que passa, mas com o que se desperdiça em discussões inúteis.
À noite, tento desanuviar, mas a TV despeja guerras de narrativas da tal polarização e muita violência.

Porque sou impaciente, quero para mim e para todos um espaço digno de viver — como os passarinhos que beijam as flores nos ninhos celestiais do Criador.

Rejeito toda torpeza e consagro a vida que levo nos meus momentos de paz. Vibro com o sorriso das crianças e o olhar sereno dos mais velhos.
Curvo-me à experiência dos mestres — e à grandeza da sabedoria humana, especialmente quando entrevisto o ex-senador Amir Lando.
Adoro a quilometragem dos anos e a busca incessante do saber e seu exercício.

Quero permanecer simples: leitor inveterado, amante do rádio, do sol e da poesia.
Escrevo crônicas desde a década de 1980 e as gesto vestindo-me da inocência dos tempos da Baixa da União, quando eu teimava que a lua era o sol e que nela morava São Jorge, espada em punho, pronto para matar os inimigos do mundo.
Reconheço: somos iguais na essência e na vontade de Deus.

No final, com o sinal da cruz, repito a oração que me comove:

“Benditos sejam os que chegam em nossas vidas em silêncio, com passos leves, para não acordar nossas dores, não despertar nossos fantasmas, não ressuscitar nossos medos.”
“Benditos sejam os que se dirigem a nós com leveza, falando o idioma da paz.”
“Benditos sejam os que tocam o coração com carinho e aceitam nossos erros e imperfeições.”
“Benditos sejam os que escolhem ser doação.”
“Benditos sejam, enfim, os seres iluminados que nos chegam como anjos, flor ou passarinho, que dão asas aos nossos sonhos e escolhem ficar e ser ninho ao lado de nossas fraquezas.”

E lembro Mário Quintana:
“Eles passarão... eu, passarinho.”

E, somente assim, nas sendas da poesia e da resiliência, talvez um dia minha impaciência se dissolva no colo da eternidade.
Por enquanto, vou tentando administrá-la como Deus vai deixando.

Que assim seja. Amém!

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