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Fotógrafo que documentou a ocupação de Rondônia desde 1977 apresenta acervo de 50 anos na UNIR

Marcos Santilli chegou ao então Território Federal para uma reportagem da revista Veja e voltou por 33 anos...

O resultado — o Projeto Nharamaã, construído ao lado da etnomusicóloga Marlui Miranda — é um dos poucos registros visuais contínuos da ocupação que deu origem ao estado. A palestra é dia 12 de agosto, às 16h, com entrada gratuita.

A Universidade Federal de Rondônia recebe na próxima quarta-feira, 12 de agosto, às 16h, no Campus Centro, a palestra "Nharamaã — 50 anos de imagem e som", com o fotógrafo Marcos Santilli. O evento é uma realização do projeto Confluências Visuais, da Pró-Reitoria de Cultura, Extensão e Esporte da UNIR, em parceria com a Eldorado Filmes. A entrada é gratuita e aberta ao público.

Santilli chegou a Rondônia em 1977, aos 26 anos, enviado pela sucursal de Brasília da Editora Abril para fazer uma reportagem sobre a frente de ocupação da BR-364 — publicada naquele mesmo ano na revista Veja. Rondônia ainda era Território Federal. O que deveria ser um trabalho pontual tornou-se o compromisso de uma vida: o fotógrafo voltou em 1978, em 1981, e seguiu retornando ao longo de 33 anos, até 2010.

O conjunto dessas viagens deu origem ao Projeto Nharamaã — palavra do idioma Paiter Suruí que significa "apropriação da terra". É hoje um dos poucos registros fotográficos sistemáticos e contínuos do que se pode descrever como a maior transformação em extensão e profundidade já realizada pelo ser humano sobre terras virgens do planeta: a abertura da BR-364, a chegada de centenas de milhares de migrantes à Amazônia Ocidental e a conversão acelerada de floresta em plantações, pastagens, ramais, cidades e indústrias. Em menos de quatro décadas, formaram-se cidades do zero, desapareceram ecossistemas inteiros e línguas indígenas — e nasceu o estado de Rondônia.

Nas fotografias estão os personagens dessa saga: povos originários — sobretudo os Paiter Suruí, com quem Santilli manteve vínculo duradouro —, seringueiros, garimpeiros, caminhoneiros, posseiros, colonos e migrantes nordestinos. "São imagens de um mundo que deixou de existir, de pessoas que muitas vezes não existem mais, de florestas que viraram pasto", diz o fotógrafo. "Mas são também imagens de vida, de resistência, de beleza que sobreviveu."

O projeto nunca foi apenas visual. Desde o início, Santilli trabalhou ao lado da etnomusicóloga Marlui Miranda, que registrou sons ambientes, cantos, entrevistas e depoimentos ao longo do mesmo percurso. 

A parceria resultou no LP "Paiter Merewá — Cantam os Suruí de Rondônia" (1985), referência na etnomusicologia brasileira. Doutora em Musicologia pela ECA-USP e pesquisadora da música indígena desde 1978, Marlui é uma das principais referências do país na área. É desse par — o olho e o ouvido — que vem o subtítulo do projeto: imagem e som.

Em 2027, o acervo completa 50 anos. A data marca meio século desde as primeiras imagens publicadas, e é o horizonte do projeto atual: reunir pela primeira vez, em livro, o conjunto dessa pesquisa fotográfica, acompanhado de exposição itinerante por sete cidades de Rondônia com apresentações ao vivo de Marlui Miranda. Boa parte das imagens permanece inédita.

Na palestra na UNIR, Santilli apresenta esse percurso a partir de materiais originais — entre eles os cartazes de divulgação da década de 1980, quando o trabalho circulava como "reportagem áudiovisual" — e discute o que essas imagens dizem sobre a Rondônia de hoje: da desativação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré à consolidação das rodovias como portas de entrada da Amazônia.

O encontro é voltado a estudantes, pesquisadores, fotógrafos, jornalistas, comunicadores e ao público em geral interessado em memória amazônica, fotografia documental e história de Rondônia.

Santilli permanece em Porto Velho de 8 a 17 de agosto, disponível para entrevistas.

  • SERVIÇO
  • Palestra "Nharamaã — 50 anos de imagem e som", com o fotógrafo Marcos Santilli
  • Quando
  • Quarta-feira, 12 de agosto de 2026, às 16h
  • Onde
  • UNIR — Campus Centro, Porto Velho (RO)
  • Quanto
  • Gratuito e aberto ao público
  • Entrevistas
  • Fotógrafo em Porto Velho de 8 a 17 de agosto


SOBRE O FOTÓGRAFO

José Marcos Brando Santilli (Assis/SP, 1951) profissionalizou-se como fotojornalista nos anos 1970, ainda estudante na Universidade de Brasília. Integrou a sucursal da Editora Abril em Brasília, publicando em Veja, Realidade, Claudia e 4 Rodas. Recebeu bolsas da John Simon Guggenheim Memorial Foundation (1981), Fundação Vitae (1988) e Fulbright Commission (1989). Publicou Àre (1987), Madeira-Mamoré, Imagem e Memória (1987), Amazon (EUA, 1991) e Fuscas Reflexões (2005). Dirigiu o MIS — Museu da Imagem e do Som de São Paulo entre 1997 e 2003. Seu trabalho integra os acervos permanentes do MASP e do MIS-SP.



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