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Forte incentivo à leitura e digitalização serão marcas de 2026 na Biblioteca Francisco Meirelles

MONTEZUMA CRUZ*

Rojeane Lima: um trabalho que põe o imaginário das crianças e criar suas próprias histórias (Fotos Montezuma Cruz)

A equipe da Biblioteca Municipal Francisco Meirelles ingressou com muito ânimo em 2026. Apesar do avanço voraz das tecnologias digitais, ainda prosperam no cotidiano métodos e atividades que funcionam há décadas, permitindo alcançar resultados positivos. Durante uma hora anotamos o que aconteceu ali no ano passado, o que faz perceber como será o movimento a partir de agora. O acervo ultrapassa 60 mil volumes.

A primeira notícia alvissareira é a digitalização de coleções de jornais antigos, com o apoio do Instituto Federal de Rondônia (IFRO) de Ji-Paraná. A reivindicação vem sendo reforçada por academias de letras, historiadores, pesquisadores e pela Confraria 30+, que reúne um grupo de jornalistas veteranos.

Sonho dessa gente toda e compromisso do diretor Carlos Augusto da Silva, desta vez parece que dará certo o projeto de salvação de páginas e páginas que contam histórias regionais desde o início do século passado.

Alto Madeira: IFRO de Ji-Paraná deu o primeiro passo na digitalização das coleções do jornal no século passado

São milhares de exemplares, a maior parte deles de edições do século passado: Alto MadeiraO GuaporéO Estadão de Rondônia (e do Norte), e raridades, a exemplo de O Humaythaense.

Se uma considerável parcela de visitantes é constituída por concurseiros, sempre há também os que procuram obras de autores regionais, cuja secção é supervisionada pela servidora Ana Pimentel.

A servidora Elderlândia Prado atribui aos leitores mais frequentes parte do êxito da biblioteca. “São os que classificamos de vip, que a cada livro lido ganham o direito de emprestar outros cinco para casa, mantendo assim uma relação de confiança conosco”, explica.

Ela conduz o repórter à Sala de Leitura Braille, apoiada diretamente pela Fundação Dorina Nowill, de São Paulo, que existe há 70 anos prestando serviços de habilitação e reabilitação, e promovendo iniciativas e projetos que contribuem com a maior acessibilidade, inclusão e autonomia de pessoas cegas e com baixa visão.

A Fundação totaliza mais de 6 mil títulos, imprimiu 2 milhões de volumes em Braille e mais de mil títulos nesse sistema. Também produziu mais de 2,7 mil obras em áudio e cerca de outros 900 títulos digitais acessíveis.

Bíblia Sagrada e livros em Braille atendem especialmente estudiosos do sistema que permite que as pessoas cegas leiam e escrevam de forma independente, sem depender de intermediários ou de tecnologias de áudio, o que facilita sobremaneira tarefas diárias, identificação de medicamentos, preços, e a vida social e profissional.

Elderlândia: cuidando de livros infantis e incentivando usuários vips a nova leitura

Na mesma visita, notamos que a organização e reorganização são tarefas sublimes durante todo o expediente. O zelo com livros antigos, a recuperação de capas e o ordenamento por títulos envolvem diariamente atendentes do balcão principal.

Na sala de crianças e jovens, um único livro – “Harry Potter e o Cálice de Fogo” – foi procurado todos os meses, e da mesma forma, os 15 volumes do “Enigma do Príncipe”. As estantes também possuem diversos livros didáticos de Ciências, Geografia e História.

“O pessoal do TRE veio estudar Braille com a professora Sebastiana Santana”, conta Elderlândia. A pedagoga é servidora municipal em Porto Velho e trabalha com alfabetização em Braille, sendo reconhecida como exemplo de superação após perder a visão. A professora Elane Lacerda também cuida desse espaço e dos usuais frequentadores.

A bibliotecária Rojeane Lima conduz o repórter ao Clube de Leitura, uma seção bem procurada até por crianças com dificuldade em leitura. Às 4as feiras alunos escolares visitam o Centro Histórico e a biblioteca está no roteiro.

O que se vê na biblioteca é o bonito esforço de cada servidor no espírito de “se dar as mãos”, a fim de viabilizar ideias e conviver com o mundo digital. Alunos têm à disposição um projeto no qual contam suas próprias histórias e as publicam ali mesmo, com apoio da equipe.

De 40 crianças, 17 escreveram histórias e finalizaram agenda. As bibliotecárias se lembram dos irmãos Maurício e Mariana Carvalho, que aos 12 anos deixaram suas histórias escritas nesse clube.

“Você diz que não sabe ler, sabe sim”, Rojeane estimula aqueles que não demonstram tanto interesse. Abre livros sem textos, contendo somente figuras, inicia uma frase e vê dezenas de outras pronunciadas. Ou seja, pelos desenhos as crianças criam histórias. “É uma realização para nós todas”, resume.

“A Rede Municipal avisa a Semed, organizam o transporte, nós ajudamos na aventura. Trata-se de uma visita guiada, na qual elas ficam um tempo e se descobrem com esse imenso mundo da leitura”, ela explica.

O despertar para a leitura deve ser buscado ininterruptamente, ela propõe. E manifesta a vontade de obter um aprendizado de resultados. Justifica: "Ler sem entender é igual comer sem digestão, eu aprendi com um professor da Uespi”, assinala Rojeane. Concluindo: “Despertar o gosto pela leitura, assim se tem um leitor para a vida toda.”

Graduada em espanhol e biblioteconomia, Rojeane veio para Porto Velho depois de um longo aprendizado na Universidade Estadual do Piauí (Uespi). “Me deu muita vontade de trabalhar aqui, eu continuo estudando muito a respeito da Capital e do Estado”, diz.

Porto Velho – a cidade erguida nos trilhos da esperança e Rondônia – O desbravador do Brasil, e o Boto da Amazônia são temas em destaque atualmente.

Seção infantil faz a Biblioteca Francisco Meirelles atrair leitores mirins no momento do avanço digital

Crianças seguem altamente prestigiadas pela equipe da Francisco Meirelles, que angaria brinquedos e chocolates para a Festa da Páscoa e a celebração nacional de outubro. No Hospital Infantil Cosme e Damião a equipe leva máscara e malas com fantasias para divertir crianças pacientes. Atua também no Centro de Convivência do Idoso, na Avenida Amazonas, e na Casa do Ancião São Vicente de Paulo, com leitura de histórias.

No Instagram a Biblioteca promove a Gincana Literária, cujo projeto escolhe uma escola da cidade, tendo alcançado a zona rural. “Estivemos na Cachoeira do Teotônio, na Escola Barcelos, e na Linha Progresso, no final do bairro Ulysses”, conta Rojeane.

A Biblioteca Itinerante é outro programa que volta este ano, contemplando especialmente a periferia da Capital. Nesse aspecto, crianças e jovens veem uma exposição fotográfica e com vídeos a respeito da história porto-velhense.

Quando o projeto foi lançado, sua idealizadora e curadora, Sorhaya Chediak, explicou que ele facilita aos porto-velhenses/rondonienses o espaço de conexão com a nossa história

As crianças de divertiram muito em 2025 com o teatro “Banho da Emília”. “Eu fiz o papel de Tia Nastácia, e a Sorarhaya interpretou Emília”, conta aludindo-se a personagens de livros infanto-juvenis do escritor Monteiro Lobato.

“Teatro e cinema preenchem, são importantes”, comenta Rojeane.

E assim se sucedem o conto, o folclore e a revivência de lendas notáveis que se juntam às histórias das margens do Rio Madeira, das ilhas, dos antigos seringais e da floresta amazônica ocidental.

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*Chegou a Rondônia em 1976. Em dois períodos profissionais esteve no Acre, norte mato-grossense, Amazonas, Pará e Roraima, a serviço da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil. Acompanhou a instalação do Centro de Triagem de Migrantes em Vilhena e a chegada dos recursos financeiros da Sudam, Polamazônia e Polonoroeste durante a elevação do antigo território federal a estado. Deu ênfase à distribuição de terras pelo Incra, ao desmatamento e às produções agropecuária e mineral. Cobriu Mato Grosso antes da divisão do estado (1974 a 1977); populações indígenas em Manaus (AM); o nascimento do Mercosul (1991) em Foz do Iguaçu, na fronteira brasileira com o Paraguai e Argentina; portos, minérios e situação fundiária no Maranhão; cidades e urbanismo em Brasília (DF).

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Nota de responsabilidade

As opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial deste jornal.

A violência contra a mulher – O ventre que gera vida não pode sangrar - por Arimar Souza de Sá

foto - edição Rondonoticias

Arimar Souza de Sá*

O Brasil tem sido pródigo e sangra suas mulheres. As estatísticas de agressões, estupros e mortes não são números: são epitáfios frios de uma sociedade adoecida. Cada dado é um grito interrompido, uma dignidade esmagada, uma vida reduzida a silêncio para engrossar as estatísticas.

Bater ou violentar uma mulher é uma das maiores indignidades morais da condição humana. É a violência em seu estágio mais bruto, animalesco e covarde. É a ruindade lançada contra quem carrega o dom sagrado de gerar a vida. Não há justificativa possível. Há crime. E crime exige punição firme, sem atalhos, sem desculpas, sem indulgência, sem nada...

O pior é que essa barbárie tem rosto. Tem endereço. Lembro de uma professora de Candeias do Jamari que denunciou o agressor, buscou ajuda e foi assassinada ao voltar para casa. Como se não bastasse, o criminoso ainda atacou o pai da vítima. Um retrato nu da brutalidade.

Ferir ou matar uma mulher — física ou psicologicamente — é escolher o tacape da barbárie quando o que se exige é razão, humanidade e civilidade. É transformar o lar em trincheira. É reduzir a vida à condição de posse. É o fracasso moral em estado puro.

Ora, é inadmissível que, em pleno século XXI, a violência contra a mulher cresça como erva daninha em terreno abandonado. Parece que a civilização engatou marcha à ré, resgatando práticas sombrias travestidas de modernidade. É o atraso com maquiagem nova. Cruz credo! O quadro é grave. Escandaloso. E exige reação imediata.

Se o debate ganha luz no Ministério Público de Rondônia, que essa luz seja farol — não lâmpada fraca. Mas nenhuma instituição, sozinha, dá conta do problema. É preciso que a sociedade feche fileiras, endureça o discurso e sustente, sem vacilos, a erradicação dessa chaga moral.

Façamos, então, cara feia — como tem feito o procurador de Justiça e escritor Heverton Aguiar — a esses pseudos-homens, valentões de quintal e covardes de consciência. Que o tema ecoe nos lares, nas igrejas, nas escolas, nas feiras, nos parlamentos e nos gabinetes do poder. Porque o silêncio também agride brutalmente.

Por honestidade os homens precisam reconhecer. A mulher já não caminha à sombra. Ocupa o centro da cena social — ainda que parte da plateia insista em aplaudir a violência. As estatísticas são o espelho quebrado de uma sociedade que evita encarar o próprio rosto.

Somam-se a isso outras mazelas, como a omissão vergonhosa no combate ao álcool e às drogas — caldeirões onde a violência doméstica ferve. As maiores vítimas são mulheres, mães e esposas, muitas delas feridas pela dor de filhos perdidos e companheiros dominados pela fúria entre quatro paredes.

Mas ainda assim, elas resistem. Rasgaram o véu mofado do machismo e se firmaram como pilares, faróis e bússolas de um novo tempo. Nunca devem ser silenciadas, violentadas ou exterminadas. Igualam-se — e muitas vezes nos superam — em inteligência, sensibilidade e força.

A esperança nasce quando a brutalidade recua, o diálogo avança e o feminicídio perde espaço. Quando construirmos uma sociedade de homens, não de “machos”. Quando expulsarmos a arrogância primitiva de nos julgarmos donos do mundo e das mulheres. Todos fomos gestados no ventre de uma mulher. Viemos ao mundo pelo milagre da coragem feminina.

Por isso, deixo um apelo direto ao homem do meu tempo: meça o peso moral de seus atos. Tens mãe, irmã, filha ou companheira. Ficarias inerte se a violência as alcançasse?

Então proteja. Respeite. Cuide. As mulheres são sementes do mundo — e nenhuma semente floresce sob o punho da brutalidade.

Que o amor, a inteligência e o respeito prevaleçam.
Que a violência seja lançada ao lixo da história.
Porque, enquanto houver silêncio, haverá sangue e vidas que não voltam mais.

Que Deus nos ajude. Amém.

O autor é jornalista, advogado e apresentador do Programa A VOZ DO POVO da Rádio Caiari, FM.

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Texto anterior - Crônica de Fim de Semana - Mutirão de Amor , por Arimar Souza de Sá

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As opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial deste jornal.

A maneira como os anúncios atraíam a freguesia, um século atrás - por Montezuma Cruz

MONTEZUMA CRUZ*

Passados 105 anos, vamos conhecer um pouco da publicidade da década de 1920 por aqui? Os anúncios eram detalhados, algo que veio se repetindo nas décadas seguintes com gêneros alimentícios, remédios, indústria e outros setores. Os jornais eram compostos ainda em tipografias. Recomendo aos mais jovens pesquisar como funcionavam as gráficas.

Grandes fabricantes e distribuidores usavam embarcações que desciam e subiam o Rio Madeira, chegavam a Porto Velho (ainda Estado do Amazonas), e alcançavam cidades bolivianas navegando pelos rios Beni e Mamoré.

Anúncios naquela década usavam textos longos com apelo máximo para convencer o consumidor. Não havia fotos, apenas imagens simples ou gravuras sobre fotografias, com apelos à modernidade e aos valores sociais e higiênicos da época.

A moeda da época era réis. Os textos eram geralmente longos, não apenas vendendo o produto, mas contribuindo para educar as pessoas via conhecimentos pedagógicos.

No jornal Alto Madeira, conforme a grafia da época:

A Formosa Syria- a casa das novidades - acaba de receber um belíssimo stock de calçados para senhoras, bem como outras novidades para ambos os sexos.


The Amazon River Steam Navigation Company (1911) Limited – vapores com regalias de paquetes – Linha do Pará – Sahidas bi-mensaes, com escalas.

Alfaiataria Madeirense
de Antônio Lima

Neste bem montado estabelecimento executam-se com a máxima perfeição e elegância, todos os trabalhos concernentes á arte. Dispondo para isso, de contramestre competentíssimo e officiaes habilitados

Especialista em obras de cinta.
Preços Módicos
Rua Rio Branco - Porto Velho

Companhia Fluvial – Madeira-Mamoré

Commandante Sr. Raul Guimarães.

“Francisco Salles” – Commandante Sr. Julião Rocha. 
N.B - Os fretes sobre borracha e outros produtos de exportação, vencidos em Porto Velho ou Santo Antônio, destinados aos vapores da Companhia Fluvial, poderão ser pagos em Manaos ou Pará.


Egualmente os fretes das mercadorias procedentes de Manaos ou Pará, destinadas a Riberalta e Trinidad, por intermédio dos agentes da Companhia Fluvial, podem ser pagos no destino contra a entrega das mercadorias, quer os da Companhia Fluvial, quer os da Madeira-Mamoré Railway Company.

Para quaisquer informações, os interessados poderão entender-se em Porto Velho com o agente, Sr. G.A. MILNE JONES

Hotel Brazil

Porto Velho – Restaurante e Botequim
Preços: primeira classe, Rs 12$000 por dia
Segunda classe:Rs. 5$000 por dia

Almoços – Lunchs e Jantares – Bebidas geladas a toda hora

Único estabelecimento que prepara banquetes a preços módicos – Cozinha variada e serviço de primeira ordem. Respeito e moralidade – Acommodações hygienicas e contáveis – Casa telada, completamente livre mosquitos

G. F. Younge - proprietario

Marchantaria do Povo
de Francisco da Silva Lima

No Mercado Público - Porto Velho
Carne verde de primeira qualidade, peso garantido

George Resky
Relojoeiro diplomado

Recommenda-se ao respeitável público de Porto Velho e do interior.

Conserta toda classe de relógios. Trabalho garantido.
Preços sem concorrência
Rua José de Alencar, em frente ao Bazar Paraense

Dr. Mendonça Lima
Médico pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro

Consutorio médico na Pharmacia Madeira
das 8 ás 11 horas da manhã e das 5 ás 6 horas da tarde

Attende a chamados, por escripto, a qualquer hora.

Cigarros Theresita

Fábrica Pará-Amazonas – A maior da Amazônia
A que mais produz – A que mais vende - a prova de que os cigarros Theresita são os melhores
Rua Conselheiro João Alfredo 14 e 16 Caixa Postal 360 Telgr: Serfaty
Agente geral para o Rio Madeira e Bolívia - M. H SERFATY & IRMÃOS

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*Chegou a Rondônia em 1976. Em dois períodos profissionais esteve no Acre, norte mato-grossense, Amazonas, Pará e Roraima, a serviço da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil. Acompanhou a instalação do Centro de Triagem de Migrantes em Vilhena e a chegada dos recursos financeiros da Sudam, Polamazônia e Polonoroeste durante a elevação do antigo território federal a estado. Deu ênfase à distribuição de terras pelo Incra, ao desmatamento e às produções agropecuária e mineral. Cobriu Mato Grosso antes da divisão do estado (1974 a 1977); populações indígenas em Manaus (AM); o nascimento do Mercosul (1991) em Foz do Iguaçu, na fronteira brasileira com o Paraguai e Argentina; portos, minérios e situação fundiária no Maranhão; cidades e urbanismo em Brasília (DF).

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Texto anterior -  A terra treme em Porto Velho
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