Últimas Notícias
Brasil

Primeiro debate ao Governo de Rondônia 'pega fogo' com acusações, cobranças e promessas entre candidatos

Seis candidatos confrontaram propostas para o estado, com embates sobre hospitais, tributação do agronegócio, privatizações, BR-364 e acusações políticas durante encontro em Porto Velho...

O primeiro debate entre os candidatos ao Governo de Rondônia nas eleições de 2026 colocou frente a frente, nesta terça-feira (18), Adailton Fúria (PSD), Expedito Netto (PT), Hildon Chaves (União Brasil), Marcos Rogério (PL), Pedro Abib (MDB) e Samuel Costa (PSB). Realizado em Porto Velho, o encontro evidenciou diferenças entre os projetos apresentados para áreas como saúde, infraestrutura, segurança pública, educação, economia e agronegócio.

Dividido em cinco blocos, o debate alternou perguntas temáticas, confrontos diretos entre os candidatos e questionamentos apresentados por entidades representativas do setor produtivo. Ao longo do encontro, as divergências ganharam força principalmente nas discussões sobre a situação da saúde pública, construção de hospitais, tributação, privatizações e capacidade de gestão.

Na infraestrutura, Adailton Fúria utilizou sua experiência à frente da Prefeitura de Cacoal para defender seu modelo administrativo e afirmou acreditar na capacidade da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd). O candidato declarou que, se necessário, pretende rever contratos de privatização relacionados à companhia.

Marcos Rogério, por sua vez, colocou a infraestrutura rodoviária entre as prioridades de uma eventual gestão. O candidato defendeu novas alternativas para reduzir a dependência da BR-364 e afirmou que Rondônia precisa retomar investimentos em pavimentação e conexão entre as regiões produtoras.

A saúde também provocou alguns dos principais confrontos. Marcos Rogério prometeu criar um gabinete de crise comandado pelo próprio governador e defendeu a descentralização dos atendimentos atualmente concentrados em Porto Velho. O candidato também voltou a defender a construção de uma nova unidade hospitalar.

Hildon Chaves direcionou críticas à demora enfrentada por pacientes para conseguir exames e classificou a situação como “fila da vergonha”. Segundo ele, há casos de espera que podem chegar a cinco anos, apesar dos recursos destinados anualmente à saúde.

Expedito Netto criticou propostas de privatização na área e apontou a necessidade de concursos para recompor os quadros dos hospitais. O candidato também defendeu que serviços hoje concentrados na capital sejam levados para outras regiões do estado.

O tema hospitalar ainda colocou Adailton Fúria e Marcos Rogério em confronto direto. Fúria cobrou o adversário pela promessa de construção de um hospital em Ji-Paraná e argumentou que o compromisso já havia sido apresentado anteriormente sem que a obra fosse concretizada.

Marcos Rogério reconheceu a frustração com a demora, mas atribuiu a responsabilidade pela execução ao Governo de Rondônia.

“É verdade que eu gostaria que esse hospital já tivesse saído há muito tempo, mas quem tem a caneta da execução é quem governa. Por isso eu quero ser governador”, afirmou.

Na segurança pública, Pedro Abib defendeu maior integração entre as forças policiais e destacou a posição geográfica de Rondônia como um dos desafios no enfrentamento às organizações criminosas. Para o candidato, aumentar o efetivo não seria suficiente sem valorização dos profissionais e atuação conjunta das instituições.

A economia também revelou diferenças importantes. Questionado sobre comércio e turismo, Pedro Abib defendeu incentivos ao setor produtivo e criticou o aumento da carga tributária como estratégia para ampliar a arrecadação.

Em direção diferente, Samuel Costa declarou que pretende criar novas fontes de receita para o Estado e defendeu maior contribuição tributária do setor da soja.

“Eu vou tributar a turma da soja, podem me vaiar, podem me detonar nas redes sociais. [...] A soja tem que dar sua parcela de contribuição para o nosso estado”, declarou.

Hildon Chaves discordou do posicionamento e ressaltou a importância econômica da cadeia produtiva da soja para Rondônia.

O agronegócio voltou ao centro do debate quando Pedro Abib defendeu que parte da soja produzida em Rondônia seja transformada em proteína dentro do próprio estado, ampliando a industrialização antes que a produção deixe o território rondoniense.

Samuel Costa também apresentou a proposta de criação da Universidade Estadual de Rondônia, com atenção aos estudantes da rede pública e jovens das periferias. Já Expedito Netto defendeu apoio às associações, cooperativas e pequenos produtores como estratégia para estimular novas atividades econômicas.

Além das propostas administrativas, o debate ganhou forte componente político no confronto entre Samuel Costa e Expedito Netto. O candidato do PSB mencionou o impasse interno provocado pela decisão da Executiva Nacional da legenda de destituir o Diretório Estadual e cancelar candidaturas para apoiar Expedito Netto.

Ao responder uma pergunta do candidato petista, Samuel ironizou a situação e afirmou: “Me sinto lisonjeado por estar aqui contigo porque nas últimas horas estão tentando puxar meu tapetão”.

Expedito Netto rebateu afirmando que não poderia responder por decisões tomadas pelo PSB, uma vez que pertence ao PT, e classificou parte das manifestações recebidas como ataques pessoais.

Samuel também questionou Adailton Fúria sobre a relação política com o governador Marcos Rocha e perguntou se uma eventual vitória significaria continuidade da atual administração estadual. Fúria rejeitou essa interpretação e afirmou que pretende representar a continuidade de seu próprio modelo de gestão, apesar de reconhecer o apoio do governador.

Nas considerações finais, os candidatos buscaram consolidar suas respectivas imagens diante do eleitorado. Pedro Abib criticou o que chamou de “velha política” e procurou se apresentar como alternativa de gestão sem radicalismos. Adailton Fúria destacou a experiência administrativa adquirida em Cacoal, enquanto Hildon Chaves ressaltou sua trajetória profissional e a passagem pela Prefeitura de Porto Velho.

Marcos Rogério defendeu a superação das divisões políticas para impulsionar o desenvolvimento estadual. Expedito Netto enfatizou experiência e formação política, enquanto Samuel Costa encerrou sua participação defendendo a permanência de sua candidatura e fazendo um apelo em favor da democracia.

Com o início oficial dos confrontos entre os postulantes ao Palácio Rio Madeira, o debate deixou mais claras algumas das principais linhas que devem marcar a campanha de 2026 em Rondônia: experiência administrativa, situação da saúde, infraestrutura, peso do agronegócio, segurança pública, capacidade fiscal do Estado e a disputa sobre quem representa mudança ou continuidade no comando do governo.



« VOLTAR
AVANÇAR »

Nenhum comentário

- Seu comentário é sempre bem-vindo!
- Comente, opine, se expresse! este espaço é seu!
- Todos os conduzidos são tratados como suspeitos e é presumida sua inocência até que se prove o contrário!

- Se quiser fazer contato por e-mail, utilize o redacaor1rondonia@gmail.com

Publicidade