Últimas Notícias
Brasil
Mostrando postagens com marcador Colunistas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Colunistas. Mostrar todas as postagens

O menino viu - por Montezuma Cruz

Montezuma Cruz*

Menino Vilhena - Kin-ir sem Pires Leal


O garoto que caminhava nos arredores do Centro de Triagem de Migrantes (Cetremi), em Vilhena, não teve dificuldade para ver de perto o cadáver no chão da camionete. Minutos antes circulava pelo local o repórter fotográfico Kim-Ir-Sen Pires Leal, que também se surpreendera com o fato.

Kim aproximou-se e clicou o menino na parte traseira do veículo observando o corpo de um homem atingido pela própria motosserra. Ele trabalhava em derrubadas numa fazenda e após o acidente fatal foi levado para Vilhena. Curioso é que estava de mãos amarradas por uma corda.

Segundo Kim relata, isso aconteceu no início dos anos 1980 durante o movimentado período migratório rumo a Rondônia.

Era comum a ocorrência de acidentes no interior das fazendas no sul do território federal e na região noroeste de Mato Grosso, próxima ao município.

Inquéritos trabalhistas que investigavam situações semelhantes eram demorados, cabendo à Polícia Civil e ao Instituto Médico-Legal, providenciar o sepultamento e o atestado de óbito do "peào."

À falta de perícia técnica no local do acidente valia o depoimento de quem entregava o corpo à autoridade distante muitas vezes mais de duzentos quilômetros.

O Vale do Guaporé ficou muito conhecido pelos acidentes com máquinas, práticas de sevícias, tortura a trabalhadores, e escravidão.
____ 

Publicado originalmente no jornal Cool do Mundo, em Vilhena.


*Chegou a Rondônia em 1976. Em dois períodos profissionais esteve no Acre, norte mato-grossense, Amazonas, Pará e Roraima, a serviço da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil. Acompanhou a instalação do Centro de Triagem de Migrantes em Vilhena e a chegada dos recursos financeiros da Sudam, Polamazônia e Polonoroeste durante a elevação do antigo território federal a estado. Deu ênfase à distribuição de terras pelo Incra, ao desmatamento e às produções agropecuária e mineral. Cobriu Mato Grosso antes da divisão do estado (1974 a 1977); populações indígenas em Manaus (AM); o nascimento do Mercosul (1991) em Foz do Iguaçu, na fronteira brasileira com o Paraguai e Argentina; portos, minérios e situação fundiária no Maranhão; cidades e urbanismo em Brasília (DF).

------------------

_____________________

Nota de responsabilidade

As opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial deste jornal.

Direita chama esquerda na USP, e o parto urbanístico de Rondônia saiu muito bem

Montezuma Cruz (*)

Saudoso geógrafo Milton Santos, da Universidade de São Paulo (USP), é um personagem pouco conhecido na história de Rondônia. Pudera, ele trabalhava em sua mesa lá na Capital Paulista, ajudando a projetar o lado urbano de cidades por aqui. Assim foi com Rolim de Moura e sua larga avenida principal que agora dá espaço à formação de quatro bosques.

Geográfo Milton Santos (ARQUIVO USP)


Santos e o arquiteto e urbanista Sílvio Sawaya, também da USP, foram contatados pelo então secretário territorial de planejamento, Luiz César Auvray Guedes, filho do ex-governador Humberto da Silva Guedes – um ser meio chato com jornalistas, porém, inteligente e suficientemente capaz de enxergar 50 anos à frente.

Ao que eu saiba, nem Guedes, nem Santos, nem Sawaya deram nome a alguma rua, avenida, creche e escola. Todos passaram como águias, relâmpagos, pelos capítulos da construção do Interior de Rondônia, ainda no regime militar.

Imaginem: o coronel governador Humberto Guedes, nomeado pelo general presidente Ernesto Geisel, trazendo notáveis esquerdistas da USP para fincar raízes urbanas e enfeitar a chamada Capital da Zona da Mata.

Arquiteto Sylvio Sawaya (Revista Circuito)


O economista Sílvio Persivo e seu colega administrador Jorge Elage coordenaram o Desenvolvimento e Articulação dos Municípios (Codram), divisão da antiga Seplan responsável pela organização dos novos municípios e seus planos urbanos. Ambos testemunham o bom trabalho feito à época pela equipe da USP.

Pena que grande parte da população rondoniense segue arrotando fakes, desinformações nocivas, desconhecendo benfeitores que merecem ser lembrados pela história oficial.

Esses sabujos propagadores de lorotas e mentiras, nem dão conta de estudar um século atrás de nossa história, não têm ideia de quem foram: Santos, Sawaya, Persivo, Elage, Claude-Levy Strauss, e quando muito, conseguem pronunciar o nome do marechal Cândido Rondon.

Guedes, homem inteligente, alinhado à direita, soube equilibrar discussões e convidar a USP para tornar Rondônia bonita. Para tal, uniu pensadores de diferentes tendências.

Persivo lembrou-me do trabalho dos grupos de discussões em torno de uma diretriz de pensamento sobre o planejamento que se apoiava de certa forma nas ações do INCRA.

Segundo ele, Elage entendia "de tudo um pouco", e o geógrafo Milton Santos foi “o pensador do estado."

Mas daí para dizer aos inflexíveis desinformados que existiu um pacto célebre de pensamentos para a concepção de Rondônia, a distância é oceânica. Eles teimam não aceitar e rejeitam estudar o assunto com profundidade.

Então, engulam e aprendam de vez, ouvindo quietinhos as palavras do próprio economista Sílvio Persivo: “Buscava-se fazer um estado onde houvesse uma hierarquia urbana e uma localização espacial que aproveitasse os projetos de colonização para criar uma riqueza mais bem distribuída, e nesse contexto os Núcleos Urbanos de Apoio Rural (NUARs) foram o grande laboratório das cidades.”

Estava, pois, consolidando o trabalho do geógrafo Milton Santos.

Ariquemes, Ji Paraná, Cacoal, Pimenta Bueno e Vilhena tiveram digitais do governador Humberto Guedes.

Ipê plantado num dos bosquês de Rolim de Moura (Montezuma Cruz)


A floresta uniu-se à cidade.

Direita e esquerda inteligentes souberam dar passos seguros para que tudo acontecesse. E aí está o estado mais pujante da Amazônia Ocidental Brasileira.
___

* Originalmente publicado no Cool do Mundo, jornal digital de Vilhena.

____________________________

*Chegou a Rondônia em 1976. Em dois períodos profissionais esteve no Acre, norte mato-grossense, Amazonas, Pará e Roraima, a serviço da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil. Acompanhou a instalação do Centro de Triagem de Migrantes em Vilhena e a chegada dos recursos financeiros da Sudam, Polamazônia e Polonoroeste durante a elevação do antigo território federal a estado. Deu ênfase à distribuição de terras pelo Incra, ao desmatamento e às produções agropecuária e mineral. Cobriu Mato Grosso antes da divisão do estado (1974 a 1977); populações indígenas em Manaus (AM); o nascimento do Mercosul (1991) em Foz do Iguaçu, na fronteira brasileira com o Paraguai e Argentina; portos, minérios e situação fundiária no Maranhão; cidades e urbanismo em Brasília (DF).

------------------

_____________________

Nota de responsabilidade

As opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial deste jornal.

CRÔNICA DE FIM DE SEMANA - Quem não tem história não sustenta discurso em Rondônia

O ano mal começou e o caldeirão político de Rondônia já ferve. As eleições de outubro dão as caras e arrivistas de plantão se assanham em lançar candidaturas.

foto - edição Rondonoticias

Nos sites e noticiários, surgem pretendentes aos cargos eletivos como quem fareja o poder à distância e corre para alcançá-lo a qualquer custo. É sempre assim: A democracia atrai interessados. O problema surge quando a quantidade, somada à biografia dos ungidos, ameaça sufocar a qualidade do processo eleitoral. Fique atento.

Na década de 80, no início da formação política do Estado, venceu quem correu mais e ocupou espaços vazios. Era outro tempo, outra urgência — e isso abriu caminho para aventureiros e despreparados. Rondônia, porém, já não é mais terra de improvisos. Não é mais o lugar onde qualquer um fincava bandeira, colhia votos e depois pegava a estrada, deixando para trás promessas e frustrações, como fez o ex-deputado federal Múcio Athaíde.

Nesse período, quase nos acostumamos a caminhar entre cobras e lagartos. Canibais da política, espertinhos de toda ordem, alguns cassados, outros salvos por atalhos jurídicos — todos ávidos por morder o que restou de vergonha pública. Homens de palavra curta e biografia longa em escândalos, tentando ensinar moral depois de vender a própria mãe.

Tais formigas fizeram estrago. Mordidas silenciosas, transferências suspeitas, roubalheiras miúdas, escândalos no Executivo, no Legislativo, prisões. Um conjunto de fatos que abriu fendas profundas no peito do eleitor desta terra.

Hoje, no entanto, o Estado já não comporta corpos estranhos disputando o comando do que pertence ao coletivo e não basta prometer: é preciso atravessar os anos sem se vender a eles. A política desta terra deixou de ser abrigo para carreiras ocas e passou a exigir densidade humana e há um divisor claro.

De um lado, os que prestam. Do outro, os 'ocasionistas', os arrivistas, os “safadistas” de plantão — figuras que reaparecem de quatro em quatro anos com discurso reciclado e passado mal explicado. A paciência social se esgotou, e o voto passou a pesar como consciência, não mais como impulso.

O povo já apanhou feio e deve ter aprendido a distinguir quem caminhou pelas brenhas do Estado com o suor do próprio rosto e fez entregas, de quem apenas deslizou sobre o esforço alheio e “se deu bem”.

Isso precisa ser dito porque a política rondoniense entrou numa fase em que o passado cobra a conta do presente. O improviso perdeu espaço para a responsabilidade. Caráter não se improvisa em ano eleitoral.

Que se diga com franqueza: a atual bancada federal atravessou esta legislatura com presença discreta, quase invisível. Baixo clero. Pouca voz. Pouca entrega. A exceção foi a deputada Sílvia Cristina, que honrou o mandato, trabalhou, apareceu e entregou resultado. O restante passou como pegada na areia — vem a onda e leva.

Presumo — e tomara Deus — que o eleitor tenha amadurecido o olhar e endurecido o critério. Neste chão, não há mais espaço para ingenuidade nem encenação. Quem não tem história não sustenta discurso. É tempo de refletir. Quando o excesso apodrece, a consciência coletiva exige limpeza geral. Não se trata de perseguição nem de radicalismo. Trata-se de seleção histórica. Quem não sustenta o próprio peso moral fica pelo caminho. O alerta é claro: há gente se lançando com a alma já apodrecida. Olho vivo.

Ainda bem que ainda sobraram homens de bem. Poucos, mas decisivos. Gente que atravessou o mar de lama sem se lambuzar, contrariando a versão catastrófica do Estado com trabalho, presença e decência. Como dizia Santo Agostinho: “Mantiveram-se santos convivendo com o lodo.” Quando falam, encantam. Não espantam.

Esta crônica é um aviso há nove meses das eleições. Um alerta de fim de semana de quem acompanha a política rondoniense há mais de trinta anos. Em outubro, o voto não pode ser aposta cega. Precisa ser depositado em homens e mulheres de mãos limpas, com história, lastro e coragem para acenar com o lenço — e serem reconhecidos.

Porque, com sósias de virtude duvidosa, o risco é enorme. E esse risco Rondônia já pagou caro demais. O poder por aqui não pode ser prêmio. Tem que ser missão. Ponto.

Ainda bem que há tempo para refletir — e para vigiar os arrivistas que ensaiam candidaturas fajutas.

Reflitamos, então!

Até sexta!
Amém.

Autor -  Arimar Souza  de Sá

O autor é jornalista, advogado e apresentador do Programa A VOZ DO POVO da Rádio Caiari, FM.

--------------------------

Texto anterior - A violência contra a mulher – O ventre que gera vida não pode sangrar - por Arimar Souza de Sá

---------------------------------

Nota de responsabilidade

As opiniões expressas neste texto são de inteira responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição editorial deste jornal.

Publicidade