Últimas Notícias
Brasil

2026 é o novo 2016? Relembre o que movimentava o mundo jurídico há 10 anos

Mergulhando na trend das redes sociais, confira retrospectiva jurídica dos fatos que marcaram o país em 2016...

Nem sempre quem vive de passado é museu. Às vezes, são os próprios usuários da internet. Circula no Instagram e no TikTok uma nova trend: "2026 é o novo 2016".

A década passada vem sendo revisitada com entusiasmo. Perfis nas redes sociais relembram como era a vida, o humor, a estética e o espírito do tempo.

A moda nostálgica vem acompanhada de uma espécie de profecia: 2026 promete resgatar as "vibes" culturais, comportamentais e até emocionais daquele período.

Mas… e no mundo jurídico e político? O que se vivenciava naquele período?

De antemão: 2016 não foi um ano qualquer. Foi um plot twist contínuo. Um período em que o operador do Direito acordava, abria a internet e pensava: "não é possível". E era.

Acompanhe, abaixo, a retrospectiva - um tanto quanto fora de hora.

Crise político-institucional


É impossível tratar de 2016 sem lembrar as vicissitudes da crise político-institucional. Desde os primeiros meses do ano, o impeachment da presidente Dilma Rousseff já pairava no horizonte, trazendo a sensação generalizada de que o ano seria longo.

A derrubada de Dilma saiu das manifestações, passou pela Câmara, atravessou o Senado e entrou definitivamente para a história - não sem deixar cicatrizes institucionais pelo caminho.

Lava Jato


Enquanto isso, a Lava Jato avançava em ritmo próprio.

As fases se sucediam tão rapidamente que ninguém mais sabia ao certo em qual estávamos.

Triplex, condução coercitiva, condenações históricas, delações e a impressão permanente de que o noticiário jurídico precisava de atualização a cada meia hora.

José Dirceu foi condenado na Lava Jato, o Japonês da Federal acabou preso em Curitiba e, como cereja do bolo, tivemos o inesquecível power point de Deltan Dallagnol - uma apresentação que entrou definitivamente para o folclore jurídico nacional.

Legislativo

Vieram leis novas em profusão: a da repatriação de recursos, a autorização para a sociedade unipessoal de advocacia, a regulamentação do Marco Civil da Internet, a lei de responsabilidade das estatais e a permissão do uso do FGTS como garantia em empréstimos consignados.

O novo CPC entrou em vigor exigindo que todo mundo fingisse que tinha entendido tudo desde o primeiro dia. Spoiler: ninguém tinha.

Ministro Teori Zavascki (in memoriam) determinou o afastamento do então presidente da Câmara, Eduardo Cunha. A decisão confirmada pelo STF. Meses depois, Cunha renunciou ao cargo e acabou preso na Lava Jato.

Já ministro Marco Aurélio afastou Renan Calheiros da presidência do Senado, mas o STF não referendou a liminar de afastamento.

Atuação das Cortes


Supremo Tribunal Federal

O STF, em julgamento histórico, mudou o entendimento sobre a prisão após condenação em 2ª instância.

Também decidiu que o Fisco poderia requisitar diretamente às instituições bancárias dados sobre movimentação financeira de contribuintes, sem necessidade de autorização judicial.

Definiu que o tráfico privilegiado não tem natureza hedionda e reconheceu a possibilidade da dupla paternidade.

Os agravos e embargos começaram a migrar para o plenário virtual, inaugurando nova era de julgamentos.

Superior Tribunal de Justiça

Dilma, antes do impeachment, preencheu as duas vagas abertas no STJ, escolhendo Antonio Saldanha Palheiro e Joel Ilan Paciornik.

Pouco depois, ministra Laurita Vaz se tornou a primeira mulher a presidir a Corte da Cidadania.

No campo decisório, o STJ proibiu publicidade de alimentos dirigida a crianças, entendeu possível a penhora de bens móveis para pagamento de pensão alimentícia, validou a comissão de corretagem paga pelo consumidor e ainda reverteu absolvição no caso do chamado "beijo roubado", condenando réu por estupro.

Tribunal Superior do Trabalho

No campo trabalhista, o TST passou a ser formalmente reconhecido, via emenda constitucional, como órgão do Poder Judiciário.

Advocacia


Na advocacia, entrou em vigor o novo Código de Ética da OAB.

O Conselho Federal da OAB também decidiu que advogados e advogadas travestis e transexuais poderiam utilizar o nome social no exercício profissional.

Adaptação à tecnologia


O WhatsApp foi bloqueado. Desbloqueado. Bloqueado de novo. O aplicativo virou quase um réu habitual.

Já o Uber foi regulamentado na cidade de São Paulo.

Internacional


Jair Bolsonaro foi denunciado em Haia por crime contra a humanidade, em razão de homenagem ao coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-chefe do DOI-Codi.

Trump foi eleito presidente dos Estados Unidos.

De volta para o futuro, sejamos honestos: abrir, dez anos depois, a caixa de Pandora de 2016 pode ser demasiado.

Entre erros e acertos, é preciso seguir adiante. Talvez tentar prever 2036 seja, quem sabe, mais assertivo - afinal, o futuro carrega esperança.

A brincadeira é construtiva, faz parte do jogo social.

Mas fica o desejo: que, em 2026, o debate jurídico avance sem precisar transformar a crise em combustível permanente. Que as instituições amadureçam sem depender do choque.

Aprender com o passado é essencial. Repeti-lo? Nem sempre.


FONTE - MIGALHAS.



« VOLTAR
AVANÇAR »

Nenhum comentário

- Seu comentário é sempre bem-vindo!
- Comente, opine, se expresse! este espaço é seu!
- Todos os conduzidos são tratados como suspeitos e é presumida sua inocência até que se prove o contrário!

- Se quiser fazer contato por e-mail, utilize o redacaor1rondonia@gmail.com

Publicidade