Dominicano de 28 anos foi atingido no pescoço durante operação de imigração no Bronx; prefeito diz que negociações para libertá-lo fracassaram
Um homem da República Dominicana foi baleado por agentes federais de imigração durante uma operação no Bronx, em Nova York, nesta quinta-feira (8). O caso ocorreu em meio à ofensiva migratória do governo do presidente Donald Trump e foi o primeiro tiroteio envolvendo agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos) na cidade desde o início da operação.
O disparo aconteceu pouco depois das 16h, quando um agente do ICE atirou contra o veículo do homem, que também transportava uma criança de 5 anos no banco traseiro, segundo autoridades municipais.
Os ferimentos, incluindo um tiro de raspão no pescoço, não foram considerados fatais. O homem foi levado ao hospital pela polícia, segundo uma fonte policial ouvida pela CNN. A criança não ficou ferida.
“Graças a Deus, aquela criança está fisicamente ilesa”, disse o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani, a jornalistas na noite de quinta-feira, ao expressar indignação com o tiroteio.
O homem ferido foi identificado como Oscar Belgal, de 28 anos, segundo a comissária do Departamento de Polícia de Nova York (NYPD), Jessica Tisch.
Mamdani afirmou ter conversado com Trump e com o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, para negociar a libertação de Belgal, mas disse que “as negociações não tiveram sucesso”. O homem foi transferido da custódia da polícia municipal para a do ICE.
As autoridades federais não explicaram o que levou ao disparo contra o homem de 28 anos.
O tiroteio ocorreu na mesma semana em que a direção do ICE orientou agentes a aumentar em mil o número diário de prisões de imigrantes, segundo duas fontes familiarizadas com a diretriz verbal. A medida representa uma intensificação da política migratória de Trump, apesar da preocupação de alguns republicanos com o perfil das pessoas detidas.
O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que Belgal tem ligações com a gangue Trinitarios, uma condenação anterior por furto qualificado e passagens pela polícia por agressão, roubo, posse de drogas e porte de armas.
Segundo o DHS, os agentes prestaram socorro imediatamente após o disparo.
Dois agentes também ficaram feridos durante a ocorrência e receberam atendimento em um hospital local, segundo uma fonte policial. Um deles pode ter se ferido em um acidente de carro, mas não está claro se o acidente ocorreu durante a tentativa de abordagem ou na resposta ao incidente, de acordo com uma autoridade federal.
Agentes estavam com rostos cobertos
Mamdani afirmou na quinta-feira que agentes do ICE cercaram o veículo de Belgal. “Eles usavam coletes de construção e máscaras que escondiam seus rostos. Não havia uma maneira razoável de identificá-los como agentes do ICE”, disse o prefeito.
A comissária Jessica Tisch afirmou que as autoridades acreditam que a criança de 5 anos seja filho de Belgal. O menino foi localizado em segurança e ficou sob os cuidados de familiares.
Segundo Tisch, imagens de câmeras do NYPD mostram que o homem manobrava o carro de ré para estacionar quando “um agente federal à paisana se aproxima da janela do motorista com a arma em punho. Outro agente à paisana também se aproxima do veículo, perto do farol do lado do motorista. Em seguida, o veículo começa a se mover para a frente e sai do campo de visão da câmera”.
A comissária acrescentou que a câmera não registrou o momento do disparo.
“Com base nas evidências coletadas no local, sabemos que pelo menos um agente do ICE disparou sete tiros, atingindo o motorista no pescoço, abaixo da orelha esquerda”, afirmou Tisch.
Policiais municipais foram enviados ao local e encontraram vários homens com roupas semelhantes a uniformes de trabalhadores da construção civil, máscaras no rosto e pelo menos um deles armado, segundo a comissária. Belgal estava algemado e sentado no chão. Ele foi colocado em uma viatura e levado ao hospital.
A CNN perguntou ao DHS se os agentes envolvidos usavam câmeras corporais. A agência remeteu a emissora ao comunicado inicial, que não mencionava o equipamento.
No momento do tiroteio, testemunhas disseram à polícia ter visto um homem com um colete de construção amarelo-vivo segurando uma arma. Elas também relataram ter ouvido de cinco a seis disparos e gritos, segundo autoridades policiais.
Um vídeo que supostamente mostra a cena registra um homem com características semelhantes, segurando um rifle semiautomático e usando um distintivo do ICE pendurado no pescoço.
O NYPD afirmou que não participou da operação no bairro de Marble Hill, ao norte de Manhattan. Após o tiroteio, autoridades policiais municipais mobilizaram equipes para controlar a multidão e preservar evidências no local.
Horas depois do disparo, agentes da Investigação de Segurança Interna (HSI), órgão ligado ao DHS, e policiais foram vistos atrás de uma faixa amarela de isolamento, enquanto um grupo de manifestantes começava a se reunir na área.
Imagens feitas na noite de quinta-feira parecem mostrar um guincho removendo o veículo de Belgal, que tinha um buraco de bala no para-brisa.
Uma fonte federal afirmou que a HSI assumiu a investigação do tiroteio. O procedimento é semelhante ao adotado após um disparo envolvendo agentes do ICE em 20 de setembro, em Austin, no Texas, quando um homem venezuelano ficou ferido.
Autoridades pedem investigação independente
A governadora de Nova York, Kathy Hochul, afirmou na quinta-feira que também conversou com Trump e Mullin sobre o caso.
“Expressei indignação em nome dos nova-iorquinos e pedi que interrompessem as operações de fiscalização migratória do ICE em Nova York”, escreveu Hochul em uma publicação na rede social X.
“Também pedi que todas as imagens disponíveis das câmeras corporais do incidente fossem divulgadas ao público, para que possamos estabelecer os fatos e chegar à verdade”, acrescentou.
Lideranças locais e integrantes do conselho municipal se juntaram à governadora e pediram que o DHS divulgue todas as gravações disponíveis. Eles também solicitaram que a Procuradoria-Geral do estado abra uma investigação independente sobre o tiroteio, durante uma entrevista coletiva na noite de quinta-feira.
“Queremos justiça para essa família e para este bairro”, disse o deputado federal por Nova York Adriano Espaillat. “E, como já disse antes, repito hoje: precisamos acabar com o ICE.”
“Esteja você no Bronx ou em Manhattan, tenha ou não documentos, independentemente da cor da sua pele ou da sua religião, você é nova-iorquino antes de tudo [...] e os nova-iorquinos defendem uns aos outros”, afirmou Brad Hoylman-Sigal, presidente do distrito de Manhattan. (CNN)






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