Boeing 747 operado pela ACT Airlines em nome da Emirates colidiu com uma viatura de segurança durante o pouso
Um avião de carga da ACT Airlines, operando em nome da Emirates, caiu no mar após derrapar na pista do aeroporto internacional de Hong Kong durante o pouso na madrugada desta segunda-feira (20), no horário local.
Segundo a Reuters, o Boeing 747 colidiu com um carro da patrulha de segurança antes de despencar na água. Dois funcionários do aeroporto morreram, enquanto os quatro tripulantes da aeronave escaparam sem ferimentos.
“A viatura de segurança estava em sua área habitual e definitivamente não invadiu a pista. O avião desviou repentinamente para a esquerda depois do pouso, o que não é normal”,
O voo havia partido de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e as causas do acidente ainda estão sob investigação. As autoridades locais analisam as condições meteorológicas, o estado da pista, a aeronave e o desempenho da tripulação.
Segundo a Reuters, o piloto não pediu ajuda antes do pouso nem relatou problemas técnicos.
Em nota, a Emirates informou que a aeronave era um Boeing 747 de carga alugado e que não transportava mercadorias no momento do acidente. “A tripulação está confirmada como segura”, declarou a companhia aérea.
As operações do aeroporto não foram interrompidas, mas a pista permanecerá interditada até o fim das inspeções de segurança.
A autoridade aeroportuária de Hong Kong afirmou que está prestando assistência às famílias das vítimas.
Em nota, a Emirates informou que a aeronave envolvida no incidente operava sob contrato de wet lease (modelo no qual uma companhia aérea fornece a outra uma aeronave completa, incluindo a tripulação de voo e de cabine, além de manutenção e seguros).
“Os quatro tripulantes a bordo passam bem e estão recebendo atendimento médico. A Emirates manifesta suas condolências às famílias e colegas dos dois funcionários do aeroporto que perderam a vida em solo.
A companhia permanece à disposição para colaborar com a investigação conforme necessário. A operadora, ACT Airlines, junto com as demais partes envolvidas, está cooperando plenamente com as autoridades na apuração do caso.”
"Biscoitando, pode ou é tarde demais?", quis saber Paula Lavigne, recebendo elogios de famosos
Paula Lavigne, 56, usou as redes sociais para postar fotos em que aparece nua, com o cabelo sobre os seios. Caetano Veloso, 83, marido da empresária, reagiu à publicação.
"Biscoitando. Pode ou é tarde demais?", quis saber. O cantor reagiu escolhendo dois emojis de coração que ficam entre outro escrito "on" (ligado) com uma seta apontando para os dois lados.
Outros famosos comentaram a postagem, aprovando o conteúdo. "Pode muitoooo", escreveu a atriz e apresentadora do "Sem Censura" Cissa Guimarães. "Claro que pode", comentou Paula Burlamaqui, que pode ser vista todas as noites como a Sônia da novela "Êta Mundo Melhor!".
"Que linda", disse Deborah Evelyn. "Pode" foi o que escreveram as atrizes Drica Moraes e Virgínia Cavendish. Alinne Moraes e Bel Kutner revezaram emojis de coração e fogo para mostrar que também gostaram.
Em abril, Caetano Veloso havia postado momentos românticos com Paula Lavigne, aproveitando dias de sol e piscina na Bahia. Os dois foram casados de 1986 a 2004 e se reconciliaram em 2016, formando uma união estável desde então. Eles tiveram dois filhos juntos, Zeca, 33, e Tom, 28.
Paula não esconde que adora a repercussão nas redes sociais. Em janeiro, ela compartilhou fotos do filho caçula, Tom, treinando sem camisa. "Sim, sou uma mãe biscoiteira", confessou, dando parabéns pelo aniversário do rapaz.
No "Altas Horas" do último dia 11, Caetano falou sobre a religiosidade dos filhos. "O Tom depois deixou a igreja, mas Zeca permanece evangélico, e eu fico orgulhoso disso. Porque ele faz parte de um fenômeno que me interessa muito no Brasil". Moreno sempre foi, diferente de mim, muito religioso, mas com uma visão das antigas religiões clássicas, da Grécia e das orientais. E o interesse pelo Candomblé, do qual eu também tenho", (Cnn Brasil)
Um vigilante de 57 anos, identificado como José P. dos S., foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (20) dentro da guarita onde trabalhava, em uma empresa localizada na rua Uruguai, bairro Industrial, zona norte da capital.
foto - Rondoniagora
De acordo com informações apuradas, o corpo foi descoberto por funcionários da empresa logo no início do expediente. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado e, ao chegar ao local, constatou o óbito.
Ainda conforme os socorristas, não foram observados sinais de violência, o que leva a crer que o vigilante possa ter sofrido um mal súbito enquanto estava de serviço.
A perícia foi acionada para realizar os procedimentos de praxe, e o corpo deve passar por exames que confirmarão a causa da morte.
Mais dois depoimentos serão tomados pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do do INSS nesta segunda-feira (20), a partir de 16h. Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), terá de explicar mais de R$ 1,1 bilhão em descontos indevidos de aposentados e pensionistas.
A ex-integrante do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS) Tonia Andrea Inocentini Galleti deverá informar aos parlamentares o que teria bloqueado suas denúncias e pedidos de regulamentação dos Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) firmados com associações e sindicatos.
Suspeitas
A oitiva de Tonia Galleti atende a cinco requerimentos, dos senadores Izalci Lucas (PL-DF), Damares Alves (Republicanos-DF) e dos deputados Beto Pereira (PSDB-MS), Adriana Ventura (Novo-SP) e Duarte Jr. (PSB-MA).
No seu pedido (REQ 60/2025), Izalci Lucas argumenta que a investigação no âmbito da CPMI não pode ser compreendida “apenas pela análise de seus executores finais”, mas considera importante investigar as falhas estruturais e as “omissões deliberadas que ocorreram no epicentro decisório do sistema”.
Já o depoimento de Felipe Macedo Gomes, ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), atende a sete requerimentos, dos senadores Fabiano Contarato (PT-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF) e dos deputados Rogério Correia (PT-MG), Orlando Silva (PCdoB-SP), Paulo Pimenta (PT-RS) e Evair Vieira de Melo (PP-ES).
Ao justificar o depoimento (REQ 910/2025), Fabiano Contarato aponta que Felipe Gomes teria sido identificado pelas investigações da Polícia Federal e da Controladoria Geral da União (CGU) como um dos operadores do esquema de fraudes no INSS.
Segundo o senador, entre 2022 e 2024, o ex-dirigente da associação teria movimentado mais de R$ 1,1 bilhão por meio de descontos indevidos em benefícios previdenciários.
“A Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB) foi autorizada a descontar até 2,5% sobre os benefícios previdenciários em 2022, passando a executar cobranças que atingiram milhares de aposentados e pensionistas, muitos sem qualquer vínculo ou autorização expressa para filiação à entidade", afirma Contarato.
"Há indícios de que a associação funcionou como fachada para operações financeiras irregulares, utilizando a estrutura de convênios com o INSS para captação ilícita de recursos, o que caracteriza grave violação dos direitos dos beneficiários”, acrescenta o senador na justificação.
INSS
O ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto esteve na CPMI na segunda passada e se negou a responder as perguntas do relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que analisa os desvios em descontos de aposentados e pensionistas, deputado Alfredo Gaspar (União-AL).
A negativa gerou um impasse e a reunião foi suspensa para tratativas do presidente do colegiado, senador Carlos Viana (Podemos-MG) com a defesa da testemunha.
Um habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux deu a Stefanutto o direito de não ser obrigado a responder a perguntas que possam incriminá-lo.
No relato inicial, Stefanutto abordou o seu trabalho na direção da autarquia, enumerando as medidas tomadas para resolver problemas como a fila para análise de benefícios e os desvios relacionados a descontos associativos de aposentados e pensionistas.
“Os servidores do INSS são heróis, porque entregam um serviço que, via de regra, ninguém reconhece”, disse o ex-presidente do INSS, referindo-se às ações de auditoria para investigar os descontos.
Evento reunirá 700 estudantes para competição em diversas modalidades em Porto Velho...
Entre os dias 27 e 31 de outubro, será realizada, em Porto Velho, a XIII edição dos Jogos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Rondônia (JIFRO). O evento é uma manifestação esportiva e cultural que reúne estudantes de todas as unidades da instituição em competições nas modalidades individuais e coletivas, integradas à prática pedagógica e ao desenvolvimento educacional por meio do esporte. A cerimônia de abertura será no Campus Calama (Av. Calama, 4.985 – Bairro Flodoaldo Pontes Pinto, Porto Velho), na segunda-feira, dia 27 de outubro, às 19 horas.
Neste ano, os Jogos contarão com a participação de 700 estudantes-atletas, representando as dez unidades do IFRO, distribuídas pelo estado de Rondônia (Ariquemes, Cacoal, Colorado do Oeste, Guajará-Mirim, Jaru, Ji-Paraná, Vilhena, São Miguel do Guaporé e os da capital). As competições ocorrerão nos Campi Porto Velho Calama e Zona Norte, além do Colégio Marcelo Cândia, e contemplarão as modalidades de voleibol, futsal, basquetebol, handebol, vôlei de praia, atletismo, natação, judô, xadrez e tênis de mesa
De acordo com o Presidente da Comissão Organizadora do JIFRO 2025, Amisley Guale Araújo, os Jogos estão fundamentados em princípios pedagógicos que reforçam o esporte como instrumento de transformação social e de formação cidadã. “Os Jogos também são momentos de celebração da amizade, da integração e da superação entre os participantes, assim como de reconhecimento aos profissionais que se dedicam para que o evento aconteça”, destacou.
O Reitor do IFRO, Moisés Souza, fez um chamamento especial para o evento. “Eu tenho um convite muito especial para os servidores envolvidos, mas especialmente para os nossos alunos do IFRO. Dia 27 vai começar a grande festa da integração esportiva, o nosso 13º JIFRO. Você é nosso convidado especial” e completou: “sejam bem-vindos à festa da integração esportiva em nossa instituição”.
O momento é de expectativa para todos os competidores. Aluna do 3º ano do Técnico em Biotecnologia Integrado ao Ensino Médio do Campus Guajará-Mirim, Maria Elisa de Souza Pantoja afirmou: “minha expectativa para o Jogo do JIFRO são as melhores e mais positivas. Sabemos que não vai ser nada fácil, mas desistir não vai ser uma opção. Vamos em busca da vitória, com garra e luta e trazer uma vitória para o nosso campus”.
Vanderlaine Rodrigues de Morais, do 3º ano do Curso Técnico em Química Integrado ao Ensino Médio do Campus Ji-Paraná, participará na modalidade futsal e também diz que sua expectativa está alta. “Eu creio que os jogos serão muito divertidos, vamos fazer diversas amizades e, claro, se Deus quiser, trazer a medalha para o campus”, afirmou.
Pensando na competição, e em rever representantes de demais campi, Ana Clara Cordova Batista, estudante do 3º ano do Técnico em Biotecnologia em Guajará, explica que tem a expectativa para esse ano de “garantir uma boa classificação para o meu time, quem sabe, trazer uma vitória. E, também, rever os meus companheiros das outras delegações, aproveitar bastante com os meus amigos e com o time”.
Cursando o 2º ano do Técnico em Biotecnologia, Telma Clara Rodrigues da Silva representará Guajará-Mirim no futsal e demonstra que o desafio é que a unidade “leve o primeiro lugar. No ano passado conseguimos pegar o terceiro, e espero que esse ano consigamos pegar o primeiro”. Ela aposta ainda na disputa do atletismo mostrando que vão em busca do primeiro lugar.
Ampliando o conceito para uma competição de fortalecimento de equipe, de laços de amizade e de integridade, Telma finaliza: “que muitas pessoas possam participar do JIFRO”.
A história do tenente-coronel paraquedista Abelardo e Alvarenga Mafra, ex-governador do extinto Território Federal do Guaporé não aparece em livros, tampouco é conhecida no Estado de Rondônia. Até há pouco tempo estava oculta*. Apoiar seringueiros, indígenas isolados e a incipiente mineração sem dispor de dinheiro algum foi, sem dúvida, o grande feito desse militar visionário filiado ao Partido Trabalhista Nacional (PTN). Um mito de verdade.
Palácio Presidente Vargas, nos anos 1950: aqui Abelardo Mafra recebeu telegrama o exonerando do cargo em seu segundo governo
Em 2019 eu pesquisava a respeito de antigos governadores territoriais, quando me deparei com a história de um homem dedicado e injustiçado por golpistas de 1964.
Tenente-coronel Mafra conseguiu administrar com precário orçamento, mas foi vítima de perseguição política de militares superiores, do Rio de Janeiro
Terceiro e nono governador dos extintos territórios (Guaporé e Rondônia), Mafra viveu o começo do conturbado período de troca de governadores entre 1961 e 1964, ainda com a economia sustentada pelo extrativismo. Exerceu o cargo de 18 de março de 1961 a 13 de setembro daquele ano – quase seis meses.
Voltaria pelo Partido Social Democrático (PSD) para outro meteórico governo de três meses, de 27 de janeiro de 1964 a 24 de abril daquele ano. Quando assumiu o cargo, Rondônia tinha apenas um deputado federal, Renato Clímaco Borralho de Medeiros (PSP).
Sem justificativa inteligente, o Conselho de Segurança Nacional impediu Abelardo Mafra de criar uma companhia mista de desenvolvimento constituída por garimpeiros de cassiterita, empresas privadas e órgãos governamentais.
A disputa de poder entre cúpulas militares é antiga no Brasil, vem desde o início da República. Analisando o controvertido período ditatorial, vê-se que o projeto de Mafra para a cassiterita foi cumprido menos de duas décadas depois por outro paraquedista, o coronel Jorge Teixeira de Oliveira, ao criar em seu governo a Companhia de Mineração de Rondônia (CMR). Essa empresa até ensaiou o controle da produção de ouro.
Duas vezes governador territorial, na última o tenente-coronel Mafra deixou o cargo em setembro de 1964: demitido por telegrama transmitido ao Palácio Presidente Vargas, ele foi levado preso a bordo do navio Princesa Leopoldina, no Rio de Janeiro, onde permaneceu 52 dias.
Uma semana depois de voltar da prisão no navio, Mafra foi chamado ao Ministério da Guerra [antigo nome do Ministério do Exército, hoje, Comando do Exército], onde o general Lira Tavares o mandou para a reserva e até o expulsou.
Carta de protesto contra golpistas de 1964, escrita pela senhora Beatriz Segato de Alvarenga Mafra, saiu publicada no jornal “Correio da Manhã”
Indignada, a esposa do tenente-coronel, Beatriz Segato de Alvarenga Mafra, enviou carta de protesto ao general Artur Costa e Silva, presidente do Comando Revolucionário. Trechos dessa carta foram publicados pelo extinto jornal Correio da Manhã.
Miséria territorial
Não havia estradas, nem saúde, e a educação pública era ainda embrionária. A Guarda Territorial tinha o poder de polícia, e só.
O orçamento do extinto Território Federal do Guaporé não passava de 140 mil cruzeiros. A região, desde a velha Província de Matto Grosso, aparecia inteira no mapa do Brasil, mas dificilmente recebia do governo federal o que tinha direito para custeio, desenvolvimento social e investimentos.
Vila dos Remédios, Fernando de Noronha, década de 1950: palco da primeira experiência exitosa do tenente-coronel que veio governar o Guaporé
Abelardo Mafra veio para cá como “tábua de salvação”, pois acumulava experiência administrativa bem-sucedida anteriormente, no Território Federal de Fernando Noronha.
Em tempo de migalhas financeiras para territórios federais e filiado ao Partido Trabalhista Nacional (PTN), ele chegava a Porto Velho sem que a população soubesse exatamente por que fora perseguido.
Mafra deixou escapar o “matador de mendigos”
Raivoso, o Comando da Revolução de 1964 cassou o tenente-coronel pelo Ato Institucional nº 1, que atingiu 25 militares paraquedistas, dos quais, dez demitidos e 15 reformados. Desses 25, quatro teriam participação direta no movimento fracassado para prender o governador da Guanabara, Carlos Frederico Werneck de Lacerda [1961-1965], em 4 de março de 1963.
Apelidado de “Corvo”, o ex-governador da Guanabara, Carlos Lacerda escapou de ser preso pela guarnição militar de Alvarenga Mafra
Lacerda, a mais forte voz da direita brasileira entre os anos 1950 e 1960, era ótimo orador, mas controvertido ser humano no campo social. Com o objetivo de “limpar a cidade”, ousou acabar com os mendigos do Centro e Zona Sul do Rio de Janeiro, matando-os.
No começo de 1963 uma equipe do jornal Última Hora, liderada pelo Luarlindo Ernesto Silva, seguiu um comboio policial e flagrou agentes jogando mendigos de cima de uma ponte. Os jornalistas conseguiram salvar uma das vítimas, e a partir de seu depoimento, pulicou uma série de reportagens desnudando o governo lacerdista. Isso resultou em CPI, que constatou mais de 50 casos de desaparecimentos de moradores de rua.
O golpe civil-militar de 1964 fez a CPI ser arquivada.
Mafra era, então, assistente do comandante do Núcleo da Divisão Aeroterrestre, general Alfredo Pinheiro Soares Filho, e fora designado para a operação de prisão de Lacerda, junto com o comandante da Companhia de Engenharia, major Rodovalho Alves dos Reis.
Inimigo de Getúlio Vargas
Inimigo político do ex-presidente Getúlio Dornelles Vargas, foi o grande coordenador da oposição à campanha dele à presidência em 1950 e durante todo o mandato constitucional do presidente, até agosto de 1954.
Uniu-se a militares intervencionistas e aos partidos oposicionistas (principalmente a UDN) num esforço conjunto para derrubar o presidente, por meio de acusações que publicava em seu jornal, Tribuna da Imprensa. Vargas suicidou-se em seu quarto, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, que era o Distrito Federal brasileiro.
Um dos articuladores civis do golpe de 1964, em 1966 Lacerda fora golpeado com a prorrogação do mandato do primeiro presidente no regime militar, marechal Humberto de Alencar Castelo Branco. E em novembro daquele ano, após ter sido perseguido pelo regime que ajudou a criar, lançou o movimento de resistência denominado Frente Ampla, liderado por ele e por seus antigos opositores João Belchior Marques Goulart e Juscelino Kubitschek de Oliveira. Mas a “Revolução” cassou seu mandato em dezembro de 1968.
Apoiou estradas, mineração, seringueiros e indígenas
Em seu segundo governo, o tenente-coronel Mafra criou a Escola Artesanal de Guajará-Mirim, na fronteira brasileira com a Bolívia; reabriu a olaria do governo, asfaltou na Capital a estrada do antigo aeroporto [atual Avenida Presidente Dutra] até o Porto Velho Hotel [hoje administração da Unir]; e retomou as obras da BR-364.
Antes de o governo federal proibir a lavra manual de cassiterita [minério de estanho], em 1970, Mafra reconhecia esse enorme potencial que se tornaria bem conhecido durante o governo de João Carlos Mader (1965-1969), que por sua vez apoiava a criação do Estatuto da Mineração.
Pela razão de o País já ter aberto as portas a grupos multinacionais que anteriormente “namoravam” o negócio e se contentariam com sócios nacionais na extração desse minério.
O ex-governador Mafra firmou convênio com a FAO [agência da ONU para o combate à fome e à pobreza por meio da melhoria da segurança alimentar e do desenvolvimento agrícola], contemplando a borracha.
A extração do látex em seringueiras nativas constituiu o primeiro ciclo de atividade econômica desde antes da criação do Território Federal do Guaporé.
Mafra apoiou o bispo da Prelazia de Guajará-Mirim, dom Francisco Xavier Rey, e o padre Luiz Roberto Gomes de Arruda a evitar o alastramento de doenças e massacres praticados por seringalistas contra indígenas. No auge da expedição de contato dos Pacaás novos para juntá-los a outros grupos da mesma etnia contatados nos anos 1950, a Prelazia socorria indígenas com gripe, fome e tuberculose.
Remédios para indígenas
Enviou um carregamento de remédios ao Serviço de Proteção ao Índio (SPI). A expedição partiu de Guajará em 20 de maio de 1961, dois meses após a sua posse.
Apesar de todo o esforço, os remédios escassos e a falta de salários levaram antigos expedicionários a abandonarem seus postos. Em agosto de 1963, na acareação com o diretor do SPI, Moacyr Ribeiro Coelho, a CPI da Câmara dos Deputados constatou que a expedição começara antes do governo João Goulart e, em nenhum momento, desmentira a morte de índios por pneumonia denunciadas pelo padre Luiz Arruda.
Humilhação
Em menos de três anos desde o primeiro ao segundo período de governo de Mafra, o Território Federal de Rondônia teve cinco governadores, todos com mandatos curtos.
Terceiro nessa nova fase, ele sucedeu a Paulo Nunes Leal, entretanto, a experiência administrativa de Mafra viera do período 1956-1957, quando era major e governava o Território Federal de Fernando Noronha, arquipélago pernambucano.
“Sem água potável, com apenas duas professoras, uma das quais pedira demissão da escola local, e uma associação civil que protegia a maternidade e a infância”, frisava. Em Fernando de Noronha funcionava o famoso presídio a céu aberto requisitado pelo presidente Getúlio Vargas em 1938 para abrigar 600 homens considerados subversivos, entre eles, o guerrilheiro e poeta Carlos Marighella.
Sumariamente exonerado do governo e excluído do serviço militar ativo, o tenente-coronel foi transferido para a reserva [o equivalente a aposentadoria para militares] e aposentado na patente de general de brigada, graças à anistia política em 1980.
Relatório de Mafra na internet revela que fora prestigiado por dois presidentes da República – Café Filho, autor de sua nomeação, e Juscelino Kubistchek que o visitou em Fernando de Noronha. Certamente, a experiência o credenciava a atuar na Amazônia.
No arquipélago, ele se deparou com a falta de coleta de lixo, moscas e mosquitos, planejou um forno crematório, e conseguiu três atuações de uma equipe do Departamento Nacional de Endemias Rurais para dedetizar todas as casas. Consta que, numa das vezes, exterminou 1.500 ratos.
Mesmo com larga folha de serviços e por mais que pudesse conciliar interesses, Mafra teve a vida pessoal devassada. Um simples telegrama dos Correios, entregue no Palácio Presidente Vargas, em Porto Velho, convocou-o com urgência a Brasília e de lá ele foi levado a um quartel do Exército no Rio, recebendo ordem de prisão.
Diversos oficiais superiores, capitães, tenentes e aspirantes – ao todo 112 – da Aeronáutica, Exército e Marinha – também ligados aos ex-presidentes Jânio Quadros e João Goulart também foram presos no mesmo período, entre 1964 e 1966.
Força “cutuba”
Em 1964, o então secretário geral Eudes Campomizzi Filho, que conhecia bem a realidade rondoniense, assumia interinamente o cargo de governador com amplos poderes transmitidos por Mafra, mas nem esquentou a cadeira.
Desembarcava silenciosamente no aeroporto de Porto Velho o capitão de engenharia Anachreonte Gomes, procedente de Manaus, intitulando-se interventor e obrigando Campomizzi a deixar o palácio. Essa parte da história é amplamente conhecida.
A força eleitoral “cutuba” estava em Porto Velho, dominando a política. Já os pele curtas, na descrição do professor Valdir Aparecido de Souza, da Universidade do Estado de São Paulo (Unesp) foram assim denominados pela escassez de roupas e pela pobreza: “Eram os ferroviários, profissionais liberais e trabalhadores em geral, representados pelo médico Renato Medeiros, os renatistas.
* HISTÓRIAS OCULTAS
Para encontrar um tanto a respeito de Abelardo Mafra, este repórter pesquisou o arquivo digital da Câmara dos Deputados e alguns jornais do Rio de Janeiro, entre os quais, A Noite, Correio da Manhãe O Jornal.
Da mesma forma, daqueles que governaram depois de 1956, as bibliotecas guardam pouca memória.
Tão distante do antigo Distrito Federal, no Rio de Janeiro, o território pouco peso possuía no Congresso Nacional, no Senado Federal e no Supremo Tribunal. A Amazônia era um zero à esquerda no contexto político, salvo a história de suas guerras e suas riquezas naturais que começavam a despertar o mundo ainda no século passado.
Fotos: Museu da Memória Rondoniense e Arquivo Nacional
*Chegou a Rondônia em 1976. Em dois períodos profissionais esteve no Acre, norte mato-grossense, Amazonas, Pará e Roraima, a serviço da Folha de S. Paulo, O Globo e Jornal do Brasil. Acompanhou a instalação do Centro de Triagem de Migrantes em Vilhena e a chegada dos recursos financeiros da Sudam, Polamazônia e Polonoroeste durante a elevação do antigo território federal a estado. Deu ênfase à distribuição de terras pelo Incra, ao desmatamento e às produções agropecuária e mineral. Cobriu Mato Grosso antes da divisão do estado (1974 a 1977); populações indígenas em Manaus (AM); o nascimento do Mercosul (1991) em Foz do Iguaçu, na fronteira brasileira com o Paraguai e Argentina; portos, minérios e situação fundiária no Maranhão; cidades e urbanismo em Brasília (DF).
O Ministério Público de Rondônia (MPRO) reforçou sua atuação no segundo grau de jurisdição, com a posse, nesta sexta-feira (17/10), de João Francisco Afonso no cargo de Procurador de Justiça. A cerimônia, realizada no prédio-sede da instituição, em Porto Velho, foi marcada pela renovação do compromisso com a defesa dos direitos da sociedade, da probidade administrativa e o combate à corrupção, áreas em que o novo procurador tem destacada atuação.
FOTO - MPRO
O ato de posse foi realizado em Sessão Solene do Colégio de Procuradores, presidido pelo procurador-geral de Justiça, Alexandre Jésus de Queiroz Santiago. Estiveram presentes integrantes dos Poderes Legislativo, Judiciário, Tribunal de Contas e representantes de instituições militares.
Em discurso, o procurador de Justiça falou de sua paixão pela carreira do MP, destacando a grandeza da função ministerial, sua importância para a sociedade, para a democracia e, sobretudo, para a luta pela justiça e paz social, uma compreensão que, conforme disse, passou a ter ainda no início dos estudos para o concurso e que o moveu em mais de três décadas de trabalho.
Discorrendo sobre a essência da instituição, afirmou acreditar que a síntese da atuação do Ministério Público - das procuradorias, curadorias, promotorias criminais e de família - reside na busca por políticas públicas para diminuir o abismo social.
Ao colocar as novas funções no segundo grau em perspectiva, reafirmou o compromisso com o combate à criminalidade e à corrupção e com a defesa da probidade, sendo esta última área o foco de seu desempenho funcional por mais de 20 anos.
“Os anos se passaram e aqui estou, hoje procurador de Justiça, mas atento à importância do combate à corrupção e à improbidade, seara da qual tudo o mais depende, pois do agente público probo decorre o que possa ser positivo e válido na administração pública”, disse.
João Francisco Afonso agradeceu a membros e servidores do Ministério Público, amigos e aos familiares, pela compreensão à dedicação empregada no trabalho.
O novo integrante do Colégio foi cumprimentado pelo procurador-geral de Justiça, Alexandre Jésus, que elogiou a dedicação do empossado no primeiro grau. “Quando o conheci, soube logo que Vossa Excelência era uma pessoa comprometida com a atuação do Ministério Público. Em algum momento, falou em se aposentar, mas ainda bem que foi ficando, foi continuando e foi realizando, porque nunca perdeu a capacidade de se indignar com a injustiça. Ficou por amor a essa sociedade, por paixão ao Ministério Público e por devoção às pessoas”, ressaltou, desejando boa sorte ao empossado.
Saudações
Em nome do Colégio, o procurador de Justiça Rodney Pereira de Paula saudou João Francisco Afonso pela promoção na carreira. Na ocasião, destacou a personalidade combativa, o rigor ético e a honestidade do empossado. “Sua ascensão ao cargo de procurador será somente uma transmutação de local de trabalho, pois levará consigo a independência funcional e a liberdade de consciência, sempre em harmonia com o interesse público. Tenho certeza de que o senhor não se curvará a nada a não ser à Constituição”.
O empossado também foi felicitado pelo representante da Associação do Ministério Público de Rondônia (Ampro), Promotor de Justiça Marcelo Lincoln Guidio, que, ao falar da responsabilidade do novo posto, desejou ao procurador uma trajetória pontuada pela busca incessante pela verdade, pela defesa intransigente dos direitos e pela construção de uma sociedade mais justa e equânime. “Que cada desafio seja uma oportunidade para reafirmar o compromisso com a cidadania e com os princípios que regem a nossa instituição”, declarou.
Ritos
Além dos discursos, a solenidade foi marcada pelo rito de investidura de João Francisco Afonso no cargo, conduzido pelo procurador de Justiça Marcos Valério, e pela condecoração do procurador com a Medalha da Ordem do Mérito do Ministério Público, no Grau Grã-Cruz.
A cerimônia teve a presença do Corregedor-Geral da Justiça, Desembargador Gilberto Batista dos Santos; do Desembargador Roosevelt Queiroz; do Defensor Público-Geral, Victor Hugo de Souza; do Diretor de Relações Institucionais da Assembleia Legislativa, Guilherme Erse, do Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Paulo Cury Neto, além de autoridades militares.
Trajetória
João Francisco Afonso ingressou no Ministério Público de Rondônia em 1994, após ser aprovado no VII Concurso para Promotores de Justiça da Instituição. Passou pela comarca de Costa Marques, até ser convocado para o Centro de Atividades Extrajudiciais (CAEX) em 1995, onde permaneceu até 1999.
Em Porto Velho, teve passagens pelas Promotorias de Execução Penal, Meio Ambiente e Infância e Juventude. Em 2004, foi promovido para a Promotoria de Defesa da Probidade Administrativa, onde foi titular por 21 anos.