Pauta vem ganhando cada vez mais notoriedade e, a luta, cada vez mais adeptos
Comemorado no Brasil em todo 29 de janeiro, o Dia da Visibilidade Trans pauta a luta da comunidade transexual do Brasil pelo respeito e o direito a igualmente ocupar os diferentes espaços. E isso nós já conseguimos ver, mesmo que não de forma corriqueira.
| Comemorado no Brasil em todo 29 de janeiro, o Dia da Visibilidade Trans pauta a luta da comunidade transexual do Brasil pelo respeito e o direito a igualmente ocupar os diferentes espaços. |
Um exemplo é a
Linn da Quebrada, participante do Big Brother Brasil 2022. Linn é uma mulher
transexual – travesti, como ela mesma prefere ser identificada – que tem
movimentado o programa com provocações a respeito das vivências trans.
Em um dos programas com maior
audiência da televisão brasileira, a participante deixou um questionamento de
impacto e que é a realidade de diversas pessoas. “Nós somos estimulados a amar
alguns corpos muito mais que outros. Corpos gordos, corpos negros, corpos
trans, corpos de pessoas com deficiência... a gente nem pensa nessas pessoas
quando pensamos em amar alguém. A gente não vê essas pessoas protagonizando
filmes que falam sobre amor. Vê?”.
Com as diversas lições sobre o tema,
Linn que é cantora, atriz, apresentadora e agitadora cultural e vem mostrando
ao público que pessoas transgêneros – aquelas que não se identificam com o sexo
biológico imposto no nascimento – podem ocupar diferentes espaços com seus
talentos.
Como ela, a baiana Laura Souza, 23
anos, idealiza um lugar seguro e acolhedor para as mulheres e homens trans
estarem fora de perigo por apenas querer viver da forma que se identifica. “Seria
muito ruim falar que estamos longe da concretização disso porque tira nossa
esperança e desejo de mudança, como também é difícil falar que estamos perto
por conta da realidade de hoje. Então, eu acredito que seja um caminho que
ainda estamos construindo. Seria um mundo sem preconceito. Que fosse livre para
que pudéssemos caminhar para onde quiséssemos, sem que fossemos discriminados
por sermos nós mesmos”, revela.
Nascida no interior da Bahia, Laura adora videogames, é ligada em moda e maquiagem e pretende se formar no curso de Psicologia. Diferente de muitas pessoas trans que permanecem à margem no mercado de trabalho, ela tem carteira assinada e se sente acolhida na empresa em que atua como assistente de relacionamento do Educa Mais Brasil. Laura define o que faz como “realizadora de sonhos”, pois faz a ponte entre quem não tem condições de bancar um curso particular com o programa de bolsas de estudo.
“Sempre fui eu mesma, nunca houve um
repúdio dos meus colegas por conta disso. Foi durante esse emprego que eu fiz a
minha transição de gênero. Eu consegui fazer com que as pessoas me respeitassem.
Isso me deixou muito emocionada, porque fico imaginando que muitas outras não
conseguem ter isso. É um privilégio que eu
gostaria que todas as pessoas da minha comunidade também tivessem”, reflete.
Para o futuro, ela quer conquistar
postos maiores. “Sempre desejei estar em lugares em que pessoas como eu talvez
nunca tivessem pensado. Aqui eu desejo ser uma gerente ou uma supervisora de
grande escala”, reforça. Outro sonho, esse agora coletivo, é também ver outras
pessoas trans trabalhando e desenvolvendo seus talentos em posições de
destaque. “Nós estudamos, podemos falar outras línguas. Podemos fazer tudo! Eu
acho que a sociedade passar a nos enxergar nesses diferentes lugares é muito
importante”.
Conheça um pouco sobre Laura Souza clicando
aqui.
Permita que eu fale, não as minhas cicatrizes...
“Elas são coadjuvantes. Não, melhor,
figurantes que nem devia tá aqui”. Como no trecho da canção Amarelo,
interpretada por Emicida, Majur e Pabllo Vittar, o sonho de Jean Gregório,
jovem de 26 anos natural de Camaragibe, pertencente à Região Metropolitana de
Recife, é chegar nos espaços e, de forma naturalizada, ser respeitado enquanto
o que ele é, um homem, sem que as transfobias que enfrenta sejam maiores que os
seus talentos. “Não é somente por esse tipo de assunto que queremos ser vistos.
Também queremos ser vistos pelo que somos e pelo tipo que trabalho que fazemos.
Ou seja, pela pessoa que nós somos de fato”, defende.
“Boa parte da sociedade não está
interessada no que a gente está dizendo. As pessoas querem apenas tirar as suas
próprias conclusões. E não porque eles acham que nossos corpos são
desconhecidos ou porque as pessoas se dizem ainda não desconstruídas. Querem
impor apenas que a opinião e vontade deles”, analisa.
Sonhando em retomar os estudos, Jean
reforça que a população trans pode ocupar todos os espaços, pois, além disso
ser um direito, eles também possuem talentos e competências para serem bons
profissionais em qualquer área. Falta, em boa parte dos casos, serem
impulsionados para isso. “Meu sentimento realmente sempre foi o de voltar para
sala de aula. Voltar para um espaço que também é meu. E é importante estarmos
nesses lugares para mostrar justamente para a sociedade que somos pessoas
normais e que é preciso normalizar a presença de pessoas trans em qualquer
lugar. Eu posso ser um professor? Posso e sei que sou capaz”, conclui.
TAGS: Dia da Visibilidade Trans, Pedagogia, Pessoas trans, Linn da Quebrada, BBB, Bolsas de estudo, Educa Mais Brasil
Fonte: Agência Educa Mais Brasil





Nenhum comentário
Postar um comentário
- Seu comentário é sempre bem-vindo!
- Comente, opine, se expresse! este espaço é seu!
- Todos os conduzidos são tratados como suspeitos e é presumida sua inocência até que se prove o contrário!
- Se quiser fazer contato por e-mail, utilize o redacaor1rondonia@gmail.com