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Césio-137 na Argentina: perigo está na abertura da cápsula

Especialista alerta sobre riscos de contato com o material; cápsula roubada continha a mesma substância que provocou o acidente radiológico de Goiânia, em 1987...

De acordo com a Autoridade Reguladora Nuclear da Argentina, a fonte radioativa era usada para calibrar equipamentos de medicina nuclear. O governo argentino informou que o risco radiológico é considerado baixo, mas orientou a população a não tocar nem manipular o objeto caso ele seja encontrado.

Em entrevista ao SBT News, o pesquisador da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) e professor do Instituto Mauá de Tecnologia, Eduardo Cabral, afirmou que o césio-137 exige protocolos rigorosos de segurança, mas que a cápsula não oferece grande risco enquanto permanecer intacta. "A fonte em si não oferece risco porque é blindada. Se a pessoa não manipular a fonte, ela não oferece grandes riscos", afirmou.

Segundo ele, o problema começa se a cápsula for aberta ou danificada. Nesse caso, o material radioativo pode ficar exposto e se tornar perigoso para quem tiver contato com ele. "Se a pessoa abrir a fonte ou retirar o material radioativo de dentro da cápsula, aí sim o perigo é muito grande, como aconteceu em Goiânia", disse.

O acidente na capital goiana começou quando dois catadores encontraram um equipamento abandonado em uma clínica desativada e o venderam para um ferro-velho sem saber que continha material radioativo. Depois que a cápsula foi aberta, diversas pessoas tiveram contato com o césio-137 e apresentaram sintomas de contaminação.

Quais são os riscos do césio-137?

Segundo o pesquisador, o césio-137 emite partículas beta e raios gama.

As partículas beta são mais perigosas quando o material é ingerido ou entra no organismo. Já os raios gama podem causar danos mesmo sem contato físico com a substância. "Basta ficar próximo da fonte para receber radiação. Dependendo da intensidade e do tempo de exposição, podem ocorrer lesões na pele, danos à medula óssea e até morte", afirmou o pesquisador.

O risco aumenta muito se o material radioativo for retirado da cápsula de proteção.

Por que Goiânia ainda convive com as consequências?

Quase quatro décadas após o acidente, o material contaminado continua armazenado em um repositório construído em Goiânia.

Cabral afirmou que isso acontece porque o césio-137 tem meia-vida de cerca de 30 anos. Isso significa que a radioatividade cai pela metade a cada três décadas. "Como passaram pouco menos de 40 anos desde o acidente, a atividade radioativa ainda é relativamente alta", afirmou.

Segundo ele, um material radioativo costuma ser considerado inativo apenas depois de cerca de dez meias-vidas. No caso do césio-137, isso representa aproximadamente 300 anos.

Por isso, o material precisa permanecer sob vigilância e controle por um período muito longo.

FONTE - SBT NEWS.



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