Fiho do presidente Lula, o empresário Lulinha manteve relações com o Careca do INSS para tocar projeto de cannabis medicinal...
A Polícia Federal (PF) pediu autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, por supostos crimes de corrupção e tráfico de influência no Ministério da Saúde por negócios relacionados a cannabis medicinal.
Lulinha é filho do presidente Lula (PT). Ele chegou a ser citado no inquérito da Operação Sem Desconto, que investiga a chamada Farra do INSS, por conta de sua relação junto ao lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS. O pedido da PF foi distribuída ao gabinete do ministro do STF André Mendonça nessa quarta-feira (29/7). A informação foi revelada pelo jornal Folha de S. Paulo e confirmada pelo Metrópoles.
O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e advogado de Lulinha ressaltou que recebe a notícia da investigação com perplexidade, mas ao mesmo tempo com serenidade. “É estranha a notícia sobre a instauração de um novo inquérito. A impressão que passa é que a Polícia Federal está promovendo uma espécide de fishing expedition, o que é muito grave. Recebemos, portanto, com estranheza, mas com tranquilidade”, disse.
“Teremos a oportunidade, uma vez mais, de demonstrar que Fábio não tem relação direta ou indireta com qualquer tipo de irregularidade”, prosseguiu Marco Aurélio de Carvalho.
Conforme revelou a coluna, ainda em agosto de 2025, o Careca do INSS fez lobby no Ministério da Saúde junto à empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha. Eles estiveram no mesmo dia e no mesmo horário na secretaria-executiva da pasta, então comandada por Swedenberger Barbosa, o Berger, que atualmente é chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do Gabinete Pessoal do Presidente da República.
A Polícia Federal também identificou pagamentos do Careca do INSS para Roberta Luchsinger que somam R$ 1,5 milhão. Em uma das transferências, o lobista descreveu a um interlocutor que o repasse tinha como destinatário o “filho do rapaz”, possivelmente se referindo ao filho do presidente Lula.
A coluna revelou ainda que a Polícia Federal identificou que o Careca do INSS e Lulinha viajaram para Madri e Lisboa, em um mesmo período, pelo menos três vezes.
No relatório, a PF também identificou que uma agência de viagens, que recebeu mais de R$ 640 mil de uma empresa de Roberta Luchsinger, aparece vinculada aos dados cadastrais de Lulinha em trechos internacionais. Um ex-funcionário do lobista afirmou que o Careca do INSS bancava as despesas da empresária e de Fábio Luís. Os três ensaiavam em conjunto um negócio na área de cannabis medicinal.
Em uma outra reportagem, a coluna mostrou ainda que o lobista chegou a entregar, em outubro de 2024, uma encomenda em um apartamento alugado por Lulinha em São Paulo.
Registros obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) revelam que Roberta Luchsinger esteve quatro vezes no Ministério da Saúde entre 2023 e 2024. Somente um desses encontros foi registrado em agenda oficial. Nesse registro, ela aparece como diretora de relações institucionais e governamentais da DuoSystem.
Já o Careca esteve cinco vezes na pasta. Em 2024, ele se apresentou três vezes como diretor da empresa de telemedicina. Em uma dessas idas, estava acompanhado de Roberta Luchsinger. Já em 2025, o Careca do INSS entrou no prédio do Ministério da Saúde duas vezes como presidente da World Cannabis, sua empresa especializada no mercado de fitoterapia.
Mensagens obtidas pelo Metrópoles mostram que o lobista chegou a dar curiosos mimos à herdeira, como roupinhas para seus animais de estimação. Procurados, os dois optaram por não comentar.
Como mostrou a coluna de Andreza Matais, do Metrópoles, Lulinha também viajou à Noruega e à Finlândia em janeiro de 2025 com as despesas pagas pela lobista Roberta Luchsinger. A viagem, com direito a voo na primeira classe e estadia em hotel de luxo, custou cerca de R$ 300 mil para cada família.
LEIA MAIS - AGORA - Mendonça autoriza que PF investigue Lulinha por tráfico de influência
FONTE - Tácio Lorran, Manoela Alcântara, Mateus Salomão