Mergulhando na trend das redes sociais, confira retrospectiva jurídica dos fatos que marcaram o país em 2016...
A década passada vem sendo revisitada com entusiasmo. Perfis nas redes sociais relembram como era a vida, o humor, a estética e o espírito do tempo.
A moda nostálgica vem acompanhada de uma espécie de profecia: 2026 promete resgatar as "vibes" culturais, comportamentais e até emocionais daquele período.
Mas… e no mundo jurídico e político? O que se vivenciava naquele período?
De antemão: 2016 não foi um ano qualquer. Foi um plot twist contínuo. Um período em que o operador do Direito acordava, abria a internet e pensava: "não é possível". E era.
Acompanhe, abaixo, a retrospectiva - um tanto quanto fora de hora.
Crise político-institucional
A derrubada de Dilma saiu das manifestações, passou pela Câmara, atravessou o Senado e entrou definitivamente para a história - não sem deixar cicatrizes institucionais pelo caminho.
Lava Jato
Enquanto isso, a Lava Jato avançava em ritmo próprio.
As fases se sucediam tão rapidamente que ninguém mais sabia ao certo em qual estávamos.
Triplex, condução coercitiva, condenações históricas, delações e a impressão permanente de que o noticiário jurídico precisava de atualização a cada meia hora.
José Dirceu foi condenado na Lava Jato, o Japonês da Federal acabou preso em Curitiba e, como cereja do bolo, tivemos o inesquecível power point de Deltan Dallagnol - uma apresentação que entrou definitivamente para o folclore jurídico nacional.
Legislativo
Vieram leis novas em profusão: a da repatriação de recursos, a autorização para a sociedade unipessoal de advocacia, a regulamentação do Marco Civil da Internet, a lei de responsabilidade das estatais e a permissão do uso do FGTS como garantia em empréstimos consignados.
O novo CPC entrou em vigor exigindo que todo mundo fingisse que tinha entendido tudo desde o primeiro dia. Spoiler: ninguém tinha.
Ministro Teori Zavascki (in memoriam) determinou o afastamento do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A decisão confirmada pelo STF. Meses depois, Cunha renunciou ao cargo e acabou preso na Lava Jato.
Já ministro Marco Aurélio afastou Renan Calheiros da presidência do Senado, mas o STF não referendou a liminar de afastamento.
Atuação das Cortes
Supremo Tribunal Federal
O STF, em julgamento histórico, mudou o entendimento sobre a prisão após condenação em 2ª instância.
Também decidiu que o Fisco poderia requisitar diretamente às instituições bancárias dados sobre movimentação financeira de contribuintes, sem necessidade de autorização judicial.
Definiu que o tráfico privilegiado não tem natureza hedionda e reconheceu a possibilidade da dupla paternidade.
Os agravos e embargos começaram a migrar para o plenário virtual, inaugurando nova era de julgamentos.
Superior Tribunal de Justiça
Dilma, antes do impeachment, preencheu as duas vagas abertas no STJ, escolhendo Antonio Saldanha Palheiro e Joel Ilan Paciornik.
Pouco depois, ministra Laurita Vaz se tornou a primeira mulher a presidir a Corte da Cidadania.
No campo decisório, o STJ proibiu publicidade de alimentos dirigida a crianças, entendeu possível a penhora de bens móveis para pagamento de pensão alimentícia, validou a comissão de corretagem paga pelo consumidor e ainda reverteu absolvição no caso do chamado "beijo roubado", condenando réu por estupro.
Tribunal Superior do Trabalho
No campo trabalhista, o TST passou a ser formalmente reconhecido, via emenda constitucional, como órgão do Poder Judiciário.
Advocacia
O Conselho Federal da OAB também decidiu que advogados e advogadas travestis e transexuais poderiam utilizar o nome social no exercício profissional.
Adaptação à tecnologia
O WhatsApp foi bloqueado. Desbloqueado. Bloqueado de novo. O aplicativo virou quase um réu habitual.
Já o Uber foi regulamentado na cidade de São Paulo.
Internacional
Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos.
De volta para o futuro, sejamos honestos: abrir, dez anos depois, a caixa de Pandora de 2016 pode ser demasiado.
Entre erros e acertos, é preciso seguir adiante. Talvez tentar prever 2036 seja, quem sabe, mais assertivo - afinal, o futuro carrega esperança.
A brincadeira é construtiva, faz parte do jogo social.
Mas fica o desejo: que, em 2026, o debate jurídico avance sem precisar transformar a crise em combustível permanente. Que as instituições amadureçam sem depender do choque.
Aprender com o passado é essencial. Repeti-lo? Nem sempre.





