Pocket Park Jacaré preserva memória da Cohab e amplia espaço de convivência...
Um lugar conhecido há anos pelos moradores da Cohab ganhou uma nova função sem perder a história construída no local. A Prefeitura de Porto Velho entregou o Pocket Park Jacaré, instalado entre as ruas Algodoeiro e Abacateiro, na Zona Sul da capital.
Executado pela Secretaria Executiva de Serviços Básicos (Sesb), vinculada à Secretaria Municipal de Infraestrutura (Seinfra), o parque ocupa uma área que antes registrava descarte irregular de resíduos e acúmulo de água. O local agora reúne paisagismo, mobiliário urbano, iluminação e estrutura para convivência.
Antes da intervenção, o terreno já fazia parte da rotina do bairro. Nas proximidades ficava o antigo Campo do Jacaré, referência conhecida pelos moradores. O nome surgiu por causa do formato da área, associado à cauda de um jacaré, e foi mantido no novo parque como forma de preservar essa ligação com o bairro.

Para o prefeito Léo Moraes, a recuperação do espaço também representa o reconhecimento da história construída pelos moradores. “Mais do que entregar uma estrutura, nós estamos devolvendo esse espaço para quem sempre fez parte dele. O Jacaré já existia na memória da Cohab muito antes deste parque. O que fizemos foi respeitar essa identidade, organizar o espaço e criar condições para que novas histórias também possam acontecer aqui. Quando o morador olha para uma obra pública e se reconhece nela, existe pertencimento.”
O Jacaré dá continuidade à implantação de pocket parks em Porto Velho. O primeiro foi o Pocket Park Paneiro, inaugurado em agosto na avenida Calama, ao lado do Instituto Federal de Rondônia (Ifro).
DO CAMPO DO JACARÉ AO POCKET PARK
Círculos, arcos, linhas radiais e módulos de diferentes dimensões aparecem no piso, nos bancos e nos canteiros. A composição utiliza princípios da arquitetura paramétrica, método que permite desenvolver diferentes formas a partir de uma mesma lógica geométrica. A referência ao jacaré também aparece no desenho do parque, assinado pelo arquiteto e urbanista Alecsander de Souza, assessor executivo da Sesb, que utilizou a geometria das escamas do animal como base para a proposta.

Para o arquiteto, essa combinação faz parte de uma maneira mais ampla de pensar os espaços públicos e permite diferentes formas de uso pelos moradores, preservando características que já faziam parte da identidade do local.
“O Pocket Park Jacaré representa uma etapa importante na forma como temos desenvolvido nosso trabalho. O projeto não foi pensado apenas como um desenho, mas como a integração entre diferentes camadas da arquitetura: o espaço de convivência, o paisagismo, o conforto, a circulação e a infraestrutura urbana. Para nós, o resultado está justamente em fazer com que essas decisões trabalhem juntas e transformem uma área antes subutilizada em um espaço qualificado para a cidade”, explicou Alecsander.
O projeto também considerou aspectos como paisagismo, vegetação, conforto ambiental, circulação e infraestrutura urbana. Uma árvore que já existia no terreno, por exemplo, foi preservada e incorporada ao conjunto. Os bancos foram posicionados ao redor dela para aproveitar a sombra natural, enquanto as características do terreno contribuíram para a organização das áreas de permanência e passagem.
CONVIVÊNCIA E DRENAGEM
O Pocket Park Jacaré também recebeu o quarto jardim de chuva implantado em Porto Velho. A estrutura auxilia no escoamento da água e aproveita o próprio terreno como parte da solução de drenagem.

Durante as chuvas, parte da água que escoa pelas ruas e calçadas segue para uma área rebaixada formada por pedras, solo e vegetação. O sistema reduz a velocidade da água e favorece a infiltração antes que o volume chegue à rede convencional de drenagem.
O secretário executivo de Serviços Básicos, Giovanni Marini, explica que a escolha do terreno permitiu reunir diferentes funções em uma mesma intervenção. “Esse é um projeto que reúne várias funções no mesmo espaço. Recuperamos uma área que sofria com descarte irregular, criamos um ambiente de convivência para os moradores e ainda aproveitamos as características do terreno para implantar uma solução de drenagem. Mas existe também um aspecto que consideramos desde o início: manter a relação que a comunidade já tinha com esse lugar.”
O caimento natural do terreno também favoreceu a implantação do jardim de chuva. A escolha da área levou em conta ainda a necessidade de ampliar espaços públicos desse tipo na Zona Sul.
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Texto: Renata Beccária
Fotos: Erisson Soares
Secretaria Municipal de Comunicação (Secom)



















