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Suspensão da emissão de vistos dos EUA não afeta turistas

O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou a suspensão, por tempo indeterminado, da emissão de vistos para 75 países, entre eles o Brasil. A medida não afeta os vistos para turistas. 


De acordo com informações da Agência Reuters, entre os países afetados estão Brasil, Somália, Irã, Rússia, Afeganistão, Nigéria, Iêmen e Tailândia. A medida entra em vigor a partir do dia 21 janeiro.

"O Departamento de Estado usará sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis os imigrantes em potencial que se tornariam um encargo público para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano", disse Tommy Pigott, porta-voz adjunto do Departamento de Estado.

"O processamento de vistos de imigrantes desses 75 países será pausado enquanto o Departamento de Estado reavalia os procedimentos de processamento de imigração para evitar a entrada de estrangeiros que receberiam assistência social e benefícios públicos", acrescentou.

Procurado, o Itamaraty não se manifestou até o momento. A Agência Brasil procurou ainda a Embaixada dos EUA em Brasília e aguarda retorno.

A decisão ocorre em meio à crise em torno do estado de Minnesota, onde a polícia anti-imigração ICE assassinou a estadunidense Renee Nicole Good, gerando uma onda com mais de mil protestos em todo o país.  

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem atacado imigrantes do estado, governado por democratas, acusando-os de fraudarem sistemas de benefícios sociais.

Desde que retornou à Presidência, Trump tem adotada medidas de repressão à imigração, priorizando a fiscalização da imigração, enviando agentes federais para as principais cidades dos EUA e provocando confrontos violentos tanto com imigrantes quanto com cidadãos norte-americanos.

Na segunda-feira (12), o Departamento de Estado dos Estados Unidos informou ter revogado mais de 100.000 vistos desde que o presidente Donald Trump assumiu o cargo no ano passado.

* Com informações da Reuters.

Ameaça dos EUA ao Irã aumenta risco regional e impacta o petróleo

Escalada entre Washington e Teerã, em meio a protestos no Irã, acende alerta no Golfo e eleva temores sobre preço do petróleo

As recentes ameaças dos Estados Unidos ao Irã, impulsionadas pela intensificação dos protestos contra o regime dos aiatolás e pelo discurso do presidente Donald Trump, reacendem temores de uma escalada regional no Oriente Médio. O movimento ocorre em um cenário já fragilizado por tensões, disputas energéticas e pela centralidade do petróleo na equação estratégica global.



Protestos no Irã

Desde o fim de dezembro, o Irã enfrenta onda de manifestações que começou com queixas econômicas e rapidamente se transformou em protestos contra o governo.

A repressão já deixou milhares de mortos, segundo organizações internacionais, e levou Trump a adotar tom cada vez mais agressivo, com ameaças públicas de “reações muito enérgicas” caso o regime avance com execuções de manifestantes.

Nessa quarta-feira (14/1), o republicano adotou tom ameno após ameaças contra o governo Khamenei, alegando ter sido informado de que as “matanças” no Irã “estão parando”.

Pressão regional e temor no Golfo

Apesar da retórica de Washington, aliados árabes dos EUA no Golfo Pérsico tentam conter uma escalada militar.


Liderados pela Arábia Saudita, países como Omã e Catar vêm usando canais diplomáticos para advertir a Casa Branca de que uma tentativa de derrubar o regime iraniano teria efeitos colaterais severos, especialmente sobre o mercado de petróleo.


Segundo a imprensa internacional, autoridades da região alertaram que ataques ao Irã poderiam comprometer a navegação de petroleiros pelo Estreito de Ormuz.


Cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo passa pelo Estreito, rota comercial estratégica que liga os principais produtores do Oriente Médio aos mercados da Ásia-Pacífico, da Europa e da América do Norte.


Um bloqueio, ainda que parcial, teria impacto imediato sobre os preços da commodity e sobre a estabilidade econômica global.



Regime fragilizado e precedente venezuelano

Para a professora Fernanda Brandão, coordenadora do curso de relações internacionais da Faculdade Mackenzie Rio, as ameaças norte-americanas surgem em um momento de vulnerabilidade inédita do regime iraniano.


“As ameaças dos Estados Unidos de uma possível intervenção no Irã vêm em um momento em que o regime dos aiatolás já se encontra bastante enfraquecido. Isso ocorre não apenas no campo militar, mas também no plano político, com a continuidade dos protestos e manifestações contrárias ao governo”, afirmou ao Metrópoles.


Segundo ela, ataques recentes conduzidos por Israel, com apoio dos EUA, contra alvos ligados ao programa nuclear iraniano já contribuíram para reduzir a capacidade militar do regime.


Ainda assim, Brandão pondera que é cedo para afirmar se haverá uma intervenção direta.


“O precedente recente da intervenção na Venezuela, com a invasão e a captura de Nicolás Maduro, mostra que não se pode descartar as declarações do presidente americano. O que Trump diz pode até demorar, mas, em algum momento, tende a se concretizar”, disse.


Petróleo no centro da equação

A dimensão energética é apontada como um dos principais motores da tensão. O Irã tem uma das maiores reservas de petróleo e gás do mundo, mas a produção está bem abaixo do potencial devido às sanções impostas desde os anos 2000.


Para o professor Alberto Amaral, especialista em direito internacional, o risco para o mercado de energia é concreto.


“Esse cenário é extremamente perigoso e arriscado. A retórica adotada pelos Estados Unidos pode desencadear uma elevação significativa do preço do petróleo no mercado internacional”, afirmou.

Ele destaca que, em caso de ataque, o fechamento do Estreito de Ormuz seria uma possibilidade real. “Haveria, sem dúvida, um impacto profundo no mercado internacional de petróleo, com consequente alta dos preços. Essa situação poderia provocar uma elevação sem precedentes no valor do barril, com consequências ainda imprevisíveis.”


Mercado já reage, mas vê risco como potencial

A analista de macroeconomia Sara Paixão observa que o mercado já começou a precificar parte da tensão. O barril do Brent acumulou alta de cerca de 5% na semana, revertendo a tendência de queda registrada ao longo do último ano.


Paixão explica que o Irã tem peso significativo no mercado global.


“O país é a quarta maior reserva de petróleo do mundo, produz cerca de 3,2 milhões de barris por dia e responde por aproximadamente 5% da produção global. Além disso, controla parte do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do fluxo marítimo de petróleo.”


Limites militares e risco de escalada

Apesar das ameaças, os analistas apontam limites práticos para uma ofensiva americana.


Os EUA reduziram a presença militar no Golfo, no último ano, e hoje mantêm cerca de 30 mil soldados na região, além de seis navios de guerra.


Ainda assim, Teerã já prometeu retaliar qualquer ação, incluindo ataques a bases norte-americanas no Oriente Médio — cenário que elevaria rapidamente o risco de uma escalada regional. (Metrópoles)

Execução de manifestante do Irã é adiada após mobilização, diz ONG à CNN

As autoridades do Irã adiaram a execução de Erfan Soltani, um manifestante de 26 anos, em meio a uma mobilização global gerada pelo caso, segundo relatou a ONG de direitos humanos Hengaw à CNN Brasil.


A execução de Soltani, que foi preso há menos de uma semana em meio às manifestações no país, estava prevista para esta quarta-feira (14).

A organização disse ter conseguido entrar em contato com familiares de Soltani, apesar do apagão digital no país.

"A ordem de execução previamente comunicada à sua família e agendada para quarta-feira não foi cumprida e foi adiada", relatou Arina Moradi, integrante da Hengaw, à CNN Brasil.

A ONG destacou que "devido à contínua interrupção da internet e às severas restrições de comunicação, não é possível, no momento, a cobertura em tempo real dos desdobramentos deste caso".

O caso atraiu atenção global com repercussão em veículos de imprensa internacionais.

Trump diz que não há planos de execução no Irã

A informação é revelada no mesmo dia em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que "não há planos para execuções" no Irã e que a "matança está parando".

"Não há nenhum plano para execuções, nem haverá nenhuma execução. Recebi essa informação de uma fonte confiável. Vamos nos informar. Tenho certeza de que, se isso acontecer, ficarei muito chateado", pontuou o presidente no Salão Oval da Casa Branca.

Quem é Erfan Soltani, que teve execução adiada?

Segundo a Hengaw, Erfan Soltani é morador do bairro de Fardis, na cidade de Karaj.

O grupo afirma que ele foi preso em sua residência na quinta-feira (8), em conexão com os protestos.

O portal Iranwire noticiou que Soltani trabalhava na indústria de vestuário e havia entrado recentemente em uma empresa privada.

"Aqueles que o conhecem o descrevem como apaixonado por moda e estilo pessoal. Seu perfil no Instagram — um dos poucos que as autoridades não apagaram — mostra um jovem que gostava de musculação, esportes e de levar uma vida simples", diz a reportagem.

Uma fonte do portal afirmou que o homem teria recebido "mensagens ameaçadoras de fontes de segurança", mas continuou "comprometido com os protestos".

EUA: Departamento de Estado confirma suspensão de vistos a 75 países

O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggot, disse à Fox News que a medida visa “considerar inelegíveis potenciais imigrantes”


O governo dos Estados Unidos vai suspender vistos de imigrantes para cidadãos brasileiros e outros 74 países a partir de 21 de janeiro, com o objetivo de revisar as diretrizes de vistos vigentes. A informação consta de um memorando do Departamento de Estado enviado a funcionários consulares, ao qual a emissora norte-americana Fox News teve acesso nesta quarta-feira (14/1).


Ao repórter do Metrópoles Sam Pancher, o Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou que 75 países tiveram a emissão de visto suspensa. A informação foi dada por e-mail, sem detalhar quais nações seriam atingidas pela decisão.


O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Piggot, disse à Fox News que a medida visa “considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um fardo para os Estados Unidos e explorariam a generosidade do povo americano”, referindo-se a estrangeiros que poderiam depender do sistema de assistência social e benefícios públicos dos EUA.


No último dia 12, o perfil oficial no X do Departamento de Estado norte-americano comemorou a revogação de 100 mil vistos irregulares. Na publicação, o órgão diz que continuará deportando “criminosos para manter a América segura”.


Em novembro de 2025, o departamento havia enviado comunicado a consulados em todo o mundo determinando regras mais rígidas de avaliação com base na cláusula de “encargo público” da legislação migratória.


“A imigração desses 75 países será suspensa enquanto o Departamento de Estado reavalia os procedimentos de processamento de imigração para impedir a entrada de estrangeiros que se beneficiariam de programas de assistência social e benefícios públicos”, informou Piggott.


Os países da lista incluem Rússia, Brasil, Irã, Iraque, Egito, Nigéria, Tailândia, Somália e Iêmen. (Metrópoles)




Quem é Erfan Soltani, manifestante que deve ser executado no Irã

Jovem de 26 anos foi detido por conexão com os protestos na cidade de Karaj, onde vive, e enfrenta sentença de morte após processo descrito como "obscuro"

O Irã deve executar nesta quarta-feira Erfan Soltani, de 26 anos, detido na onda de protestos que desafia o regime dos aiatolás e já deixou mais de 2.400 mortos, segundo organizações de direitos humanos.



Soltani trabalhava na indústria de vestuário e foi descrito por pessoas conhecidas como um apaixonado por moda, segundo informações do o veículo ativista IranWire. Recentemente, ele começou a trabalhar em uma empresa privada do setor.


O jovem está detido desde a semana passada, sem acesso à advogado, e nenhuma audiência judicial sobre o caso foi realizada, afirma a reportagem. A família também teria sido ameaçada e está sob "pressão extrema", segundo uma fonte próxima, que falou sob condição de anonimato ao IranWire.


De acordo com os relatos, a família foi informada que a sentença é definitiva e teve permissão para uma breve visita de despedida, de cerca de dez minutos, antes da execução, prevista para esta quarta.


A Organização Hengaw para Direitos Humanos afirma que Soltani foi detido dentro de casa por conexão com os protestos na cidade de Karaj, onde vive. Ele enfrenta sentença de morte após um processo descrito pelo grupo como "rápido e obscuro" e foi privado de direitos básicos, incluindo acesso à defesa.


Ainda segundo a organização, o manifestante foi detido na última quinta-feira. Apenas quatro dias depois, as autoridades informaram à família que a execução havia sido marcada. A irmã, que é advogada, foi impedida de acessar o processo pelos canais legais.


A iminente execução de Erfan Soltani elevou a preocupação sobre a repressão aos protestos no país.


Ao menos 2.400 manifestantes foram mortos desde o início dos atos, que entraram na terceira semana. Outros 18.137 foram detidos, segundo a agência Human Rights Activists News Agency (HRANA), sediada nos Estados Unidos.


O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump tem avaliado opções para uma possível intervenção no país e advertiu o Irã contra execuções. Em entrevista à CBS, ele afirmou que adotaria "medidas fortes" se o regime enforcasse manifestantes, sem dar mais detalhes.


Nas redes sociais, Trump encorajou os manifestantes e afirmou que a ajuda está "a caminho".


"Patriotas iranianos, CONTINUEM PROTESTANDO — ASSUMAM O CONTROLE DE SUAS INSTITUIÇÕES!!! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. Cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que a matança sem sentido de manifestantes PARE. A AJUDA ESTÁ A CAMINHO", escreveu na Truth Social.


Diante da ameaça de intervenção, o Irã acusou Trump de incentivar a desestabilização política e incitar a violência no país.


"Os Estados Unidos e o regime israelense têm responsabilidade legal direta e inegável pela perda resultante de vidas civis inocentes, especialmente entre os jovens", escreveu o embaixador na ONU, Amir Saeid Iravani, em carta enviada ao Conselho de Segurança e ao secretário-geral António Guterres. (CNN)

Brasil entrega 1ª remessa de doação de insumos médicos à Venezuela

Carga de 40 toneladas será destinada a pacientes renais após destruição de centro de medicamentos

O Brasil entregou a primeira remessa de doação humanitária de insumos médicos à Venezuela, voltada ao fortalecimento da atenção em saúde de pacientes renais no país, na última sexta-feira (9).



A iniciativa ocorre no contexto dos recentes bombardeios dos Estados Unidos que destruíram um centro de distribuição de medicamentos em território venezuelano.


Nesta primeira etapa, foram entregues 40 toneladas de insumos médicos, de um total de 300 toneladas previstas na doação brasileira. A carga inclui cerca de 110 mil kits para tratamento de hemodiálise, além de dialisadores, cateteres, soluções e outros insumos médicos especializados.


Os materiais serão destinados ao atendimento de mais de 9.000 pacientes em todo o território da Venezuela, contribuindo para a recomposição dos estoques e para a manutenção da cobertura integral do Programa Nacional de Hemodiálise e Nefrologia do país.


Segundo o governo brasileiro, a ação integra a política de cooperação humanitária internacional do Brasil e reflete o compromisso do país com iniciativas de solidariedade, apoio à saúde pública e promoção do direito à vida em contextos de emergência e necessidade humanitária. (CNN)

Vídeo mostra corpos espalhados em frente a necrotério improvisado no Irã

Autoridade iraniana afirmou que cerca de duas mil pessoas foram vítimas durante os confrontos nos protestos; grupos de direitos humanos relatam mais de 10.600 presos

Imagens divulgadas no domingo (11) mostraram corpos espalhados pelo chão, em uma rua em frente ao Centro Médico Legal de Kahrizak, em Teerã, capital do Irã, onde um necrotério foi improvisado para receber as vítimas da onda de protestos antigovernamentais, que varrem o país há duas semanas.



Nas imagens é possível ver familiares reunidos no local chorando enquanto buscam identificar entes queridos.


Um vídeo obtido pela CNN, gravado no centro forense, mostra sacos pretos para cadáveres enfileirados em uma passarela do lado de fora do prédio, com pessoas ao redor. Alguns corpos estão espalhados pelo que parece ser o pátio do centro.


Outros jazem em terreno irregular. Alguns estão a poucos metros de carros estacionados, enquanto famílias buscam freneticamente pelos restos mortais de entes queridos.


O grupo ativista Mamlekate afirmou no sábado (10) que o número de corpos levados ao instituto forense é tão alto que eles estão sendo enfileirados no pátio.


Outro vídeo, gravado na sexta-feira (9), mostra o interior de um galpão próximo ao centro forense. A sala, transformada em um necrotério improvisado, está repleta de corpos em sacos pretos, enfileirados no chão e sobre mesas de metal.


A mídia estatal iraniana reconheceu as cenas macabras na unidade médica, mas insistiu que os corpos vistos são, em sua maioria, de “pessoas comuns” — transeuntes que foram arrastados para os protestos e atribuiu as mortes a “manifestantes violentos”.


As manifestações antigovernamentais em massa, desencadeadas pela deterioração das condições econômicas, tomaram conta do país, representando o maior desafio para o regime iraniano em anos.


Cerca de duas mil pessoas, incluindo o membros da segurança, foram mortas em protestos no Irã, declarou uma autoridade do país, nesta terça-feira (13), a primeira vez que as autoridades reconheceram o alto número de mortos.


A autoridade iraniana, falando à agência de notícias Reuters, disse que "terroristas" estavam por trás das mortes de manifestantes e do pessoal de segurança. A autoridade não forneceu um detalhamento de quem havia sido morto. (CNN)

Análise: Por que uma mudança no regime do Irã seria favorável para os EUA

Especialista explica que desejo americano por mudança no governo iraniano está baseado mais em objetivos estratégicos de poder e segurança do que na defesa da democracia

A mudança no regime dos aiatolás no Irã seria favorável para os Estados Unidos, porém esse desejo não se baseia tanto na defesa da democracia, mas sim em interesses estratégicos relacionados a poder e segurança na região do Oriente Médio. A análise foi feita por Fernanda Magnotta, especialista em relações internacionais, no CNN 360º. Ela explica os motivos pelos quais os americanos almejariam uma transformação política no país persa.



O Irã é considerado atualmente um fator de desestabilização para os Estados Unidos no Oriente Médio. O regime iraniano constantemente desafia a presença militar americana na região, além de exercer influência significativa em países vizinhos como Iraque, Síria e na região do Golfo. Outro ponto destacado por Magnotta é o financiamento, por parte do Irã, de várias forças internacionais contra as quais os Estados Unidos lutam em diversos campos de batalha.


Ameaça a Israel e programa nuclear

A especialista ressalta que não se pode ignorar a ameaça expressa que o Irã representa para Israel, aliado histórico dos Estados Unidos. Além disso, as ambições nucleares iranianas poderiam tornar o ambiente geopolítico, já bastante delicado, ainda mais complexo e perigoso para os interesses americanos na região.


Outro aspecto importante mencionado por Magnotta diz respeito às alianças internacionais do Irã. O país é um fornecedor barato de petróleo para a China e um aliado militar importante da Rússia.


"Esse eixo que se consolidou entre essas potências e o Irã é um elemento que interessa aos Estados Unidos, como interessa em outras áreas do mundo", explica a analista, traçando um paralelo com a situação da Venezuela, que também mantém relações próximas com essas potências rivais dos EUA.


Interesses econômicos e rotas comerciais

Os interesses econômico-comerciais também são fatores determinantes na política americana em relação ao Irã. O país persa possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, o que naturalmente desperta a atenção dos Estados Unidos.


Além disso, o Irã está localizado em um ponto estratégico da geografia mundial, próximo a três rotas comerciais importantes: o Estreito de Ormuz, fundamental para o escoamento de petróleo, as rotas do Golfo e a navegação do Mar Vermelho.


Magnotta conclui que os Estados Unidos, diante de uma oportunidade de alterar esse cenário para uma situação mais favorável aos seus interesses, "certamente estariam dispostos a bancar uma eventual mudança de regime".


No entanto, a especialista também alerta que uma intervenção no Irã seria muito mais arriscada do que em outros países, como a Venezuela, devido à capacidade ofensiva significativa do Irã e suas alianças com potências como Rússia e China, que poderiam "dobrar a aposta" em defesa do país persa.


A analista ressalta ainda que regimes autoritários, especialmente aqueles frutos de uma revolução como a iraniana, geralmente só caem quando há fissuras internas significativas.


"Por mais que existam interesses geopolíticos externos, por mais que haja choques internacionais com incentivos para que haja derrubada de um governo, é muito improvável que esses regimes caiam se não houver ruptura interna", conclui Magnotta. (CNN)

Trump vai taxar países que negociarem com Irã. Brasil pode ser afetado

Donald Trump afirmou que qualquer país que negociar com o Irã, como o Brasil, pagará uma tarifa de 25% em transações comerciais com os EUA

Na tentativa de aumentar a asfixia contra a economia do Irã, Donald Trump anunciou que qualquer país que negociar com a nação persa pagará uma tarifa de 25% no comércio com os Estados Unidos. A medida, anunciada pelo presidente norte-americano nesta segunda-feira (12/1), poderá afetar diretamente o Brasil.



“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações comerciais realizadas com os Estados Unidos”, disse o presidente dos EUA em um comunicado divulgado na rede social Truth. “Esta ordem é final e irrecorrível”, acrescentou.

Trump não deu mais detalhes sobre a medida, que se soma a outras retaliações econômicas de Washington contra Teerã. O Brasil, contudo, poderá ser afetado pela decisão de Trump.


Em 2025, o país exportou mais de US$ 2,9 bilhões em produtos para o Irã. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que, no último ano, o número de importações iranianas bateu a marca de US$ 84.594 milhões.


O anúncio do presidente norte-americano surge em meio a ameaças internas, e também externas, contra o governo iraniano.


Desde o fim de dezembro, o país enfrenta uma série de protestos contra a atual administração do país, sob o comando do aiatolá Ali Khamenei. Uma das principais reivindicações dos manifestantes diz respeito à crise econômica enfrentada pelo Irã, que há décadas é alvo de sanções internacionais.


Em meio ao caos que tomou diversas cidades iranianas, o governo teocrata também enfrenta pressões vindas dos EUA — país que Khamenei acusa de estar por trás dos protestos com o objetivo de desestabilizar o Irã.


Com o aumento da repressão contra manifestantes, que já resultou na morte de mais de 400 civis, segundo organizações de direitos humanos, Trump ameaçou intervir no país. Em declarações recentes, o presidente dos EUA se mostrou disposto a “ajudar” civis iranianos em busca de “liberdade”. (Metropoles)

Número de presos políticos libertados na Venezuela sobe para 49, diz ONG

Número ainda é menos da metade das 116 pessoas que teriam sido soltas, segundo contagem das autoridades

A organização Foro Penal afirmou que subiu para 49 o número de presos libertados na Venezuela desde que o governo do país anunciou o início do processo de soltura na quinta-feira (8).



A ONG, que confirma cada caso com as famílias, havia relatado 17 libertações até domingo (11), antes de o governo anunciar uma nova série de solturas na madrugada desta segunda-feira (12).


No entanto, o número ainda é menos da metade dos 116 relatados pelas autoridades, que não divulgaram uma lista com a identidade dos envolvidos nem especificaram em quais centros de detenção estavam.


“Continuamos a validar as informações e a verificar se são de fato presos políticos”, afirmou o Foro Penal em um relatório que abrange os eventos até as 14h30, horário local.


O presidente da Assembleia Nacional do país, Jorge Rodríguez, afirmou que o governo libertaria um "número significativo" de pessoas como gesto de paz. (CNN)

Ex-assessora de Trump é nova presidente da Meta, dona do Facebook

Dina Powell McCormick, ex-assessora de Trump, foi nomeada como nova presidente da companhia e vice-presidente do Conselho de Administração

A Meta, gigante norte-americana de tecnologia e controladora do Facebook, anunciou, nesta segunda-feira (12/1), a nomeação de Dina Powell McCormick como nova presidente da companhia e vice-presidente do Conselho de Administração.



O anúncio logo chamou atenção do mercado porque McCormick foi assessora do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O republicano, aliás, elogiou a indicação da big tech.


“Parabéns a Dina Powell McCormick, que acaba de ser nomeada a nova presidente da Meta. Uma ótima escolha de Mark Zuckerberg! Ela é uma pessoa fantástica e muito talentosa, que serviu ao governo Trump com força e distinção!”, escreveu Trump em seu perfil na Truth Social, sua própria rede social.


Trajetória

McCormick fez parte do primeiro governo de Trump (2017-2021). Entre 2017 e 2018, ela atuou como conselheira adjunta de Segurança Nacional dos EUA.


Antes da gestão Trump, ela já havia participado do governo do ex-presidente George W. Bush (2001-2009), entre 2003 e 2007.


McCormick entrou no Conselho de Administração da Meta em abril do ano passado e ficou até dezembro. Agora retorna como presidente do colegiado. Em sua nova função, ela fará parte da equipe de gestão da companhia e deve ajudar diretamente na estratégia e execução dos negócios.


Zuckerberg elogia

Por meio de nota, o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, elogiou a nomeação de McCormick e destacou sua experiência “nos mais altos níveis das finanças globais, combinada com seus relacionamentos profundos ao redor do mundo”. (Metrópoles)

Trump divulga imagem onde se apresenta como "presidente interino da Venezuela"

Imagem foi divulgada na conta oficial do presidente dos EUA, na rede social Truth Social

O presidente norte-americano, Donald Trump, divulgou uma imagem na qual se autoproclama presidente interino da Venezuela.



A imagem publicada na sua rede social Truth Social, é uma edição de uma página da Wikipedia, na qual Donald Trump se apresenta não só como presidente dos EUA, como também presidente interino da Venezuela.



Imagem divulgada na conta oficial do presidente dos EUA, na sua rede social Truth Social

Apesar de Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Nicolás Maduro, ter tomado posse como presidente interina da Venezuela, após a captura de Nicolás Maduro, por parte das forças armadas norte-americanas, Donald Trump tem deixado claro que, na realidade, é ele quem está aos comandos do país da América Latina. 


Recentemente, em entrevista à NBC News, no mesmo dia em que Delcy Rodríguez tomou posse como presidente interina da Venezuela, Donald Trump sublinhou que a até então vice-presidente venezuelana está a cooperar com as autoridades norte-americanas, ressalvando, contudo, que não houve qualquer comunicação entre Rodríguez e os EUA antes da captura de Maduro.


Na entrevista, o presidente norte-americano adiantou que tem uma equipa de altos funcionários envolvidos neste processo na Venezuela, nomeando o secretário de Estado, Marco Rubio, o secretário da Defesa, Pete Hegseth, o chefe de gabinete adjunto da Casa Branca, Stephen Miller e o vice-presidente, JD Vance.


Quando questionado sobre quem está, em última instância, aos comandos da Venezuela, Trump respondeu: "Eu." (CNN)

Trump é informado sobre planos para intervenção no Irã, dizem fontes

Conteúdo exclusivo: Funcionários americanos afirmam que presidente considera cumprir ameaças de atacar o país que vive onda de protestos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está avaliando uma série de possíveis opções militares no Irã após protestos violentos tomarem o país, disseram dois funcionários americanos.



Ele considera cumprir suas recentes ameaças de atacar o país caso este use força letal contra o povo iraniano.


Trump foi informado nos últimos dias sobre diferentes planos de intervenção, disseram os funcionários, visto que a violência no país já resultou em centenas de mortes e milhares de prisões.


Algumas das discussões também incluíram opções que não envolvem o uso direto da força militar americana, informou uma das autoridades.


O presidente ainda não tomou uma decisão final sobre a intervenção, disseram as autoridades, mas está considerando seriamente a possibilidade de agir, visto que o número de mortos no Irã continua a aumentar.


A agência de notícias HRANA (Human Rights Activists News Agency), sediada nos Estados Unidos, relata que 466 pessoas foram mortas desde que protestos eclodiram nas 31 províncias do país, há duas semanas.


Permanece incerto se a contagem da HRANA reflete totalmente a dimensão das vítimas, dado o bloqueio nacional do acesso à internet e das linhas telefônicas imposto pelas autoridades.


“O Irã está vislumbrando a LIBERDADE, talvez como nunca antes”, publicou Trump nas redes sociais no sábado (10). “Os EUA estão prontos para ajudar!!!” (CNN)

Trump anuncia encontro com Petro nos EUA na 1ª semana de fevereiro

Anúncio ocorre 2 dias após Trump e Petro conversarem por telefone. Pauta principal do encontro nos EUA será o combate ao tráfico de drogas

O encontro entre os presidentes Donald Trump e Gustavo Petro, na Casa Branca, está previsto para acontecer na primeira semana de fevereiro. A informação foi confirmada pelo próprio líder norte-americano em publicação na rede Truth Social.



Segundo Trump, a pauta principal da reunião nos Estados Unidos será o combate ao tráfico de cocaína e outras drogas.


“Aguardo com expectativa o encontro com Gustavo Petro, presidente da Colômbia, na Casa Branca, durante a primeira semana de fevereiro”, disse Trump. “Tenho certeza de que será muito benéfico para a Colômbia e para os EUA, mas a entrada de cocaína e outras drogas nos Estados Unidos precisa ser IMPEDIDA”.


O anúncio surge dois dias após Trump e Petro conversarem por telefone, em meio à escalada de tensão entre EUA e Colômbia. O republicano, porém, não definiu uma data exata para a reunião com o colombiano.


Antes do contato, o líder norte-americano afirmou que não descartava uma intervenção militar na Colômbia, nos mesmos moldes da realizada contra a Venezuela, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro.


Assim como havia feito com o líder venezuelano, nos últimos meses do último ano, Trump passou a acusar o presidente da Colômbia de manter ligações com o tráfico internacional de drogas. (Metrópoles)

Acordo Mercosul-UE: veja o que pode ficar mais barato para o brasileiro

 Azeite, chocolates, queijos e vinhos tendem a ficar mais baratos no Brasil; redução tarifária não é imediata e segue cronogramas que variam conforme o tipo de mercadoria

O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado nesta sexta-feira (9) pela Comissão Europeia, tende a baratear uma série de produtos consumidos pelos brasileiros nos próximos anos.



De forma geral, o impacto ocorre sobre bens importados pelo Brasil da Europa, já que o tratado prevê a redução gradual ou a eliminação total de tarifas de importação para uma ampla lista de produtos.


A liberalização, no entanto, não é imediata e segue cronogramas que variam conforme o tipo de mercadoria.


Entre os itens que devem ficar mais baratos ao consumidor brasileiro estão azeite de oliva, chocolates, queijos e vinhos, hoje sujeitos a tarifas elevadas.


Segundo os anexos do acordo, a eliminação tarifária nesses casos ocorre de forma escalonada, com prazos que variam, em média, entre 8 e 15 anos, dependendo do produto.


Além da queda de tarifas, o acordo também tende a aumentar a oferta desses produtos no mercado brasileiro, ao facilitar o acesso de exportadores europeus ao Mercosul.


No caso dos queijos, a abertura do mercado brasileiro será feita por meio de cotas tarifárias.


Isso significa que um volume limitado poderá entrar no país com tarifa reduzida, enquanto quantidades acima do limite continuarão pagando a tarifa cheia.


Pelo cronograma acordado, a cota cresce ano a ano e o desconto tarifário aumenta gradualmente.


Após dez anos, a cota se estabiliza em aproximadamente 30 mil toneladas anuais, com eliminação total da tarifa dentro desse limite. Exportações acima da cota seguem sujeitas à alíquota normal aplicada pelo Brasil.


Os vinhos europeus, que hoje enfrentam tarifas elevadas no Brasil, também entram no cronograma de liberalização. A redução ocorre de forma progressiva ao longo dos anos, o que pode ampliar a presença de rótulos estrangeiros nas prateleiras e pressionar preços, especialmente no médio prazo.


O mesmo vale para azeites de oliva, produto em que a União Europeia é dominante.


O desenho do acordo busca evitar uma abertura abrupta do mercado. Produtos considerados sensíveis, tanto no Brasil quanto na Europa, contam com períodos longos de transição, cotas e salvaguardas, justamente para permitir a adaptação de produtores locais.


Especialistas avaliam que, no médio e longo prazo, o acordo pode reduzir preços ao consumidor, ampliar a variedade de produtos disponíveis e integrar mais o Brasil às cadeias globais de comércio. (CNN)


Estados Unidos apreendem mais um petroleiro no Caribe

Navio é o terceiro a ser confiscado essa semana por ligação com a Venezuela

Os Estados Unidos apreenderam mais um petroleiro no Mar do Caribe, segundo uma fonte familiarizada com o assunto.



O navio Olina, que segundo o banco de dados público de navegação Equasis ostentava falsamente a bandeira de Timor-Leste, havia partido da Venezuela e retornado à região, afirmou uma fonte do setor com conhecimento direto do assunto.


"O rastreador AIS (de localização) da embarcação esteve ativo pela última vez há 52 dias na ZEE venezuelana, a nordeste de Curaçao", informou separadamente a empresa britânica de gestão de riscos marítimos Vanguard.


A apreensão ocorre após uma longa perseguição a petroleiros ligados a carregamentos de petróleo venezuelanos sancionados na região.


O Olina partiu da Venezuela na semana passada totalmente carregado com petróleo, como parte de uma flotilha, logo após os EUA prenderem o ditador venezuelano Nicolás Maduro em 3 de janeiro, e retornava à Venezuela totalmente carregado após o bloqueio americano às exportações de petróleo venezuelanas, disse a fonte do setor.


Washington impôs sanções ao Olina em janeiro do ano passado, quando ainda se chamava Minerva M, por fazer parte da chamada frota paralela de navios que navegam com pouca regulamentação ou seguro conhecido.


Três navios — Skylyn, Min Hang e Merope — todos totalmente carregados e pertencentes à mesma flotilha que partiu na semana passada, retornaram às águas venezuelanas na quinta-feira (8), segundo uma fonte do setor.


Outros sete petroleiros dessa flotilha, também totalmente carregados, deveriam retornar às águas venezuelanas nesta sexta-feira (9) e no sábado (10), disse a fonte.


Todo o petróleo a bordo desses dez petroleiros pertence à estatal venezuelana PDVSA, acrescentou a fonte. A PDVSA não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.


Não ficou claro se Washington tomaria medidas em relação aos outros petroleiros que navegavam em direção à Venezuela.


O bloqueio americano ao petróleo venezuelano sancionado permanece em pleno vigor "em qualquer lugar do mundo", afirmou o secretário de Defesa, Pete Hegseth, na quarta-feira.


A apreensão do Olina ocorre após os EUA terem apreendido dois petroleiros ligados à Venezuela nesta semana, incluindo uma embarcação com bandeira russa no Oceano Atlântico e outro petroleiro no Caribe.


A Casa Branca afirmou no início desta semana que o presidente Donald Trump “não tem medo” de continuar apreendendo petroleiros sancionados, apesar das preocupações de que isso possa aumentar as tensões com a Rússia e a China.


“Ele vai aplicar nossa política que é melhor para os Estados Unidos da América”, disse a secretária de imprensa Karoline Leavitt a repórteres em uma coletiva de imprensa na quarta-feira. “Isso significa aplicar o embargo contra todos os navios da frota clandestina que transportam petróleo ilegalmente.” (CNN)


Elon Musk é criticado por não acabar com "nudes digitais" feitos com o Grok

IA do X produz imagens com conteúdo sexual de pessoas reais, em sua maioria mulheres e algumas menores de idade

O chatbot de IA de Elon Musk, o Grok, inundou o X, antigo Twitter, com imagens de conteúdo sexual, principalmente de mulheres, muitas delas pessoas reais. Os usuários começaram a solicitar que o chatbot fizesse "nudes digitais" dessas pessoas ao despi-las com o uso da tecnologia e, às vezes, as colocando em poses sugestivas.



Em diversos casos na semana passada, algumas imagens pareciam ser de menores de idade, levando à criação de "nudes digitais" que muitos usuários estão classificando como pornografia infantil.


As imagens destacam os perigos da IA ​​e das redes sociais – especialmente combinadas – sem salvaguardas suficientes para proteger alguns dos membros mais vulneráveis ​​da sociedade. As imagens podem violar leis nacionais e internacionais e colocar muitas pessoas, incluindo crianças, em risco.


Musk e a xAI – divisão especializada em inteligência artificial da corporação – afirmaram que estão tomando medidas “contra conteúdo ilegal no X, incluindo material de abuso sexual infantil, removendo-o, suspendendo contas permanentemente e trabalhando com governos locais e autoridades policiais, conforme necessário”. Mas as respostas do Grok às solicitações dos usuários ainda estão repletas de imagens que sexualizam mulheres.


Publicamente, Musk há muito tempo se posiciona contra modelos de IA "woke" e contra o que ele chama de censura. Internamente na xAI, Musk resistiu às medidas de segurança para o Grok, segundo uma fonte com conhecimento da situação na xAI relatou à CNN. Enquanto isso, a equipe de segurança da xAI, já pequena em comparação com seus concorrentes, perdeu vários funcionários nas semanas que antecederam a explosão de "nudes digitais".


"Despir digitalmente" pessoas reais

O Grok sempre foi um caso atípico em comparação com outros modelos de IA convencionais por permitir, e em alguns casos promover, conteúdo sexualmente explícito e avatares de companhia.


E, ao contrário de concorrentes como o Gemini do Google ou o ChatGPT da OpenAI, o Grok está integrado a uma das plataformas de mídia social mais populares, o X. Embora os usuários possam conversar com o Grok em particular, eles também podem marcá-lo em uma publicação com uma solicitação, e o Grok responderá publicamente.


O recente aumento generalizado e não consensual de "desnudamento digital" começou no final de dezembro, quando muitos usuários descobriram que podiam marcar o Grok e pedir que ele editasse imagens de uma postagem ou tópico do X.


Inicialmente, muitas postagens pediam que Grok colocasse pessoas de biquíni. Musk republicou imagens dele mesmo e de outras pessoas, como seu antigo rival Bill Gates, de biquíni.


Pesquisadores da Copyleaks, uma plataforma de IA para detecção e governança de conteúdo, descobriram que a tendência pode ter começado quando criadores de conteúdo adulto solicitaram ao Grok que gerasse imagens sexualizadas de si mesmos como forma de marketing. Mas quase imediatamente, "os usuários começaram a enviar solicitações semelhantes sobre mulheres que nunca haviam consentido com isso", constatou a Copyleaks.


Pesquisadores da AI Forensics, uma organização europeia sem fins lucrativos que investiga algoritmos, analisaram mais de 20.000 imagens aleatórias geradas pelo Grok e 50.000 solicitações de usuários entre 25 de dezembro e 1º de janeiro.


Os pesquisadores encontraram “uma alta prevalência de termos como 'dela', 'colocar/remover', 'biquíni' e 'roupa'”. Mais da metade das imagens geradas de pessoas, ou 53%, “continham indivíduos com roupas mínimas, como roupas íntimas ou biquínis, dos quais 81% eram indivíduos que se apresentavam como mulheres”, descobriram os pesquisadores. Notavelmente, 2% das imagens retratavam pessoas que aparentavam ter 18 anos ou menos, constataram os pesquisadores.


A AI Forensics também descobriu que, em alguns casos, os usuários solicitaram que menores fossem colocados em posições eróticas e que fluidos sexuais fossem representados em seus corpos. De acordo com a AI Forensics, o Grok atendeu a esses pedidos.


Embora o X permita conteúdo pornográfico, a própria "política de uso aceitável" da xAI proíbe "representar pessoas de forma pornográfica" e "a sexualização ou exploração de crianças". O X suspendeu algumas contas por esse tipo de solicitação e removeu as imagens.


Em 1º de janeiro, um usuário do X reclamou que "propor um recurso que exibe pessoas de biquíni sem impedir adequadamente que ele funcione com crianças é extremamente irresponsável". Um membro da equipe do xAI respondeu: "Olá! Obrigado por avisar. A equipe está analisando como podemos reforçar ainda mais nossas medidas de segurança."


Questionado pelos usuários, o próprio Grok reconheceu que gerou algumas imagens de menores em situações sexualmente sugestivas.


“Agradecemos por ter levantado essa questão. Como já foi mencionado, identificamos falhas nas medidas de segurança e estamos corrigindo-as com urgência — material de abuso sexual infantil é ilegal e proibido”, publicou o Grok em 2 de janeiro, orientando os usuários a registrarem denúncias formais junto ao FBI e ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas.


Em 3 de janeiro, o próprio Musk comentou em uma publicação separada: "Qualquer pessoa que usar o Grok para criar conteúdo ilegal sofrerá as mesmas consequências que quem publicar conteúdo ilegal."


A conta de Segurança do X complementou, acrescentando: "Tomamos medidas contra conteúdo ilegal no X, incluindo material de abuso sexual infantil, removendo-o, suspendendo permanentemente contas e trabalhando com governos locais e autoridades policiais, conforme necessário."


Musk critica duramente a censura

Musk há muito tempo critica o que considera censura excessiva. E ele promoveu as versões mais explícitas do Grok. Em agosto, ele publicou que o "modo picante" ajudou novas tecnologias no passado, como o VHS, a terem sucesso.


Segundo uma fonte com conhecimento da situação na xAI, Musk está "insatisfeito com a censura excessiva" no Grok "há muito tempo". Uma segunda fonte com conhecimento da situação na xAI disse que os funcionários constantemente expressavam preocupação internamente e para Musk sobre o conteúdo inadequado criado pelo Grok.


Em uma reunião realizada nas últimas semanas, antes da explosão da mais recente controvérsia, Musk se encontrou com funcionários da xAI de diversas equipes, onde se mostrou "muito insatisfeito" com as restrições impostas ao gerador de imagens e vídeos Imagine, do Grok, segundo a primeira fonte com conhecimento da situação na xAI.


Por volta da época do encontro com Musk, três funcionários da xAI que trabalhavam na já pequena equipe de segurança da empresa anunciaram publicamente no X que estavam deixando a empresa: Vincent Stark, chefe de segurança de produto; Norman Mu, que liderava a equipe de segurança pós-treinamento e raciocínio; e Alex Chen, que liderava a equipe de personalidade e comportamento do modelo pós-treinamento. Eles não citaram os motivos de suas saídas.


A fonte também questionou se a xAI ainda utilizava ferramentas externas como Thorn e Hive para verificar a presença de material de abuso sexual infantil. Confiar no Grok para essas verificações poderia ser mais arriscado, disse a fonte. (Um porta-voz da Thorn afirmou que a empresa não trabalha mais diretamente com a xAI; a Hive não respondeu ao pedido de comentário.)


De acordo com fontes que trabalham na X e na xAI, a equipe de segurança da X também tem pouca ou nenhuma supervisão sobre o que o Grok publica publicamente.


Em novembro, o The Information noticiou que a X demitiu metade da equipe de engenharia que trabalhava, em parte, em questões de confiança e segurança. O The Information também relatou que os funcionários do X estavam particularmente preocupados com o fato de a ferramenta de geração de imagens do Grok "poder levar à disseminação de imagens ilegais ou prejudiciais".


A xAI não respondeu aos pedidos de comentários, além de um e-mail automático para todas as solicitações da imprensa, que diz: “A mídia tradicional mente”.


Diretrizes e consequências legais

O Grok não é o único modelo de IA que apresentou problemas com imagens de menores de idade geradas por IA sem o seu consentimento.


Pesquisadores encontraram vídeos gerados por IA mostrando o que parecem ser menores de idade em roupas ou posições sexualizadas no TikTok e no aplicativo Sora, do ChatGPT. O TikTok afirma ter uma política de tolerância zero para conteúdo que "mostre, promova ou se envolva em abuso ou exploração sexual de jovens". A OpenAI declara que "proíbe estritamente qualquer uso de seus modelos para criar ou distribuir conteúdo que explore ou prejudique crianças".


Steven Adler, ex-pesquisador de segurança de IA da OpenAI, afirmou que já existiam mecanismos de proteção que teriam impedido a geração de imagens por IA no Grok. “Com certeza é possível criar mecanismos de proteção que analisem uma imagem para verificar se há uma criança nela e, assim, façam com que a IA se comporte de maneira mais cautelosa. Mas esses mecanismos têm custos.”


Segundo Adler, esses custos incluem a lentidão no tempo de resposta, o aumento do número de cálculos e, às vezes, a rejeição de solicitações não problemáticas pelo modelo.


Autoridades na Europa, Índia e Malásia iniciaram investigações sobre imagens geradas pelo Grok.


A OFCOM, órgão regulador de mídia do Reino Unido, afirmou ter entrado em contato "urgente" com as empresas de Musk a respeito de "preocupações muito sérias" com o recurso Grok, que "produz imagens de pessoas nuas e imagens sexualizadas de crianças".


Em uma coletiva de imprensa na segunda-feira, o porta-voz da Comissão Europeia, Thomas Regnier, disse que a autoridade está "investigando muito seriamente" as denúncias de que o "modo picante" do X e do Grok exibe conteúdo sexual explícito, com algumas imagens infantis em sua composição.


“Isto é ilegal. Isto é revoltante. Isto é repugnante. É assim que vemos a situação, e isto não tem lugar na Europa”, disse ele.


A Comissão de Comunicações e Multimídia da Malásia (MCMC) afirma estar investigando o assunto.


E na semana passada, o Ministério da Eletrônica e Tecnologia da Informação da Índia ordenou que o X “realizasse imediatamente uma revisão abrangente, técnica, processual e de governança do… Grok”.


Nos Estados Unidos, plataformas de IA que produzem imagens problemáticas de crianças podem estar sujeitas a riscos legais, afirmou Riana Pfefferkorn, advogada e pesquisadora de políticas públicas do Instituto de Inteligência Artificial Centrada no Ser Humano de Stanford. Embora a lei conhecida como Seção 230 proteja há muito tempo as empresas de tecnologia de conteúdo gerado por terceiros e hospedado em suas plataformas, como postagens de usuários de redes sociais, ela nunca impediu a aplicação de sanções por crimes federais, incluindo o abuso sexual infantil online.


E as pessoas retratadas nas imagens também poderiam entrar com ações civis, disse ela.


“Essa história do Grok nos últimos dias faz com que a xAI pareça mais com aqueles sites de deepfake de nudez do que com seus concorrentes, como o OpenAI e o Meta”, disse Pfefferkorn.


Questionado sobre as imagens no Grok, um porta-voz do Departamento de Justiça dos Estados Unidos disse à CNN que o departamento "leva o material de abuso sexual infantil gerado por IA extremamente a sério e processará agressivamente qualquer produtor ou possuidor de material de abuso sexual infantil". (CNN)

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