Questionada pelo Ministério Público sobre o uso de totens e o atendimento a consumidores vulneráveis, Energisa não prestou as informações solicitadas...
O Instituto Escudo Coletivo ajuizou Ação Civil Pública contra a Energisa Rondônia para impedir que os totens e outros canais automáticos substituam, na prática, o atendimento humano. A ação tramita na 10ª Vara Cível de Porto Velho e aponta prejuízos principalmente a idosos, pessoas com deficiência e consumidores com dificuldade para usar ferramentas digitais.
O Instituto pede que o atendimento por totens seja opcional e o
humano seja garantido, além da apresentação de documentos e indenização por
dano moral coletivo.
Concessionária não prestou
esclarecimentos ao MP
Antes da ação, o mesmo problema já era
apurado pelo Ministério Público. A Notícia de Fato nº 2026000101275183, aberta
na 11ª Promotoria a partir de denúncias à Ouvidoria, cobrou pontos objetivos:
quantos atendimentos eram feitos por pessoas e quantos por totens, que medidas
havia para consumidores vulneráveis e como a empresa agia diante de falhas no
aplicativo, no WhatsApp e no 0800. A Energisa não prestou as informações
solicitadas e limitou-se a informar que não havia "localizado o cadastro
do consumidor noticiante".
Tese já venceu bancos em Porto Velho
Em 2005, quando idosos enfrentavam longas
esperas nas agências bancárias, uma ação civil pública com tese idealizada pelo
atual presidente do Escudo Coletivo, Gabriel Tomasete, resultou em decisão
pioneira no país, garantindo atendimento preferencial imediato.
A decisão ganhou repercussão nacional e
chegou a servir de referência para projeto de lei apresentado na Bahia.
Lei municipal já garante atendimento
humano
A Agência Nacional de Energia Elétrica
tem regras específicas para o atendimento ao consumidor e permite o uso de
terminais eletrônicos apenas dentro de determinadas condições. Em Porto Velho,
a Lei Municipal nº 3.448/2026 já assegura ao consumidor o direito de escolher o
atendimento humano. Mesmo assim, segundo a ação, as reclamações continuaram.
Ministério Público pede ingresso na ação
Em 13 de agosto, o Ministério Público
pediu para ingressar no processo ao lado do Escudo Coletivo.
“A participação do MP é muito importante.
Não somos contra a tecnologia. Muitas vezes, o consumidor procura a
concessionária para resolver problemas da própria prestação do serviço, como
cobranças, cortes ou religações, e boa parte dessas situações é urgente. Nessas
horas, a máquina não pode substituir a pessoa”, afirma Tomasete.
Idoso de 88 anos relatou sair sempre
estressado
O advogado Moacyr Pontes Netto, que
participou da vistoria e da elaboração da ação, contou sobre um idoso que
buscava atendimento. “Encontramos pessoas vulneráveis com dificuldades e um
idoso de 88 anos que disse sair sempre estressado dali. São consumidores
procurando solução para um serviço essencial e que, muitas vezes, nem conseguem
falar com alguém”, revelou.
Liminar
Em despacho inicial na ação, a magistrada
Duilia Sgrott Reis pediu esclarecimentos sobre eventual reclamação prévia à
Agência Nacional de Energia Elétrica e sobre a possível inclusão da autarquia
no processo. O Escudo sustentou a desnecessidade das duas medidas, afirmando
que o acesso à Justiça independe de prévia reclamação administrativa e que
nenhuma obrigação é pedida à agência reguladora. A entidade também atendeu às
demais determinações do Juízo, incluindo a juntada do contrato de concessão da
Energisa.
Com os esclarecimentos apresentados, o
processo aguarda agora a análise dos pedidos liminares para garantir
atendimento digno e humano aos consumidores.
fonte - ESCUDO COLETIVO.





Nenhum comentário
Postar um comentário
- Seu comentário é sempre bem-vindo!
- Comente, opine, se expresse! este espaço é seu!
- Todos os conduzidos são tratados como suspeitos e é presumida sua inocência até que se prove o contrário!
- Se quiser fazer contato por e-mail, utilize o redacaor1rondonia@gmail.com