Palácio do Planalto avalia que a interposição está em curso e tem potencial de ser ampliada até o segundo turno
O governo brasileiro considera que a interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras já está em curso e tem potencial de ser ampliada daqui até o segundo turno. Ela se daria por pelo menos quatro frentes:
1) Pressão política direta por parte de Donald Trump e do secretário de Estado Marco Rubio
O governo entende que o modelo a ser adotado é semelhante ao que ocorreu recentemente em outros países da América Latina, como Colômbia e Honduras, onde houve manifestação pública direta de Trump a candidatos da direita.
Em Honduras, por exemplo, a eleição ocorreu em 30 de novembro de 2025. Quatro dias antes, Trump foi às redes sociais e conclamou o povo hondurenho a votar em Nasry “Tito” Asfura, afirmando que a esquerdista Rixi Moncada não poderia vencer porque era aliada de Nicolás Maduro. Disse ainda que o país poderia entregar uma vitória a Nicolás Maduro, permitindo que uma “narcocomunista” e admiradora de Fidel Castro ganhasse a eleição. Rixi liderava até então e ficou em terceiro lugar.
Na Colômbia, em junho de 2026, Donald Trump publicou na rede social Truth Social apoio total e irrestrito a Abelardo de la Espriella, descrevendo-o como um líder “forte, inteligente e determinado” e rotulando seu adversário de esquerda, Iván Cepeda, como um “marxista radical”.
2) Impulsionamento de perfis pró-Flávio a partir dos Estados Unidos
Há uma suspeita na campanha do PT, compartilhada também pelo candidato do Missão, Renan Santos, de que esteja havendo uma onda de impulsionamentos pagos do exterior para a campanha de Flávio. O PT entende que houve algo parecido na eleição na Colômbia, com manipulação para inundar as redes sociais com mensagens em favor do vitorioso Espriella, apoiado abertamente por Trump.
A campanha de Flávio Bolsonaro nega qualquer impulsionamento estrangeiro.
3) Financiamento pelo fundo Rockbridge
A suspeita foi colocada no debate público primeiro pelo candidato Renan Santos, e endossada pelo PT, que apresentou uma denúncia formal ao Supremo Tribunal Federal. Ela diz que o fundo de investimentos Rockbridge Network, que foi fundado, entre outros, pelo vice-presidente americano J.D. Vance em 2019, estaria financiando a candidatura de Flávio.
A legislação brasileira veda doações estrangeiras a partidos ou candidatos. A campanha de Flávio Bolsonaro nega qualquer impulsionamento estrangeiro.
4) Encontros de autoridades americanas com influenciadores brasileiros
Petistas apontam que encontros de autoridades americanas com influenciadores brasileiros de direita tiveram por objetivo apresentar o entendimento dos Estados Unidos sobre a questão eleitoral brasileira. O tema oficial das conversas foi liberdade de expressão e ambiente digital.
Motivações
Um relatório recente da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), enviado no fim de agosto ao Palácio do Planalto, ao Ministério da Justiça e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), elevou a possibilidade de influência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras a um “nível de criticidade”.
O texto cita documentos do governo Trump entre novembro de 2025 e maio de 2026 e afirma que os objetivos do presidente norte-americano são a “redução da influência de potências rivais dos EUA na América Latina e de negação do acesso dessas potências a ativos estratégicos, riquezas naturais e infraestruturas na região, em favor de seu controle, direto ou indireto, pelo governo dos EUA ou pelo capital privado estadunidense”.
Segundo a agência, há uma “tendência de escalada de pressão sobre o Brasil” e uma “intensificação seletiva e reconfiguração da pressão exercida pelos EUA”.
O entendimento no governo é de que a disputa dos Estados Unidos com a China faz do Brasil peça-chave para eliminar a influência chinesa do continente, tendo em vista a proximidade hoje entre Brasília e Pequim. Além disso, a doutrina de segurança americana para o continente embute um plano de combate ao narcotráfico que já avança sobre países vizinhos governados pela direita e que, sem o apoio brasileiro, pode se inviabilizar. (CNN)





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