Governo adota discurso de vítima do bolsonarismo após fracassar em negociações, enquanto Flávio tenta de todas as formas tirar a carapuça de culpa....
A decisão do governo dos Estados Unidos de sobretaxar os produtos brasileiros é uma questão política. Quanto a isso, não há dúvidas. Tanto lá quanto cá.
O governo de Donald Trump até tentou dar um ar de determinação técnica; o Brasil vendeu um discurso de argumentos econômicos; e o bolsonarismo tentou se eximir da culpa dizendo que o tarifaço não estava nos planos quando fez sua cruzada nos EUA em busca de sanções contra autoridades brasileiras.
Porém, no fim das contas, tudo até aqui foi pura política. A consequência é que ela é econômica.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus ministros dizem ter tentado transformar as conversas em termos técnicos e números importantes, mas foi o discurso eleitoral que falou mais alto. Afinal, se dizer vítima de uma ação bolsonarista é a forma mais óbvia de camuflar o fracasso das negociações.
Já o senador Flávio Bolsonaro (PL), que em momento algum negou a intenção eleitoral, tenta a todo custo tirar a carapuça da culpa para jogar gasolina e incendiar o governo Lula, explorando, justamente, a incapacidade da diplomacia em acessar os corredores da Casa Branca.
Virou um ciclo vicioso, que pode ganhar capítulos ainda mais imprevisíveis a partir da adoção da Lei da Reciprocidade Econômica, prometida pelo Planalto.
Por mais que governistas digam que as acusações de que Lula colocou o ego à frente são injustas, como declarou o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o pano de fundo deixa claro que o cálculo político do Palácio do Planalto falou alto.
O governo tentou por diversas vezes, sim, trazer para a esfera técnica as discussões e negociar com os Estados Unidos. Mas a questão é: o quanto o Palácio do Planalto realmente quis e não conseguiu avançar nas negociações? É fato: o tarifaço dá a Lula de bandeja o discurso de defesa da soberania.
Enquanto isso, Flávio usará toda a tinta possível para explorar os argumentos dos EUA contra Lula durante a campanha, que ficará mais intensa a partir de agosto.
No fim das contas, paga a conta a economia do Brasil. O Ministério da Fazenda já se prepara para ajudar empresários. Essa verba, no entanto, que vai sair do Tesouro, fará óbvia falta em outros locais.
É a roda política ditando o ritmo e as questões econômicas ficando, mais uma vez, para o próximo governo, seja lá qual for.
FONTE - LARISSA RODRIGUES - CNN BRASIL.





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