Especialista explica que desejo americano por mudança no governo iraniano está baseado mais em objetivos estratégicos de poder e segurança do que na defesa da democracia
A mudança no regime dos aiatolás no Irã seria favorável para os Estados Unidos, porém esse desejo não se baseia tanto na defesa da democracia, mas sim em interesses estratégicos relacionados a poder e segurança na região do Oriente Médio. A análise foi feita por Fernanda Magnotta, especialista em relações internacionais, no CNN 360º. Ela explica os motivos pelos quais os americanos almejariam uma transformação política no país persa.
O Irã é considerado atualmente um fator de desestabilização para os Estados Unidos no Oriente Médio. O regime iraniano constantemente desafia a presença militar americana na região, além de exercer influência significativa em países vizinhos como Iraque, Síria e na região do Golfo. Outro ponto destacado por Magnotta é o financiamento, por parte do Irã, de várias forças internacionais contra as quais os Estados Unidos lutam em diversos campos de batalha.
Ameaça a Israel e programa nuclear
A especialista ressalta que não se pode ignorar a ameaça expressa que o Irã representa para Israel, aliado histórico dos Estados Unidos. Além disso, as ambições nucleares iranianas poderiam tornar o ambiente geopolítico, já bastante delicado, ainda mais complexo e perigoso para os interesses americanos na região.
Outro aspecto importante mencionado por Magnotta diz respeito às alianças internacionais do Irã. O país é um fornecedor barato de petróleo para a China e um aliado militar importante da Rússia.
"Esse eixo que se consolidou entre essas potências e o Irã é um elemento que interessa aos Estados Unidos, como interessa em outras áreas do mundo", explica a analista, traçando um paralelo com a situação da Venezuela, que também mantém relações próximas com essas potências rivais dos EUA.
Interesses econômicos e rotas comerciais
Os interesses econômico-comerciais também são fatores determinantes na política americana em relação ao Irã. O país persa possui uma das maiores reservas de petróleo do mundo, o que naturalmente desperta a atenção dos Estados Unidos.
Além disso, o Irã está localizado em um ponto estratégico da geografia mundial, próximo a três rotas comerciais importantes: o Estreito de Ormuz, fundamental para o escoamento de petróleo, as rotas do Golfo e a navegação do Mar Vermelho.
Magnotta conclui que os Estados Unidos, diante de uma oportunidade de alterar esse cenário para uma situação mais favorável aos seus interesses, "certamente estariam dispostos a bancar uma eventual mudança de regime".
No entanto, a especialista também alerta que uma intervenção no Irã seria muito mais arriscada do que em outros países, como a Venezuela, devido à capacidade ofensiva significativa do Irã e suas alianças com potências como Rússia e China, que poderiam "dobrar a aposta" em defesa do país persa.
A analista ressalta ainda que regimes autoritários, especialmente aqueles frutos de uma revolução como a iraniana, geralmente só caem quando há fissuras internas significativas.
"Por mais que existam interesses geopolíticos externos, por mais que haja choques internacionais com incentivos para que haja derrubada de um governo, é muito improvável que esses regimes caiam se não houver ruptura interna", conclui Magnotta. (CNN)





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