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DESCASO: Pacientes seguem jogados no corredor do João Paulo II

Novas e tristes histórias chegaram a imprensa após a divulgação do caso do tio da jornalista Iule Vargas, Ozéias Pinheiro, de 81 anos, que aguarda há um mês por uma cirurgia de hérnia nos testículos. Durante todo esse tempo, ele sofre com dores e é dopado sistematicamente para não gritar no João Paulo II.

 

Foto: Visão de Gemmas no chão do corredor do João Paulo II, com a alimentação sendo colocada ao lado do colchão - Foto: Arquivo Pessoal

Quem também anda padecendo com preocupação, é a cabeleireira e maquiadora rondoniense Merô Reis, que mora na Bélgica, mas acompanha dia a dia a situação lamentável do irmão Gemmas Hergues Pinto da Silva, de 40 anos.

Pessoal

Segundo ela, há duas semanas, Gemmas aguarda no chão do João Paulo II para fazer exames e a evolução de várias doenças em conjunto: trombose, pancreatite e problema no fígado. 

“Ele precisa do resultado dos exames urgente. No dia que ia fazer, um enfermeiro disse que a máquina quebrou, sem previsão para conserto. Aguardamos um tempo, mas resolvi desembolsar 2 mil reais para fazer, se não ia morrer à míngua. Ele precisa receber atenção logo”, desabafou Merô.

 

Mais caos

Merô Reis e Iule Vargas são amigas há anos. Por isso dividiram as mesmas angústias vividas e unidas pelos mesmos problemas em uma unidade pública de saúde, que parece ter sido esquecida pelas autoridades. 

Segundo conversas de Merô com alguns servidores do João Paulo II, o Governo do Estado não teria pago as empresas que prestam serviços ao pronto socorro. Por isso, os funcionários dizem que os equipamentos estão quebrados. 

Ainda de acordo com a cabeleireira que acompanha e tenta resolver tudo separada por uma distância de 9.200 quilômetros (entre Porto Velho e a Bélgica, onde ela mora), ainda há mais histórias de descaso com a saúde dos rondonienses, conforme explicou um médico.

“Trabalho no Estado. Um dia cancelei minhas cirurgias porquê não tinha lixo sanitário para descartar material. A empresa passou e levou todas as lixeiras por falta de pagamento. Fora o dia que chamaram a polícia porquê não teve almoço no Hospital de Base. A empresa de nutrição também alegou falta de pagamento”.

Lamentações

E Merô completa as afirmações: “É verdade. Tenho primos que trabalham na saúde. A menina que cuida da liberação dos exames, ela chora, não sabe o que falar pras pessoas. Mas eles [governo] não pagaram as empresas que prestam serviços. Os funcionários nem podem falar nada. São coagidos a ficarem calados, porquê são perseguidos pelos comissionados”. 

Segundo a cabeleireira, ela já procurou diversas autoridades nas redes sociais e até pelo WhatsApp. Ela só recebe respostas prontas ou fica sem nenhuma informação.

“Já fiz vários contatos no Instagram, Facebook e simplesmente ignoram. E o povo lá morrendo. E as outras pessoas? O Cosme e Damião está na mesma situação. Médicos não conseguem trabalhar por falta de material. Tentei falar com os secretários e governador e não acontece nada”.

E o desespero, além de deixar Merô sem dormir direito no outro lado do planeta, ainda a faz lutar por justiça e buscar seus direitos. 


“Aqui é quase 9 horas da noite. Devido ao meu irmão, estou indo dormir todos os dias às 03 da manhã. Mas estou atrás de um advogado para conseguir uma liminar pra ele e levá-lo para outro hospital. Temos que fazer alguma coisa”, protestou ela.

A situação só não está pior para ela e para o irmão, Gemmas, por conta de amigos que trabalham no sistema público de saúde e estão tentando ajudar.

“Como não tenho como saber a situação dele, tem um amigão, que é médico e um anjo, que ajudou meu pai a se curar de um câncer. Ele conseguiu encontrá-lo lá e me mandou notícias. Infelizmente, as pessoas xingam e atacam médicos e enfermeiros, mas eles não têm culpa. Estão escolhendo quem vai morrer por último. A situação é caótica”, lamentou. 

Respostas

Em dois dias, entramos em contato com a Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), que prometeu uma resposta sobre a situação do paciente, mas até o fechamento desta reportagem, não houve retorno mais uma vez.

Assim que um posicionamento for enviado pela Sesau, faremos a atualização deste texto.

Fonte: Felipe Corona/Rondoniaovivo.



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