Sergio Vale, da MB Associados, avalia que ação tem caráter predominantemente eleitoral...
Para o economista Sergio Vale, da MB Associados, a iniciativa tem caráter predominantemente eleitoral e age apenas no curto prazo, sem resolver os problemas estruturais das famílias endividadas.
Ao CNN Money, Sergio Vale avaliou que o programa tem cunho social, mas destacou que o mais importante, em ano eleitoral, é a capacidade do governo em atrair a atenção do eleitor.
Segundo ele, o Desenrola 1.0 já havia demonstrado ser temporário. "Ajudou no curto prazo, mas não resolveu de forma estrutural a vida dessas famílias".
O novo programa prevê juros de até 1,99% ao mês e abrange uma faixa de renda maior do que a contemplada na primeira versão.
Apesar de a taxa ser significativamente inferior às cobradas no cartão de crédito e no cheque especial, Vale considera que ela ainda é elevada para as famílias mais fragilizadas.
"É um paliativo de fato, é para funcionar no curto prazo", afirmou o economista, acrescentando que a medida provisória que sustenta o programa tem duração de apenas 90 dias.
Vale também alertou para o risco da população passar a encarar esses programas como recorrentes.
"A população pode eventualmente achar que, daqui dois, três anos, talvez volte a ter um programa como esse", disse.
Essa percepção, segundo ele, incentivaria tanto os cidadãos quanto o sistema financeiro a adotar comportamentos de endividamento mais arriscados.
O Novo Desenrola Brasil prevê garantias públicas via FGO (Fundo de Garantia de Operações) em escala muito maior do que o programa anterior.
Sergio Vale alertou que os recursos utilizados podem chegar a quase R$ 8 bilhões no total, com uma parte adicional de R$ 5 bilhões a 6 bilhões proveniente do Tesouro, o que impactaria o déficit primário.
O especialista também mencionou que o contexto político recente reforça a percepção de que o governo buscará, com crescente intensidade, programas capazes de ampliar sua popularidade antes das eleições.
"Fica um pouco essa preocupação do que o governo no final vai utilizar de recursos fiscais e parafiscais para tentar estimular a economia de alguma forma e atrair esse eleitor até o final do ano", declarou.
Outro ponto destacado na análise foi o chamado risco moral gerado pela repetição de programas de renegociação de dívidas.
O economista concordou que iniciativas como essa podem enfraquecer a cultura de adimplência no Brasil, uma vez que quem deixou de pagar recebe descontos, enquanto quem honrou seus compromissos financeiros não obtém benefício equivalente.
No caso do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), por exemplo, a crítica se concentrou nos descontos concedidos sobre o principal da dívida, e não apenas sobre juros e multas.
"O risco moral que já estava presente no 1.0 se consolidou agora com o 2.0", afirmou Sergio Vale.
Segundo ele, o programa também tem relação com o aumento do endividamento vinculado às casas de apostas, as chamadas bets, que o próprio governo reconheceu ao exigir que os participantes do programa se comprometam a não apostar no ano seguinte.
Para o economista, "a questão estrutural não está sendo resolvida" e, em cerca de 18 meses, a inadimplência deve voltar a crescer, repetindo o ciclo observado após o primeiro Desenrola.
FONT4E - Da CNN Brasil.








