Valmir Goes de Jesus, conhecido como “Maquita”, teria coordenado estrutura com máquinas pesadas e rádio clandestino para exploração mineral; MPF pede indenização mínima de R$ 200 mil...
Valmir Goes de Jesus, conhecido como “Maquita”, foi denunciado por suspeita de comandar um garimpo ilegal de diamantes com 15 pessoas dentro da Terra Indígena Roosevelt e do Parque Indígena Aripuanã, em Rondônia. A denúncia foi aceita pela Justiça Federal e tramita na Vara Federal Cível e Criminal de Vilhena.
Segundo a denúncia, Valmir exercia papel central na logística da exploração mineral e utilizava estratégias para dificultar a atuação das forças de fiscalização na região. A estrutura contava com equipamentos destinados à extração de diamantes e mecanismos de comunicação para acompanhar a movimentação na floresta.
O investigado havia sido preso em flagrante pela Polícia Federal e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em 25 de maio de 2023, durante a Operação Oraculum, realizada na região conhecida como “Garimpo Lajes”.
Conforme as apurações, o grupo utilizava motobombas na atividade de extração, provocando desmatamento e danos ao solo. A estrutura também contava com máquinas pesadas, entre elas escavadeiras.
Outro recurso utilizado seria um rádio sem registro na Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O equipamento possuía uma antena adaptada para ampliar o alcance do sinal e, segundo a investigação, era empregado para monitorar as atividades e alertar sobre a aproximação das autoridades.
Valmir também utilizaria uma motocicleta para se deslocar rapidamente pelas estradas abertas ilegalmente dentro da área protegida. Ele foi abordado enquanto pilotava o veículo e estava com o equipamento de rádio ligado.
Ainda de acordo com a investigação, ao ser abordado, Valmir admitiu atuar no garimpo ilegal. Ele teria informado que estava naquele acampamento havia cerca de 15 dias, mas reconheceu que trabalhava com garimpo ilegal naquela área de proteção federal havia pelo menos cinco anos.
O MPF atribui ao denunciado quatro crimes: usurpação de bens da União pela exploração de diamantes, extração ilegal de recursos minerais com agravante por ocorrer em terra indígena, invasão de terras públicas e desenvolvimento clandestino de telecomunicação.
O órgão argumenta que a gravidade dos fatos, o período de atuação e o nível de organização identificado justificam o processamento do caso pela via criminal comum.
Além das responsabilizações criminais, o MPF pede que Valmir seja condenado ao pagamento de uma indenização mínima de R$ 200 mil pelos danos ambientais e morais decorrentes das atividades realizadas nas áreas protegidas.





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