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"Não participei do fundo", diz produtora de Dark Horse

Durante entrevista, Karina Gama afirma que não teve relação com o banqueiro e nega dinheiro de emendas no filme

A produtora Karina Ferreira da Gama, responsável pelo filme “Dark Horse”, afirmou, em entrevista exclusiva à CNN Brasil, que não teve relação direta com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, nem com empresas ligadas ao banqueiro. Segundo ela, seu contato era com o fundo Havengate, que contratou a produtora para fazer o filme, e não com o banqueiro.



A relação entre os recursos de Vorcaro e o filme é investigada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A apuração ganhou novos elementos na quarta-feira (9), quando o ministro André Mendonça homologou a delação premiada do doleiro Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”. Segundo o delator, ele fez sete transferências que somaram US$ 12,333 milhões para o fundo Havengate Development, no Texas, entre janeiro e setembro de 2025. Os repasses, de acordo com seu relato, foram determinados por Vorcaro após pedidos de Flávio Bolsonaro. A homologação não significa que as afirmações tenham sido comprovadas.


“O Vorcaro não deu nenhum centavo para a produtora”

Questionada sobre sua relação com Daniel Vorcaro, Karina negou que o banqueiro tenha feito qualquer pagamento diretamente à empresa responsável pelo filme.


“É porque o Vorcaro não deu nenhum centavo para a produtora. Não existiu nenhuma relação da produtora com o Vorcaro. Não existiu nenhuma relação da produtora com as empresas do Vorcaro, não existiu.”


Questionada se os recursos teriam ido para o fundo, ela confirmou: "Sim, para o fundo."


Karina também disse que tomou conhecimento pela imprensa da empresa que teria investido no fundo. Segundo ela, os contratos mantidos pela produtora são protegidos por cláusulas de sigilo e confidencialidade.


“É importante você perguntar isso. O que acontece: todos os contratos têm sigilo e confidencialidade. Eu não posso divulgar o salário, o acordo comercial de empresas e prestadores de serviços, para a imprensa. Eu posso divulgar para as autoridades.”


Segundo a produtora, as autoridades podem solicitar os documentos relacionados aos contratos.


Do financiamento da produção

Karina afirmou que o fundo Havengate foi o investidor inicial do projeto. Segundo ela, o orçamento começou com uma estimativa de US$ 24 milhões e foi sendo ajustado conforme o roteiro era detalhado e a produção avançava.


“Você faz um orçamento estimado, mas o que vai realmente valorar o orçamento é quando você vai decupar o roteiro. Porque até então eu não sei quantas câmeras são, eu não sei quantas locações vão ser, eu não sei quem são os atores, quantos atores, quais são os personagens que o diretor vai usar.”


Karina afirmou que, conforme o orçamento era reduzido, a equipe precisava adaptar o projeto para conseguir concluir a produção. Segundo ela, o fundo também realizou uma due diligence sobre a produtora e seus responsáveis. A produtora ainda revelou que apresentou documentos pessoais e empresariais, mas que não tinha como atribuição investigar a origem dos recursos do fundo.


“Eu não participei do fundo. Eu nunca participei do fundo e não era o meu papel. O meu papel ali era contratada do fundo.”


De acordo com o relato, depois de o projeto e o orçamento serem aprovados, sua responsabilidade passou a ser a execução da produção. “O fundo me validou, aprovou meu projeto, aprovou o orçamento, agora eu vou produzir.”


Dinheiro privado

Karina afirmou que foi no fim de 2025 que a equipe começou a perceber problemas financeiros relacionados aos recursos disponíveis para o projeto. Segundo ela, naquele momento a produção já estava em andamento e havia uma estrutura grande envolvida nas filmagens.


A produtora disse que eram 40 dias de filmagem e que, diante das dificuldades orçamentárias, a equipe foi cortando e simplificando etapas para conseguir concluir o projeto.


Questionada sobre o custo total, Karina afirmou que foram gastos US$ 13,3 milhões. Ela disse que os recursos eram privados e, quando questionada se havia dinheiro público, respondeu que não.


"Tudo dinheiro privado."


“Dark Horse não tem emenda”

Além da investigação sobre os recursos relacionados a Vorcaro, outra frente no STF apura a utilização de emendas parlamentares e contratos públicos relacionados às atividades de Karina.


A produtora, porém, nega que “Dark Horse” tenha recebido dinheiro de emendas parlamentares.


“Dark Horse não tem emenda. Não existe emenda para Dark Horse, nenhuma emenda. Nunca foi feito projeto público para o Dark Horse, nunca foi.” (CNN)



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