Relatos apontam que vítimas de trauma estão sendo encaminhadas ao HB para tomografia, aumentando a demanda e provocando espera até mesmo entre pacientes da própria unidade...
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A possível indisponibilidade do aparelho de tomografia computadorizada do Hospital e Pronto-Socorro João Paulo II está provocando reflexos no atendimento do Hospital de Base Dr. Ary Pinheiro, em Porto Velho. Segundo relatos recebidos pela reportagem de funcionários e pacientes que pediram para não ser identificados, vítimas de trauma que necessitam do exame estão sendo encaminhadas de uma unidade para a outra, aumentando a demanda no HB e prolongando a espera pela realização de tomografias.
As informações apontam que o tomógrafo do João Paulo II estaria quebrado. Com isso, pacientes atendidos no principal pronto-socorro de urgência e emergência do estado estariam sendo levados ao Hospital de Base para realizar o procedimento.
A situação estaria impactando também quem já está internado ou em atendimento no próprio HB. Com a chegada de pacientes encaminhados pelo João Paulo II, a fila para realização dos exames teria aumentado, fazendo com que procedimentos considerados necessários precisem aguardar disponibilidade.
Um dos casos relatados à reportagem envolve um paciente que necessitava do exame com urgência, mas não conseguiu realizar a tomografia durante o dia. A previsão era de que o procedimento fosse feito somente à noite, quando houvesse disponibilidade no setor.
O problema chama ainda mais atenção devido ao perfil dos pacientes atendidos pelo João Paulo II. A unidade é referência para urgências e emergências e recebe diariamente vítimas de acidentes e outros casos de trauma nos quais exames de imagem podem ser fundamentais para avaliar lesões e orientar rapidamente a conduta médica.
Nesta quarta-feira (5), por exemplo, dois motociclistas ficaram feridos após uma colisão frontal entre uma Honda XRE e uma Yamaha Fazer na Rua São Miguel, em frente ao campo Abobrão, no bairro Caladinho, zona Sul de Porto Velho. As vítimas foram socorridas após o acidente. O episódio ocorre em meio aos relatos sobre as dificuldades enfrentadas no João Paulo II e os encaminhamentos de pacientes para realização de tomografia no Hospital de Base.
A concentração dessa demanda no HB cria um efeito em cadeia. Enquanto pacientes provenientes do João Paulo II precisam do equipamento, aqueles que já estão sob atendimento no Hospital de Base também dependem da mesma estrutura, aumentando a pressão sobre o serviço e o tempo de espera.
Os relatos recebidos descrevem ainda um cenário de grande sobrecarga no João Paulo II. Por se tratar de uma unidade que atende casos graves e recebe vítimas de trauma de Porto Velho e de outras localidades, a indisponibilidade de um equipamento de diagnóstico como o tomógrafo pode comprometer o fluxo entre os hospitais e pressionar toda a rede.
A situação evidencia um problema que vai além de uma única unidade hospitalar. Quando um equipamento essencial deixa de atender à demanda de um hospital de emergência, a necessidade não desaparece: ela é transferida para outra unidade, que passa a absorver pacientes adicionais sem deixar de atender sua própria demanda.
Até que haja um posicionamento oficial, a informação de que o tomógrafo do João Paulo II está quebrado deve ser tratada como relato de funcionários e pacientes ouvidos pela reportagem.
O cenário, no entanto, levanta questionamentos sobre a capacidade da rede estadual de absorver a demanda por exames de imagem sem comprometer o atendimento de pacientes que aguardam diagnóstico e definição de tratamento.
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