A cardiomiopatia hipertrófica, doença apontada no atestado de óbito do fisiculturista e influenciador Gabriel Ganley, é considerada uma das principais causas de morte súbita em jovens atletas no mundo. A condição provoca o espessamento anormal do músculo do coração e pode desencadear arritmias graves, insuficiência cardíaca e parada cardiorrespiratória.
Segundo especialistas, a doença pode ter origem genética, mas também pode ser agravada por fatores adquiridos ao longo da vida, incluindo o uso de esteroides anabolizantes. O esforço físico intenso funciona como um possível gatilho para arritmias fatais em pessoas predispostas.
De acordo com o cardiologista Elzo Mattar, diretor do departamento de hipertensão arterial da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o coração passa a ter dificuldade para bombear sangue corretamente quando o músculo cardíaco cresce de forma desorganizada.
Durante treinos intensos, o aumento acelerado dos batimentos pode provocar arritmias malignas, como taquicardia ventricular e fibrilação ventricular. Em muitos casos, a doença permanece silenciosa por anos e a morte súbita acaba sendo a primeira manifestação clínica.
O cirurgião cardiovascular Ricardo Katayose explicou que o espessamento da parede cardíaca reduz o espaço interno do ventrículo, dificultando o enchimento e o funcionamento normal do coração. Os sintomas mais comuns incluem falta de ar, dor no peito, tontura, palpitações e desmaios.
Especialistas também alertam para os riscos do uso de anabolizantes, que podem aumentar a pressão arterial, causar hipertrofia cardíaca desorganizada e favorecer o surgimento de fibroses no músculo cardíaco, elevando o risco de arritmias fatais e infarto.
Além dos anabolizantes, Gabriel Ganley havia relatado nas redes sociais o uso de insulina para fins estéticos e ganho muscular. Médicos explicam que a substância não provoca diretamente a cardiomiopatia hipertrófica, mas pode aumentar riscos quando utilizada sem acompanhamento médico, especialmente em combinação com outras drogas.
BOLETIM DE OCORRÊNCIA
O corpo do atleta foi encontrado no imóvel onde morava, localizado no bairro da Mooca, zona leste da capital paulista.
De acordo com o boletim de ocorrência, familiares e pessoas próximas não conseguiam contato com Gabriel desde a noite de quinta-feira (21). Diante da falta de respostas, um amigo e colega de trabalho de longa data foi acionado e se dirigiu ao apartamento na manhã de sábado.
Ao chegar ao local, o amigo notou que as luzes da residência permaneciam acesas. Como não obteve retorno aos chamados, entrou no imóvel com o auxílio de responsáveis pelo condomínio após o arrombamento da porta e Gabriel foi localizado caído de bruços no chão da cozinha.
O registro policial aponta que o jovem estava com o rosto avermelhado e havia grande quantidade de sangue na região facial, mas destaca que não foram identificados sinais aparentes de violência ou de luta no ambiente, que estava limpo e organizado.
Ao tocar o corpo para checar a respiração, o amigo constatou que a pele já estava fria e acionou a Polícia Militar pelo 190.
Inicialmente, o caso foi registrado pelo 42º DP (Parque São Lucas) como morte suspeita - morte súbita, sem causa determinante aparente.
Durante a perícia técnica realizada, autoridades encontraram e apreenderam diversos medicamentos no apartamento, descritos preliminarmente como possíveis anabolizantes, que foram encaminhados para análise.





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