Analista traça cenários e aponta ainda preferir PRIO neste cenário
Cerca de uma semana após o conflito entre o Irã e os EUA, o petróleo brent ultrapassou os US$ 100 o barril (bbl) nesta segunda-feira (9), levando os analistas a revisarem as suas projeções para o setor.
“As implicações de um evento geopolítico de tão grande alcance são numerosas e, por vezes, conflitantes e interligadas”, avalia em relatório o analista da XP Regis Cardoso.
De uma perspectiva macroeconômica, o conflito provavelmente impulsionará ainda mais o sentimento de aversão ao risco nos mercados globais. Além disso, os preços mais elevados da energia elevarão a inflação, reduzirão a margem para cortes nas taxas de juros e poderão desacelerar a atividade econômica global — fatores que são negativos para as ações. No entanto, nem tudo aponta para uma queda.
O petróleo e o gás representam uma parcela significativa do PIB brasileiro e das receitas do governo. Além disso, ações individuais do setor de petróleo e gás se beneficiam diretamente dos preços mais altos das commodities.
Olhando para as ações do setor, Cardoso destaca que o cálculo da sensibilidade da Petrobras (PETR3;PETR4) depende de uma premissa principal: a empresa repassará os aumentos para os preços domésticos da gasolina e do diesel.
Se a resposta for sim, a Petrobras ganha entre US$ 4 e US$ 5 bilhões para cada US$ 10/bbl (barril). Mas há mais, segundo o analista. Não só os preços do Brent aumentaram, como também os spreads de refino se ampliaram (o diesel americano em relação ao Brent está em US$ 66/bbl, um aumento de US$ 27/bbl desde o início do conflito).
Para cada US$ 10/bbl, a sensibilidade aos spreads de refino do diesel é de US$ 1,5 a 2,0 bilhões. Isso significa que, com o Brent a 100/bbl e os spreads de refino US$ 50/bbl acima de nossas premissas básicas, a Petrobras poderia gerar cerca de US$ 28,5 bilhões de FCFE (rendimento do fluxo de caixa livre) ou cerca de 25% de retorno.
Se a Petrobras não aumentar os preços dos derivados, então o aumento será limitado às exportações de petróleo bruto e outras vendas que seguem os padrões internacionais.
“Nesse caso, não há vantagem com os maiores spreads de refino (pelo contrário, há uma desvantagem de cerca de US$ 300 milhões para cada US$ 10/bbl de importação com prejuízo). Além disso, a sensibilidade do spread de refino funciona contra a empresa, e a Petrobras obtém apenas um ganho líquido de cerca de US$ 2,0 a 2,5 bilhões para cada US$ 10/bbl”, avalia.
No total, isso significa que, com o Brent a 100/bbl e os spreads de refino do diesel 50 USD/bbl acima das nossas premissas de base, a Petrobras geraria apenas US$ 13 bilhões de FCFE ou 11% de retorno se não repassasse os aumentos de preço.
“No entanto, em nossa visão, não há dúvida de que a Petrobras terá que aumentar os preços. Se não o fizer, as distribuidoras de combustíveis e os postos de gasolina enfrentarão uma crescente escassez de diesel dentro de duas ou três semanas.”, aponta.
Na quarta semana, o analista acredita que os preços nas bombas precisariam subir para incentivar as importações, mesmo que os preços de tabela da Petrobras permanecessem inalterados.
Nesse ponto, se a Petrobras continuasse a conter os aumentos de preços, estaria efetivamente transferindo os lucros e prejuízos para as distribuidoras que comprariam seus produtos com desconto.
Para o setor em geral, se os preços do Brent ficassem em média em US$ 100/bbl em 2026, a Petrobras geraria retornos acima de 20% e a PRIO (PRIO3) acima de 30% — embora ainda não considere isso um cenário base.
Por outro lado, embora o aumento dos preços do petróleo seja um argumento convincente para as empresas mais alavancadas – Brava (BRAV3) e PetroRecôncavo (RECV3) -, seus hedges de petróleo limitam o potencial de alta.
Incluindo os hedges, as sensibilidades para cada US$ 10/bbl são +4 pontos percentuais (pp) para a Brava, +3 pp para a RECV3, +5 pp para a PRIO e Petrobras.
Isso significa que, se o aumento dos preços do petróleo durar menos de um ano, a PRIO será a mais beneficiada.
“Continuamos a preferir a PRIO e a Petrobras – acreditamos que essas duas empresas continuam a oferecer o melhor equilíbrio entre risco e retorno. Também vemos as distribuidoras bem posicionadas para se beneficiarem, e a Vibra continua sendo nossa preferência no setor de distribuição de combustíveis”, apontam os analistas. (Infomoney)






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