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Jovem de 21 anos que ficou paraplégico após acidente será o primeiro mato-grossense a tentar recuperar movimentos com polilaminina

Aplicação foi feita no Hospital Regional de Rondonópolis, na semana passada... 


Kawan Vinnicyus Soares dos Santos, de 21 anos, da cidade de Rondonópolis, é o primeiro matogrossense a receber a polilaminina, proteína descoberta pela pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Coelho de Sampaio, associada à recuperação de conexões nervosas na medula espinhal e que pode levar à retomada da função motora em pacientes paraplégicos ou tetraplégicos.

A aplicação foi feita no Hospital Regional de Rondonópolis, na semana passada. A madrasta de dele, Ana Alice Soares dos Santos, conversou com o site Olhar Direto, e explicou que o próprio Kawan, com auxílio do pai, Ailton Celestrino dos Santos, foi o responsável por conseguir a inclusão na pesquisa e ser o 28º brasileiro a receber o composto.

Em 14 de novembro de 2025, em Rondonópolis, Kawan estava indo trabalhar de moto, quando colidiu contra um caminhão que invadiu a preferencial da via, o que perfurou seus dois pulmões e causou rompimento completo da coluna, entre a T8 e T9, o que lhe deixou com paraplegia.

Emocionado, ele gravou um vídeo agradecendo toda a equipe médica e, principalmente, a doutora Tatiana Sampaio, a equipe dela e o Laboratório Cristália e o médico Gabriel Chaves, que será o responsável pelo seu acompanhamento até que ele inicie o processo no Hospital Sarah, em Brasília.

“Estou contente, estou alegre, feliz, por essa honra, é uma honra muito grande, para a qual Deus me escolheu, me abençoou, me permitiu estar participando. Bom, agora é esperar que tudo venha dar certo e, se Deus permitir, voltar a recuperar o movimento das pernas”, disse Kawan.

A pesquisa liderada por Tatiana tomou conta das redes sociais e da imprensa mundial por ser considerada promissora. Apesar de a comunidade científica pedir cautela na aplicação da proteína até a conclusão de estudos clínicos controlados, o que não tem prazo para acontecer, alguns resultados foram animadores, como o caso do paciente Diogo Brollo, que rompeu a coluna após cair de um prédio. Ele passou por três hospitais até receber a aplicação. Semanas depois, o resultado apareceu. Atualmente, Diogo controla a própria bexiga e faz movimentos de joelhada.

A Anvisa também aprovou o início de um estudo clínico oficial com a polilaminina para o próximo mês. Se as três fases de testes forem bem-sucedidas, a substância poderá estar disponível em até cinco anos.

Para garantir que Kawan Vinnicyus fosse o primeiro mato-grossense a receber a proteína, e o 28º do país, Ana Alice, Ailton e Kawan tiveram que enfrentar uma série de obstáculos desde o acidente, que causou desespero na família devido a gravidade e porque o jovem era aguerrido nas atividades físicas e amava correr, inclusive sendo atleta de corrida. Segundo ela, após oito dias na UTI, a família o recebeu em casa sem estrutura adequada. “Não tínhamos cadeira de banho, cadeira de rodas, nada. Recebemos ele ferido, direto para casa”, relatou.

Após buscar apoio em hospitais, da empresa do caminhoneiro e do poder público, já em dezembro, com a repercussão da pesquisa de Tatiana Sampaio, Kawan passou a buscar informações sobre a polilaminina e descobriu o contato do laboratório responsável pela aplicação atuava em parceria com a pesquisadora.

De acordo com a madrasta, o primeiro contato por e-mail foi negado, pois o protocolo inicial previa pacientes com até 72 horas de lesão. Mesmo assim, Kawan insistiu após tomar conhecimento de um caso em que houve autorização judicial em outro estado. A família chegou a consultar um advogado, mas desistiu após desconfianças. Persistindo na busca, encontraram uma advogada de confiança que conseguiu contato com um integrante da equipe da pesquisadora.

O passo seguinte foi obter um laudo médico que indicasse a necessidade da aplicação. Após passar por três profissionais em Rondonópolis, Kawan conseguiu atendimento particular com o médico Gabriel Chaves, que elaborou o documento e se propôs a ajudá-lo. Com a documentação e com a lesão já na fase subaguda, etapa contemplada pela pesquisa, o material foi encaminhado à equipe de Tatiana, que realizou reunião com o médico local e definiu a aplicação no Hospital Regional de Rondonópolis, ocorrida nesta quarta-feira (26).

Segundo Ana Alice, dois médicos do Rio de Janeiro, Arthur Luís Freitas Fortes e Luís Felipe Lobo Ferreira,integrantes da equipe da pesquisadora, vieram ao município para realizar o procedimento juntamente com o médico responsável pelo acompanhamento. A aplicação foi feita diretamente no local da lesão. Kawan seguirá sendo monitorado pelo médico assistente e pela equipe da pesquisa.

A madrasta lembrou que se trata de tratamento experimental e que não há previsão imediata de recuperação motora. O jovem iniciará terapia intensiva e exercícios de reabilitação e já é paciente do Hospital Sarah Kubitschek, referência em reabilitação, onde será internado no dia 29 de abril para dar continuidade ao tratamento.

Evangélica, Ana Alice afirmou que a família mantém a expectativa de evolução clínica e disse que o enteado é disciplinado e determinado. “O mérito é do Kawan. Ele não desistiu”, declarou. Segundo ela, a divulgação do caso também tem o objetivo de orientar outras famílias que enfrentam situações semelhantes e buscam o tratamento.

FONTE - OLHAR DIRETO.



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